10 de junho de 2008

Vemos o que sabemos…

Este país está tão irreal que, este ano, decidi celebrar o dia de Portugal falando sobre ilusões de óptica. Não, não é brincadeira. É bem séria esta minha fuga da realidade pois, já que não posso acreditar no que vejo todos os dias, só posso atribuir, tal facto, à minha visão manhosa ;-)

Pelo menos, desta forma, vou mantendo a minha sanidade mental...


Selos Suecos com figuras impossíveis (década de 80 do Séc. XX).

A visão é um processo tão fundamental, tão instantâneo, tão fácil que presumimos que ela ocorre naturalmente e de forma fidedigna. Mas, não podíamos estar mais enganados. Por detrás dessa aparência eficaz e eficiente, a nossa visão é, na verdade, um processo com elevado potencial para a falha. Ela está dependente de regras, de uma inteligência visual, que demoramos anos a construir. Ela interage, de forma intensa, com os conhecimentos adquiridos, raciocínios, emoções e estado de activação. A visão não é um mero processo de recepção de estímulos sensoriais formando padrões, ela é um processo activo de construção inteligente. O problema é que tais construções não são feitas, na maior parte dos casos, de forma consciente nem respeitando a realidade. Isso poderá resultar, na pior das hipóteses, em ilusões de óptica e imagens impossíveis. Se, por um lado, esta falibilidade da visão pode constituir um problema sério, por outro, ela poderá ser encarada como um enorme manancial de criatividade. Isto se soubermos tirar proveito, de forma criativa, das inúmeras regras que sustentam a inteligência visual e da sua lógica própria.



O trabalho de Óscar Reutersvärd é um excelente exemplo, capaz de nos confrontar com a nossa própria confusão/falibilidade visual. O longo da sua carreira, este professor de arte e artista plástico, sueco, criou mais de 2500 figuras impossíveis.
Vejamos algumas delas...





As imagens foram designadas de impossíveis por brincarem, descaradamente, com as nossas regras da visão. Poderão ver mais figuras impossíveis AQUI.

Nas imagens seguintes é possível constatar como é criado o triângulo impossível, ou do diabo, de Reutersvärd.

Por estranho que pareça, diversas figuras, embora intituladas como impossíveis, são possíveis de construir (de certa forma). Ou seja, não são exequíveis tal como as vemos no desenho original mas, é possível a construção de objectos a 3D que, quando visualizados de um ângulo específico, resultam na imagem impossível original…

Ora aqui está um desafio curioso!...

Será que, se virmos Portugal, do ângulo certo, tal como podemos fazer com este triângulo do diabo, ele vai parecer credível e não impossível?
...

Aqui fica a minha sugestão: Caros senhores do governo Português, na próxima campanha d
e promoção da imagem nacional, em vez de contratarem o Nick Knight chamem, antes, o Reutersvärd. Vai resultar mais... vão por mim.

9 de junho de 2008

Rapidinhas...



Concurso Nacional de Design em Português

Os jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, residentes em Portugal, poderão participar na 6ª edição do concurso nacional “Design em Português”, promovido pela Fundação da Juventude. O objectivo do concurso é o desenvolvimento de produtos no contexto da cerâmica e da embalagem. As propostas podem ser entregues até ao próximo dia 30 de Junho de 2008.




Gateways: exposição internacional de capas de livros

Gateways é uma exposição internacional de capas de livros contemporâneas, que decorrerá, no Porto, em finais de Julho de 2008. Esta exposição será a 6ª de uma série de exposições de design gráfico, intituladas ‘Idioms’, organizadas pela Fundação de Serralves, comissariadas por Andrew Howard, e integrando o programa para o Silo Espaço Cultural, no NorteShopping, em Matosinhos. Os interessados em submeter capas (que tenham sido feitas nos últimos 10 anos), que possam vir a fazer parte desta mostra, poderão enviá-las, até 20 de Junho de 2008.




VDA Design Award: Transport Efficiency 2020

Estão abertas as submissões à 4ª edição do concurso “VDA Design Award”, cujo objectivo é estimular o aparecimento de abordagens visionárias para os transportes rodoviários. As propostas submetidas deverão satisfazer requisitos como: o aumento expectável dos preços dos transportes no futuro; a protecção do ambiente e a sustentabilidade; entre outros. As submissões encerram a 1 de Julho de 2008.



Concurso "Cartaz 3 de Dezembro de 2008 / Dia Internacional das Pessoas com Deficiência"
O Instituto Nacional para a Reabilitação lançou o concurso "Cartaz 3 de Dezembro de 2008 / Dia Internacional das Pessoas com Deficiência", com o objectivo premiar o trabalho gráfico que melhor represente a mensagem subjacente à comemoração desse dia. Os cartazes deverão celebrar os direitos humanos das pessoas com deficiência e sensibilizar a sociedade para combater os preconceitos e os obstáculos que impedem estes cidadãos de exercer os seus direitos e participar activamente em todos os aspectos da vida política, social, económica, cultural e artística. Poderão concorrer cidadãos, instituições públicas e privadas, escolas e estabelecimentos do ensino superior, associações da sociedade civil ou quaisquer outras entidades nacionais. O prazo de submissão termina no dia 1 de Julho de 2008.
O regulamento pode ser descarregado aqui (rtf)




MANGO International fashion Awards 2008

A MANGO, marca de roupa espanhola, anunciou a abertura da segunda edição do MANGO International Fashion Award. As colecções poderão ser submetidas até 31 de Julho de 2008.




Oásis Award for Outdoor Kitchen Design

Os interessados, em participar no desafio Oasis Award, poderão submeter conceitos para espaços de cozinha exteriores, que utilizem os produtos da Kalamazzo Custom Outdoor Kitchen Collection.
As propostas poderão ser submetidas até 1 de Agosto de 2008.

7 de junho de 2008

Design Quotes

“Is there any human artefact which is not in some sense a work of design?”

Malcolm Barnard



6 de junho de 2008

Mude a forma como encara a deficiência



O site da "creaturediscomforts.org" é das propostas mais criativas e mais interessantes que tenho visto, ultimamente, na abordagem das questões da acessibilidade e do design inclusivo.

Este projecto faz parte de uma campanha, promovida por "Leonard Cheshire Disability", para modificar a forma como a maioria das pessoas pensa a deficiência e como age em resposta a esta realidade. O que é interessante e inovador é o uso de personagens animados, na forma de pequenos animais, que relatam as suas experiências enquanto deficientes. As suas histórias são réplicas de histórias de vida real, de pessoas como nós, tal como podemos constatar na secção
"making the ads".

Os personagens são uma delicia...

Os interessados poderão contribuir com donativos, ou, em alternativa, com propostas para a nova temporada de animações.

5 de junho de 2008

Um Manifesto por Sustentabilidade no Design



1000 Words: A Manifesto for Sustainability in Design
By Allan Chochinov
in Core77

(...)" Hippocratic Before Socratic

"First do no harm" is a good starting point for everyone, but it's an especially good starting point for designers. For a group of people who pride themselves on "problem solving" and improving people's lives, we sure have done our fair share of the converse. We have to remember that industrial design equals mass production, and that every move, every decision, every curve we specify is multiplied—sometimes by the thousands and often by the millions. And that every one of those everys has a price. We think that we're in the artifact business, but we're not; we're in the consequence business.

...designers are feeding and feeding this cycle, helping to turn everyone and everything into either a consumer or a consumable. And when you think about, this is kind of grotesque. "Consumer" isn't a dirty word exactly, but it probably oughta be.

Stop Making Crap
And that means that we have to stop making crap. It's really as simple as that. We are suffocating, drowning, and poisoning ourselves with the stuff we produce, abrading, out-gassing, and seeping into our air, our water, our land, our food—and basically those are the only things we have to look after before there's no we in that sentence. It gets into our bodies, of course, and it certainly gets into our minds. And designers are feeding and feeding this cycle, helping to turn everyone and everything into either a consumer or a consumable. And when you think about it, this is kind of grotesque. "Consumer" isn't a dirty word exactly, but it probably oughta be.

Systems Before Artifacts
Before we design anything new, we should examine how we can use what already exists to better ends. We need to think systems before artifacts, services before products, adopting Thackara's use/not own principles at every step. And when new products are needed, they'll be obvious and appropriate, and then can we conscientiously pump up fossil fuels and start polymerizing them. Product design should be part of a set of tools we have for solving problems and celebrating life. It is a means, not an end.

Teach Sustainability Early
Design education is at a crossroads, with many schools understanding the potentials, opportunities, and obligations of design, while others continue to teach students how to churn out pretty pieces of garbage. Institutions that stress sustainability, social responsibility, cultural adaptation, ethnography, and systems thinking are leading the way. But soon they will come to define what industrial design means. (A relief to those constantly trying to define the discipline today!) This doesn't mean no aesthetics. It just means a keener eye on costs and benefits.

Screws Better Than Glues
This is lifted directly from the Owner's Manifesto, which addresses how the people who own things and the people who make them are in a kind of partnership. But it's a partnership that's broken down, since almost all of the products we produce cannot be opened or repaired, are designed as subassemblies to be discarded upon failure or obsolescence, and conceal their workings in a kind of solid-state prison. This results in a population less and less confident in their abilities to use their hands for anything other than pushing buttons and mice, of course. But it also results in people fundamentally not understanding the workings of their built artifacts and environments, and, more importantly, not understanding the role and impact that those built artifacts and environments have on the world. In the same way that we can't expect people to understand the benefits of a water filter when they can't see the gunk inside it, we can't expect people to sympathize with greener products if they can't appreciate the consequences of any products at all.

Design for Impermanence
In his Masters Thesis, "The Paradox of Weakness: Embracing Vulnerability in Product Design," my student Robert Blinn argues that we are the only species who designs for permanence—for longevity—rather than for an ecosystem in which everything is recycled into everything else. Designers are complicit in this over-engineering of everything we produce (we are terrified of, and often legally risk-averse to, failure), but it is patently obvious that our ways and means are completely antithetical to how planet earth manufactures, tools, and recycles things. We choose inorganic materials precisely because biological organisms cannot consume them, while the natural world uses the same building blocks over and over again. It is indeed Cradle-to-Cradle or cradle-to-grave, I'm afraid.

Balance Before Talents
The proportion of a solution needs to balance with its problem: we don't need a battery-powered pooper scooper to pick up dog poop, and we don't need a car that gets 17 MPG to, well, we don't need that car, period. We have to start balancing our ability to be clever with our ability to be smart. They're two different things.

Metrics Before Magic
Metrics do not get in the way of being creative. Almost everything is quantifiable, and just the exercise of trying to frame up ecological and labor impacts can be surprisingly instructive. So on your next project, if you've determined that it may be impossible to quantify the consequences of a material or process or assembly in a design you're considering, maybe it's not such a good material or process or assembly to begin with. There are more and more people out there in the business of helping you to find these things out, by the way; you just have to call them.

Climates Before Primates
This is the a priori, self-evident truth. If we have any hope of staying here, we need to look after our home. And our anthropocentric worldview is literally killing us. "Design serves people"? Well, I think we've got bigger problems right now.

Context Before Absolutely Everything
Understanding that all design happens within a context is the first (and arguably the only) stop to make on your way to becoming a good designer. You can be a bad designer after that, of course, but you don't stand a chance of being a good one if you don't first consider context. It's everything: In graphics, communication, interaction, architecture, product, service, you name it—if it doesn't take context into account, it's crap. And you already promised not to make any more of that.

So there's my manifesto. A little stern perhaps, but that's what editing down to 1000 words will get you. The power of design is an amazing thing. Let's wield it wisely.(...)"


Um manifesto não passa disso mesmo, um manifesto. Não tem a força de uma lei ou de regra vinculativa. Infelizmente não possuímos, na área do design, um código de ética. Não possuímos uma ordem que regule a profissão e repreenda os prevaricadores... No mundo real, cada um faz aquilo que a sua consciência lhe indica, ou, que a sua conta bancária lhe exige. Mas, neste "salve-se quem puder" quem não se salva é o planeta e algumas espécies ameaçadas (talvez um dia a nossa também). Mas podia ser diferente!!!... Acredito que as associações de designers, por esse mundo fora, podiam prestar um grande contributo à humanidade se desenvolvessem, de facto, um código de conduta para o designer. Sei que muitos são contra esta possibilidade pois, sentir-se-iam demasiado limitados na sua actividade criativa. Mas, de que serve sermos criativos se não tivermos condições mínimas de vida? Nesse código, entre outras coisas, eu incluiria, de certeza, algumas que são mencionadas neste manifesto. Eu contribuo para a aplicação de uma delas: Ensinar e estimular o interesse pela sustentabilidade desde cedo!...


4 de junho de 2008

Arte, Design e Cultura Visual

Barnard, Malcolm (1998). Art, Design and Visual Culture. London: MacMillan Press.

Este livro fala-nos da importância da visão na vida e na cultura ocidental.

Muito do nosso conhecimento é adquirido através da visão. O nosso comportamento é, nitidamente, influenciado pela leitura dos outros e do mundo. Os nossos raciocínios e julgamentos são, grandemente, influenciados pelo que vemos. O nosso tempo livre, dedicado ao lazer ou à cultura, suporta-se na visão. Estamos, na verdade, fortemente dependentes e condicionados pelo mundo visual, para o bem e para o mal.

O livro leva-nos, ainda, a reflectir sobre o nosso papel de consumidores, por vezes passivos, da enxurrada de imagens que inundam o nosso quotidiano. Este facto seria neutro se as imagens não fossem, na maioria das vezes, usadas com efeitos perversos numa "sociedade do espectáculo". Desde sempre, as imagens são usadas para nos manipular, de forma impiedosa, sem qualquer respeito pela vida real e pelas nossas verdadeiras necessidades. Mas, essas mesmas imagens são, também, usadas para nos vigiar, para nos manter sobre apertado escrutínio. E esse pode ser o preço a pagar para ter segurança no mundo actual.

Outra preocupação relaciona-se com o impacto, deste mundo visual, na cultura e, por conseguinte, no design. Será que a globalização e popularização, de certas imagens, afecta a produção artística e cultural? Ao incorporarmos, nas nossas produções, imagens de divulgação global estaremos a perder a nossa identidade cultural?

Por outro lado, como designers, possuidores de capacidade para manipular esse mundo visual, como tomamos as decisões relacionadas com o "aspecto" dos nossos projectos? Porque razão damos certas formas, escolhemos certas cores e texturas, que condicionam o aspecto das coisas?

Tópicos principais abordados no livro:
> O que é a cultura visual?
> Como pode ser estudada?
> Criativos: Artistas e Designers.
> Consumidores: Mercados, públicos e audiências.
> Média, Acesso e Propriedade.
> Sinais, Códigos e Cultura Visual.
> Diferentes tipos de Arte e Design.
> Cultura Visual e Processo Social.

Malcom Barnard é professor de História e Teoria da Arte e Design, na Universidade de Derby.

Ver mais sobre este livro no GoogleBooks

3 de junho de 2008

Dificuldades para Deficientes



Não é a primeira vez nem será, infelizmente, a última em que falaremos sobre a FALTA de Acessibilidade em Portugal,
neste blog. Estranhamente, apesar de toda a boa legislação em vigor, nada parece mudar, a este respeito, nas terras Lusas. É inacreditável como estações de transportes públicos, restaurantes, escolas, hospitais e museus, entre muitos outros espaços, nos confrontam com obstáculos arquitectónicos inultrapassáveis.

Sobre este assunto, Clara Ferreira Alves escreveu um artigo intitulado "Dificuldades para Deficientes", publicado no Expresso on-line no dia 12 de Maio de 2008.

Aqui ficam alguns excertos...


(...) "Recomendei-lhes que não perdessem o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), que é um dos museus mais extraordinários do mundo, rodeado daquele belo jardim e daquele rio azul, sentindo numa tarde de Primavera a brisa que sopra do Tejo e o cheiro das árvores e das flores. E, claro, recomendei-lhes os muitos sítios que quem mora numa cidade recomenda aos estrangeiros. E, claro, esqueci-me que Lisboa tem um problema, tem vários problemas. No que diz respeito a Boaz e Shirley, Lisboa vira-lhes as costas e nega-lhes oportunidades que concede a outros. Lisboa descrimina-os. Porquê? Boaz está numa cadeira de rodas".


(...) "Foram a um lugar perto do castelo de São Jorge para ver arte, e não puderam entrar. O Bairro Alto é inegociável, e com o Bairro Alto vão na leva os restaurantes do bairro, incluindo um que lhes recomendei particularmente como sendo o da melhor comida portuguesa."


(...) "Lisboa (e o Porto, e outras cidades portuguesas) torna-se difícil, impossível, para velhos e aleijados. Apesar das fórmulas politicamente correctas com que cobrimos estes estados de vida, o da velhice e o da incapacidade, não cobrimos a cidade de "facilidades para deficientes" nem para incapacitados, seja pela idade, a doença ou o acidente. "


(...) "Sem asas nos pés, o tempo entre a luz verde e a vermelha para os peões é curtíssimo, e os carros parecem um bando de animais deitando fumo e escavando no chão antes da investida. Muda o sinal e fica-se entalado a meio da Avenida entre dois sentidos, com as tangentes dos automóveis e os insultos dos automobilistas portugueses que, como toda a gente sabe, não são um modelo de cortesia."


(...)"A juntar ao domínio dos carros sobre as pessoas na cidade, temos as colinas e as calçadas portuguesas em altos e baixos, com pedras descalçadas, montinhos de brita, pilões de aço e carros estacionados, episódios vários de incúria e repressão que dificultam a passagem das pernas lentas e das cadeiras de rodas. Os velhos têm medo de atravessar as ruas, e têm pânico de cair. Junte-se ainda a inexistência de transportes especiais para deficientes, de táxis especiais para deficientes (que poderiam e deveriam existir) e de rampas e acessos nos edifícios e lugares públicos. A cadeira de rodas, em Portugal, e a deficiência, são uma condenação ao imobilismo, à solidão, ou ao internamento em instituições especiais. São também uma condenação à pobreza ou à pedincha quando se trata de gente sem recursos, ou incapacitada pelas centenas de acidentes de trabalho por falta de segurança, que as companhias seguradoras ignoram e tratam como dispensáveis, recompensando a perda das pernas ou dos braços, da visão ou da audição, ou de qualquer parte do corpo, com montantes irrisórios. A vida de um deficiente pobre vale muito pouco, se for um trabalhador imigrado estrangeiro vale nada. A família que cuide dele, é a racionalidade dominante. "Teve azar, coitado" é o comentário piedoso."(...)

Que mais posso eu acrescentar a estas palavras?!?!....
Há ainda muito por fazer... parece é não haver vontade... :P

Ler o artigo completo AQUI.

2 de junho de 2008

Rapidinhas...



Prémio de design automóvel SEAT

O tema do concurso de design automóvel SEAT 08 é conceber um SEAT para a mulher moderna. Todos os interessados, que tenham mais de 18 anos e formação na área de design ou belas-artes, poderão participar, enviando propostas até ao próximo dia 26 de Setembro de 2008.
Mais informações aqui.




Quentes & Boas

O concurso Quentes & Boas é promovido pelas Páginas Amarelas (PA) e decorre de Maio a Novembro de 2008, sendo apadrinhado por Fernando Alvim. O desafio consiste na concepção de um vídeo, individualmente ou em grupo, que conte uma história (real ou ficcionada) em que um ou mais produtos das PA sejam protagonistas.
Para obter informações detalhadas, sobre o desafio consultar o site do Quentes & Boas.




Sit less, think more. Anti-bureaucratic chair

O Ministério da Economia polaco, em cooperação com o Instituto de Design Industrial, anunciaram a abertura do concurso internacional para o design de uma ‘cadeira anti-burocrática’. Destina-se a profissionais e a estudantes de design e de arquitectura de interiores. O concurso estará concluído em 3 de Outubro próximo mas os registos devem ser feitos até ao próximo dia 1 de Junho.
www.reforma-regulacji.gov.pl
www.iwp.com.pl




ConVida para crianças

A Convida, editora de guias de Lisboa bairro a bairro, lançou, este fim-de-semana, o primeiro guia temático: “Lisboa para Crianças”. O guia, que é anual e foi distribuído com o jornal Público, está organizado em doze capítulos temáticos sobre ocupação dos tempos livres, desporto, locais de interesse, cultura, divertimento e também alguns exemplos de roteiros.
O design gráfico é da responsabilidade do atelier KAHN.




Utopia

A exposição “Utopia”, que estará patente no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, até 27 de Julho de 2008, exibe obras, em fotografia e vídeo, de dez artistas, que se centram em projectos arquitectónicos utópicos dos anos 50 e 60.




Le Corbusier – Arte da Arquitectura

A primeira grande exposição sobre a obra de Le Corbusier, realizada em Portugal, estará patente no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, até ao dia 17 de Agosto de 2008. Uma exposição, do Vitra Design Museum Weil am Rhein, em colaboração com o Netherlands Architecture Institute e o Royal Institute of British Architects, onde é possível ficar a conhecer toda a riqueza criativa deste grande mestre.



1001 Noites

A exposição “1001 Noites, Ilustração Contemporânea do Irão para a Infância” mostra-nos ilustrações de 40 autores iranianos. São, ao todo, 120 trabalhos que mostram a cultura e criatividade do país no que diz respeito ao desenho dedicado aos mais novos. A exposição estará até 28 de Junho de 2008 no Museu da Água, Estação Elevatória dos Barbadinhos, em Lisboa.

31 de maio de 2008

Design Quotes

“Design is more than meets the eye. Design is about communicating benefits. Design is not about designers. Design is not an ocean it's a fishbowl. Design is creating something you believe in”.

Chuck Green, Logic Arts Corporation



Designlist.notícias



MUTANTE

MUTANTE é uma nova revista online que se apresenta como um espaço em permanente mudança e provocador de experiências. MUTANTE é um projecto pensado no âmbito da cultura e da criação artística, onde podem ser encontradas várias perspectivas, diferentes sensibilidades, olhares, formas de estar, sentir e interpretar o que nos rodeia.É uma revista temática, sendo o tema do número 1 o ‘Tempo’. Está aberta a quem quiser colaborar, enviando ilustrações, textos, projectos, fotografias ou ideias. A publicação é trimestral e o número 1, de Maio, já está disponível para consulta.
e-mail: info@mutante.pt
http://www.mutante.pt/

30 de maio de 2008

Design de embalagens

Por coincidência recebi, no mesmo dia, um e-mail divulgando uma pós-graduação em design de embalagens e um comentário, de um leitor, sobre a dificuldade em abrir algumas embalagens. Esse comentário foi feito a propósito de um post, publicado anteriormente, onde fazíamos referência à má usabilidade e fraca acessibilidade de embalagens de CD. Simpaticamente, o nosso leitor, recomendou a visualização de um scketch cómico, do Bruno Nogueira, sobre esta problemática. Esse pequeno vídeo, que é fantástico, faz ironia sobre as nossas más experiências com embalagens, de uma forma muito séria, ainda que cómica.

Aqui fica o vídeo...






A pós graduação em
"Design de Embalagem", que referi, é promovida pela ESTAL e tem como objectivo "criar instrumentos para os alunos saberem projectar a embalagem ideal para diferentes tipos de produtos e diferentes tipos de consumidor".
Infelizmente, parece que as inscrições terminavam a 20 de Maio (eu só recebi o e-mail de divulgação ontem)...


Estive a ver o programa da Pós-graduação e não consegui encontrar, pelo menos de forma evidente, alguma abordagem às questões da Ergonomia nem, tão pouco, à usabilidade e acessibilidade das mesmas. Mas, posso estar enganada. Se estiver corrijam-me, sff... Parece-me que a abordagem escolhida tem um maior pendor no design de comunicação, a par de outras questões como o marketing, as tecnologias de produção, as questões da sustentabilidade, entre outras. Contudo, a interacção com uma embalagem não se restringe apenas aos aspectos cognitivos envolve, também, aspectos físicos (no sentido da manipulação). E, para mim, essa seria uma questão essencial a incluir numa formação deste tipo. Esta é a minha opinião!...De qualquer forma, parabéns e felicidades!

29 de maio de 2008

O “perigoso” MacBookAir volta a atacar…

Alguns problemas podem surgir quando novas funcionalidades, que não desejávamos incluir, são encontradas nos produtos que concebemos. Isso parece ser o que está a acontecer com o novíssimo MacBook Air.


Hoje fiquei a saber, através do meu colega Ernesto que, o famoso Mac, o mais fino do mundo, para além de ser possuidor de todas as inovações, grandemente aclamadas, parece ter-se transformado numa potencial arma perigosa. Segundo alguns utilizadores, o seu perfil finíssimo e os cantos afiados podem ser tão cortantes como uma espada. Um utilizador alemão alega, inclusivamente, que se cortou no cotovelo com o seu portátil. Em diversos sites, fóruns e blogs são apresentadas imagens de um MacBook air a cortar pão!?!?!...



Portanto, para além de existirem utilizadores que ficaram irritados, por não conseguirem encontrar o seu portátil entre os papéis e livros, ou, aqueles que o deitaram no papelão, envolvido no meio de um molho de jornais velhos, existem aqueles que foram “atacados” pela sua máquina de sonho.


Eu prevejo que, para além de poder vir a ser proibido a bordo de aviões, qualquer dia, o MacBook Air vai surgir envolvido num crime na série CSI… ehehehe


Bom, eu não sei até que ponto estas alegações são, ou não, verdadeiras. Mas, a parte engraçada nesta história é a possibilidade de uma vantagem (considerada um argumento diferenciador fortíssimo) se ter tornado, subitamente, numa desvantagem e até num perigo potencial. Isto faz-me pensar na necessidade de se antever todos os usos potenciais, mesmo os mais estranhos, quando estamos a conceber um produto. E, para que essa análise seja bem feita, nada melhor do que recorrer à Ergonomia… ;-)


28 de maio de 2008

Novos avisos brasileiros anti-tabaco

Ainda no rescaldo da apresentação feita pelo professor M. S. Wogalter, da Universidade da Carolina do Norte, EUA, no "Seminário Ergonomics in Design", organizado pelo Depto. de Ergonomia da FMH-UTL, e que ocorreu na passada segunda-feira, gostaria de divulgar a mais recente campanha anti-tabágica realizada no Brasil e que vem substituir a versão anterior (divulgada anteriormente neste blog). Recebi esta informação do Flávio Hobo, que assistiu ao seminário e, gentilmente, me enviou o link. Obrigada Flávio ;-)

As imagens, agora divulgadas, serão aplicadas nos maços de cigarros à venda no Brasil. A opção, pela inclusão deste tipo de fotografias, é justificada pela comprovada eficácia da explicitação das consequências associadas a determinado comportamento (fumar), como factor de motivação. Neste caso, como factor de motivação para parar de fumar. As fotos e as mensagens foram elaboradas tomando por base um estudo sobre o grau de aversão que produzem. E, cuidado, porque, algumas, são mesmo MUITO chocantes... Espero que funcionem!!!











Poderão encontrar mais imagens, de campanhas anteriores em diversos países, no site "Physicians for a free-smoke Canada".

Sobre a nova campanha brasileira poderão ler mais na Folha Online.

24 de maio de 2008

Design Quotes

Making a system easier to use for someone does not, for me, make that system better. You bring a ‘user experience’ to life by designing with people, not for them. Users create knowledge, but only if we let them.
John Thackara, Doors of Perception


23 de maio de 2008

TUDelft / Applied Ergonomics and Design



A Universidade de Tecnologia de Delft (TUDelft) disponibiliza, na secção "Applied Ergonomics and Design", do seu site, alguns recursos (em pdf) sobre Ergonomia. São, na maioria, pequenos artigos relacionados com questões práticas da aplicação da Ergonomia no Design. Mas, também existe uma boa colecção de links úteis.
Alguns destes artigos respondem a dúvidas que os mestrandos me vão colocando nas aulas... ;-)

> Usage evaluation methodology:

[Teaching the use of an anthropometric man-model]
[Anticipation of future usage with design models]
[Scientific credentuals in design supportive research]
[Information processing in conceptual design]
[Methods in usage centered design research]
[From observation to innovation]
[How many participants]
[Risk perception in product use]
[Teaching research for usage oriented design]
[Cognition and product use]

> Dynamic Anthropometry
> Design for Healthy Environments

Boas leituras...

21 de maio de 2008

Qual papel dos avisos na protecção do utilizador?

Tal como falámos, no “post” anterior, os avisos só devem ser colocados nos produtos/ambientes se nenhuma outra estratégia for suficiente para eliminar o risco para o utilizador, ou, se, mesmo assim, se achar por bem reforçar alguma mensagem.

O papel principal dos avisos é, sobretudo, o de informar o utilizador sobre os perigos e riscos que ele irá encontrar naquela determinada situação e/ou associado ao uso daquele produto. Para além desta função básica, os avisos também têm outros propósitos como, quebrar rotinas e automatismos, chamar e manter a atenção do utilizador e tentar impedir os acidentes, lesões ou danos materiais.

Para alcançar todos os propósitos mencionados, os avisos, podem assumir diferentes formas. Assim, encontramos avisos que são sinais, rótulos, etiquetas, manuais de instruções, folhetos, vídeos, entre muitos outros. Na verdade, dificilmente conseguiremos evitar esbarrar com eles, pois estão, literalmente, por todo o lado. Em virtude desta amplitude de propósitos e de aplicações, o papel dos avisos é muito mais importante que a maioria pensa. Mas, infelizmente é, no meu entender, uma área do design de comunicação que tem sido muito descurada pelos designers. Este abandono dá azo a que surjam avisos completamente errados, mal concebidos e até anedóticos.

Só que, o uso descuidado dos avisos pode revelar-se negativo para quem procura promover o seu produto/ambiente pois, o utilizador pode ficar com a ideia de que aquele produto/ambiente é demasiado perigoso e rejeitar o seu uso. Para além disso, o excesso de avisos levará à habituação e isso causará uma redução na importância atribuída ao mesmo.

Para penalizar, todos os que negligenciaram os estudos da ergonomia e da usabilidade nos seus produtos, a “Michigan Lawsuit Abuse Watch” promove um concurso chamado “Wacky Warning Label Contest” para “premiar” os rótulos de aviso mais estrambólicos.

De seguida mostramos alguns dos “notáveis” distinguidos com este galardão, este ano.



Primeiro prémio: aviso aplicado num pequeno tractor: “Danger! Avoid Death”.



Segundo classificado: uma estampa para aplicação em t-shirts: “Do not iron while wearing shirt”.



Terceiro classificado: um carrinho para transporte de crianças, usado em grandes superfícies comerciais: “Do not put child in bag”.



Menção honrosa: um abre-cartas: “Caution: Safety goggles recommended”.



Menção honrosa: um marcador de tinta invisível: “The vanishing fabric marker should not be used as a writing instrument for signing checks or any legal documents”.


Adorei a ideia deste concurso.

Vou pensar seriamente em organizar uma competição deste tipo em Portugal!...

O que acham?
.

20 de maio de 2008

Como proteger o utilizador?


Estou constantemente a ouvir a pergunta: este produto é ergonómico?

Muitos dos alunos de design ambicionam conceber produtos que possam ser classificados como “ergonómicos”. Isto porque sabem que, esses produtos, possuirão maiores garantias de usabilidade, acessibilidade, conforto e segurança para o utilizador. Porém, esta é uma questão traiçoeira de responder.


A minha resposta típica, a tal questão, será: depende!


Vejamos porquê.


Quase todos os produtos podem ser “ergonómicos”. Mas, serão “ergonómicos” se permitirem optimizar a interacção e se, se ajustarem a determinado utilizador, desempenhando a tarefa, num envolvimento determinado. Ou seja, tal “classificação” será sempre atribuível após uma análise que envolve um utilizador e uma situação específicos. Isto significa que um determinado produto poderá não ser adequado a múltiplos utilizadores e a diversos contextos de uso. E, como sabemos, os produtos nem sempre são usados nos contextos previstos e pelos utilizadores-alvo, inicialmente indicados. Até porque, essa previsão é praticamente impossível de fazer.


Bom, perante esta dificuldade, o que podemos fazer para garantir a segurança do utilizador?


Existe uma estratégia geral de segurança que contêm 3 grandes níveis:


1) Eliminar o perigo através do design: isto é, conceber o produto para que não se mantenha qualquer risco para o utilizador. Porém, isto nem sempre é possível. Por exemplo, não é possível eliminar o risco no uso de uma faca. Então, nestes casos, passamos para a etapa seguinte…


2) Colocar uma barreira entre o utilizador e o perigo: desta forma, podemos garantir, na maior parte dos casos, que não há risco para o utilizador. Um bom exemplo desta medida de protecção é a rede que isola partes móveis das máquinas. Contudo, mesmo assim, porque o ser Humano é muito versátil e gosta de arriscar, nem sempre isto impede o acidente. Nesse caso, só nos resta uma medida…


3) Colocar avisos: o utilizador deve possuir informação suficiente, sobre o perigo e sobre as consequências que podem advir de um uso desajustado, para tomar a decisão (relativa ao comportamento a adoptar) informada e consciente. No entanto, esta estratégia não deve ser invertida. Claro está que, pessoas menos escrupulosas optam por colocar avisos, em vez de investir nas outras opções. Naturalmente, isso é muito menos dispendioso. Estamos a falar de um pedacinho de vinil impresso... Mas, também é muito menos ético.


Sobre os avisos falamos mais no “post” de amanhã…