A sociedade actual incentiva a possibilidade de comprar
"à-distância", seja por catálogo, pela TV ou pela Internet. Sendo que, na maioria das vezes, essas vendas dizem respeito a produtos
"pronto a usar".
Todos sabemos que essa possibilidade têm vantagens como, por exemplo, preços mais baixos, maior comodidade, maior rapidez, etc. Mas, também possui, como é óbvio, algumas desvantagens como, por exemplo, a dificuldade em avaliar a qualidade do produto (antes da compra), o potencial para a burla, etc.
A minha questão fulcral é:
Será benéfico, para os clientes, aplicar estes dois conceitos - "pronto a usar" e "venda-à-distância" ao design?
Esta questão surgiu-me depois de ter tido conhecimento que existem empresas, no mercado, que realizam projectos à distância, integralmente via Internet. Nomeadamente, projectos de ambientes interiores e de arquitectura. Segundo pude verificar, por cerca de 200,00€, qualquer pessoa pode comprar um projecto para remodelar a sua sala, quarto, cozinha, etc.
A dúvida é se, o que se compra/vende, por este processo, corresponde a um projecto de design?...
Esta dúvida nada tem que ver com a qualidade/habilitações dos especialistas envolvidos. Nem estou, tão pouco, a insinuar que tais empresas sejam desonestas. Não é por aí... A minha dúvida tem que ver com o facto de, como profissional, encontrar demasiados pontos fracos neste tipo de serviço:
# Preços irreais (demasiado baixos) para o trabalho especializado implicado;
# Inexistência de contacto directo com cliente/local da intervenção;
# Informações e detalhes trocados por escrito (eventuais conversas telefónicas);
# Soluções propostas em apenas 2 opções/alternativas, sem possibilidade de discussão;
etc...
Começando pelo preço...Como se consegue fazer um projecto, com qualidade, por um preço tão baixo?
Na minha opinião não se consegue, a não ser que se venda uma "espécie" de projecto, que seja uma solução tipo "pronto-a-vestir", disfarçada de projecto costumizado. Aí sim, talvez até se possa vender, esses pseudo-projectos, por menos dinheiro. Afinal de contas, estamos a falar de matrizes, à laia de receitas, que se podem aplicar em centenas de casos, fazendo mudanças mínimas. Um bom especialista, com bom domínio de ferramentas de modelação 3D, faz isso de olhos fechados, numa tarde. Para além do mais, estabelecendo contactos com revendedores de materiais de construção e mobiliário, haverá sempre umas comissões extra a facturar...
Quanto à inexistência de contactos pessoais, entre cliente-designer e troca de informação à distância...Como se consegue iniciar um projecto sem ter informação necessária/suficente?
Os detalhes, necessários ao projecto, são enviados pelos clientes (por e-mail). É certo que podem enviar plantas, com medidas, fotos, etc. Mas, que qualidade/rigor terá essa informação? Recordo que não são poucas as dificuldades que muitas pessoas têm em se expressar por escrito. Inclusivamente, muitas, nem falando conseguem ter um discurso organizado... Este procedimento é totalmente antagónico com as sugestões da ergonomia e do Design-Centrado-no-Utilizador.
Terminando com, apenas, 2 soluções alternativas...Como se consegue um ajuste, com relativa qualidade, entre as necessidades do cliente e as propostas, de uma forma tão eficaz?
Resposta é dada nas entrelinhas, pelos próprios prestadores de serviço:
"A Consultoria do ....... não visa a elaboração de quaisquer projectos ou estudos aprofundados. As respostas elaboradas pelos nossos arquitectos e colaboradores são de natureza estritamente informativa e nunca substituem a consulta directa a um arquitecto."... Mais palavras para quê?!?!...
Perante esta reflexão, ligeira (fica muito por dizer), gostava de saber o que vocês pensam sobre o conceito de design feito à distância. Para isso, peço que
respondam, sff, à nossa pequena sondagem (na barra lateral) e submetam os vossos comentários...
Mais tarde, na posse dos dados, voltaremos a este assunto.
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