25 de abril de 2006

A Arte, o Artista e a Sociedade

Cunhal, Álvaro (1997). A Arte, o Artista e a Sociedade. 2ª Edição. Editorial Caminho. ISBN: 9722110837.

"Constitui um direito à liberdade que um artista concentre exclusivamente o seu talento e a sua criatividade na busca de novos valores formais: o da cor, do volume, da musicalidade, da linguagem. Essa atitude tem conduzido a enriquecimentos e descobertas dando vida à obra por virtude dos novos valores formais conseguidos.
Constitui também um direito à liberdade que um artista parta à descoberta de novos valores formais (da cor, do volume, da musicalidade, da linguagem) com o propósito de os tornar adequados e capazes de levar à sociedade, ao ser humano em geral, uma mensagem de alegria ou tristeza, de solidariedade ou de protesto, de sofrimento ou de revolta, em qualquer caso, como é de desejar de optimismo e de confiança no ser humano e no seu futuro." (pp.20-21)


"Arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta e é sonho. É criação e recriação da beleza pelo ser humano e não apenas imitação da beleza que o ser humano considera descobrir na realidade que o cerca." (p.201)

Este livro constitui um ensaio sobre estética, onde o autor apresenta, em 14 capítulos, as suas reflexões sobre este tema. O livro é ilustrado por inúmeras reproduções de obras de arte (pintura, escultura, arquitectura, entre outras) que servem de base aos comentários e argumentos apresentados. O ensaio começa com a discussão do conceito do belo que, segundo o autor, não se pode fechar numa definição. O belo é universal, está nas coisas mas está, sobretudo, no homem e nos juízos que este faz.
O autor defende, acerrimamente, a necessidade de ser dada liberdade total à arte e à criatividade o que, surpreendentemente, o leva a criticar as políticas culturais dos países comunistas! Muito embora defenda a liberdade, o autor reconhece que o artista não pode escapar à influência da sociedade e termina a sua obra com um apelo, "um apelo à arte que intervém na vida social (...) um apelo à liberdade, à imaginação, à fantasia, à descoberta e ao sonho." (Álvaro Cunhal, 1996)

Um livro incontornável de uma personalidade marcante da vida portuguesa.
Viva a liberdade!!!

4 comentários:

laca disse...

Viva a liberdade!!!
Ainda não li este livro de Álvaro Cunhal. Mas, encontra-se na minha lista de espera... Acho que deve ser lido e, bem lido...

Viva a expressão!!!
Quero partilhar um outro autor:
Sousa, Ernesto de (s/d). SER MODERNO... EM PORTUGAL. Assírio & Alvim. ISBN: 972-37-0192-8.

boas leituras & um cravo

Atom Ant disse...

Não conheço...De que trata este livro de Ernesto Sousa? Do movimento moderno na arte portuguesa?

laca disse...

"Em finais de 1980 - posssivelmente depois da Bienal de Veneza - Ernesto de Sousa começou a estabelecer o projecto de reunir em volume um conjunto de artigos seus no domínio da intervenção estética, escritos e publicados em circunstâncias diversas, nomeadamente na antiga "Colóquio", na "Colóquio Artes", na "Opção" ou em catálogos de exposições...
(...) Esse esboço, que contém várias interrogações, hipóteses em aberto e simples anotações para uma eventual reformulação, não tem qualquer carácter definitivo. Pelo contrário, como era hábito de Ernesto de Sousa, é um projecto em aberto.(...)"
(Isabel Alves e José Miranda Justo, excerto retirado da Nota de Apresentação)

Atom Ant disse...

obrigada.