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4 de maio de 2011

Novas interfaces de vidro

A tecnologia está a mudar, e irá continuamente mudar as nossas vidas. Essas mudanças estão muito bem ilustradas neste vídeo que, embora seja promocional de uma marca, retrata as imensas potencialidades do vidro como interface de comunicação e informação.



Para além de muitas outras aplicações possíveis, aquela que me cativa mais não está focada neste vídeo, e diz respeito ao uso destes novos suportes para comunicação de avisos e informação de segurança. Esta é uma temática que estou a investigar e que creio ter imenso potencial e utilidade...

8 de julho de 2009

Forma/cor das embalagens e perigo percepcionado


Habitualmente encaramos as embalagens, do ponto de vista do seu design, como sendo, essencialmente, um problema de "branding". Mas, as embalagens envolvem muito mais questões do que as da marca, ou, da sua função primordial que é conter algo. Não irei falar, aqui, das questões da sustentabilidade, ou, das "affordances". Não porque não sejam essênciais, que o são, mas porque essa problemática sai fora do âmbito deste artigo.

Por vezes, os produtos embalados são perigosos para o consumidor. Nesses casos, a embalagem deve conter informação sobre o perigo, suas consequências e comportamentos correctos a adoptar para evitar a ocorrência do acidente, lesão ou problema de saúde. Habitualmente, tal resposabilidade recai sobre os rótulos. Aí, nesses pequenos e frágeis espaços, increvem-se textos, pictogramas e tudo mais, esperando que alguém os vá ler e entender. Dessa forma, os fabricantes passam a responsabilidade, de um eventual problema, para os consumidores. Mas, não é de rotulagem, ou de pictogramas, que quero falar. Quero falar da influência da forma e cor da embalagem sobre a percepção do risco e intenções comportamentais dos consumidores.

Poderemos dizer que a embalagem é a primeira interface do produto. É ela que comunica as primeiras informações sobre o produto. É com ela que o consumidor interage antes de manipular o produto. Mas, a questão é: Será que as variáveis do design de uma embalagem, por exemplo, a forma e a cor, podem comunicar ao consumidor o potencial de perigo do produto?



Evidentemente que a resposta a esta questão irá ser influenciada por inúmeras variáveis como, por exemplo, as experiências prévias de cada utilizador, o grau de familiaridade como o produto, o estado de sobrecarga mental/stress no momento do uso, etc. Mas, haverá uma forte hipótese de a embalagem (contentor) resistir a estas dificuldades com maior sucesso do que o rótulo. Isto é, em situações críticas, a probabilidade de o rótulo falhar na sua missão de manter o consumidor em segurança poderá ser maior do que a da embalagem. É claro que também não é desejável que a embalagem afugente os consumidores. Portanto, haverá que encontrar uma relação de equilibrio.

O papel da cor para aumentar a percepção do perigo é bem conhecido. Diversos estudos (ex. Chapanis, 1994, Braun e Silver, 1995) estabeleceram uma hierarquia de cores, na conotação do perigo: encarnado, laranja/amarelo, preto/verde/azul, branco. Contudo, não houve diferenças significativas entre laranja e amarelo, ou entre preto, verde e azul. Portanto, a primeira resposta à questão será sim, a cor pode comunicar ao consumidor determinado nível de perigo.

Quanto ao papel da forma, para aumentar a percepção do perigo, esse é muito menos conhecido e mais polémico. Alguns estudos sugerem que formas bidimensionais, como o triângulo ou o quadrado, indiciam maior perigo do que formas redondas (Riley, Cochran e Douglas, 1982). Contudo, outros trabalhos não conseguiram encontrar diferenças significativas entre formas (Dewar, 1994, Sojourney e Wogalter, 1997). Num estudo sobre a atracção exercida por certas formas nas crianças, também não foram encontradas diferenças (Schneider, 1977).

Sobre embalagens, especificamente, alguns estudos (ex. Serig, 2000, Wogalter, Laughery e Barfield, 1997) investigaram esta questão. E, como era previsível, verificou-se grande influência dos estereótipos das embalagens sobre as avaliações dos consumidores. Por exemplo, se eu associo uma embalagem paralelipipédica, de TetraPack, a sumos ou leite, então, essa forma não terá um valor elevado de percepção de perigo.

Os resultados apotam, ainda, para a existência de uma associação entre a forma da embalagem e o nível de perigo percepcionado. Bem como, de uma relação entre esse nível de perigo e a probabilidade de um comportamento cauteloso.
A forma da embalagem pode, inclusivamente, motivar os consumidores a ler os rótulos, ou manuais de instruções, na busca de informação complementar.


Assim, talvez esta seja uma vertente do design das embalagens que mereça mais investigação.

Referências:
Braun, C.C. & Silver, N. C. (1995). Interaction of signal word and colour on warning labels: Differences in perceived hazard and behavioral compliance. Ergonomics, 38(11), 2207-2220.

Chapanis, A, (1994). Hazards associated with three signal words and four colours on warning signs. Ergonomics, 37(2), 265-275.

Dewar, R. (1994). Design and evaluation of graphic symbols. Proceedings of Public Graphics. The Netherlands: University of Utrecht. (pp. 24.1-24.18)

Riley, M. W., Cochran, D.J. & Ballard, J.L. (1982). An inestigation of prefered shapes for warnings labels. Human Factors, 24, 737-742.

Schneider, K.C. (1977). Prevention of accidental poisoning through package and label design. Journal of Cnsumer Research, 4, 67-74.

Serig, Elizabeth, (2000). The influence of container shape and color cues on consumer product risk perception and precautionary intent. Proceedings of the IEA 2000/HFES 2000 Congress, 6.59-6.62

Sojourney, R.J. & Wogalter, M.S. (1997). The influence of pictorials on evaluation of prescription medication instructions. Drug Information Journal.

Wogalter, M.S., Laughery, K.R. & Barfield, D.A. (1997). Effect of container shape on hazard perceptions. Proceedings of HFES 41st Annual Meeting, 390-394

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1 de julho de 2009

Um clique que pode mudar o teu futuro...

No site "Ads of the world" foi divulgada uma campanha de prevenção rodoviária, promovida pelo governo australiano, que considero ser muito boa e muito criativa.

A idéia central da campanha consiste no uso de radiografias que mostram o cinto de segurança como se fosse parte integrante e vital do corpo humano (neste caso a coluna vertebral).





O slogan diz "One click could change your future. Belt up".
Dito de outra forma, não colocar o cinto pode valer uma lesão grave na medula espinal... Valerá a pena arriscar?!?!... Coloque o cinto!

Mais uma vez, tal como tem acontecido com as campanhas anti-tabágicas, que divulgámos aqui, a idéia é explicitar as consequências de um comportamento não consonante. Só que, ao invés de usar imagens reais chocantes, são usadas imagens manipuladas com bastante criatividade e algum humor. Resta é saber qual das estratégias é mais eficaz...???

Ficha técnica:
Advertising Agency: Marketforce, Perth, Australia
Executive Creative Director: Andrew Tinning
Art Directors: Steve Lorimer, Andrew Tinning
Copywriters: Steve Lorimer, Tom Wilson
Retoucher: Madeleine de Pierres
Account Service: Erin Baker, Carrick Robinson, Sharyn Boer
Account Coordinator: Lauren Humphries
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11 de junho de 2009

Impacto da imagens nos maços de tabaco


Depois de termos divulgado, a 28 de Maio de 2008, as imagens da nova campanha Brasileira para combate ao tabagismo interessa, agora, passado praticamente um ano, avaliar o seu sucesso.

Segundo notícia publicada na Folha Online, no dia 27 de Maio de 2009, as fotografias desestimularam cerca de 39% dos fumadores a pegar no cigarro.

"Um estudo do Inca (Instituto Nacional de Câncer) aponta que as imagens e as frases de alerta presentes nos maços de cigarro já fizeram com que 39,1% dos fumantes desistissem de pegar um cigarro, quando eles estavam prestes a fumar. O dado se refere aos 30 dias anteriores à realização da pesquisa.

De acordo com o estudo, 48,2% dos fumantes afirmam que as advertências nos maços fazem com que eles fiquem mais propensos a deixar o vício. O estudo também aponta que 61,6% dos fumantes dizem que as advertências os fazem pensar sobre os riscos da prática. Enquanto isso, 91,8% dos fumantes consultados afirmam que, se pudessem "voltar no tempo", não teriam começado a fumar."

Ler resto do artigo no Folha Online.

22 de agosto de 2008

Harmonização da classificação e rótulagem de substâncias químicas



United Nations Globally Harmonised System of Classification and Labelling of Chemicals (GHS)

Perante o problema da grande diversidade mundial de sistemas, critérios de identificação e classificação de substâncias químicas, suas propriedades, níveis de perigosidade e rotulagem, as Nações Unidas constituíram o GHS – Global Harmonized System of Classification and Labbeling of Chemicals. Este grupo resultou dos trabalhos da Cimeira da Terra, que ocorreu no Rio de Janeiro, Brasil, no ano de 1992.

O GHS, trabalhando sob o lema “One chemical, one label – worldwide”, tem por missão harmonizar, em todo o mundo:

# os critérios para classificação dos químicos, de acordo com a sua perigosidade para a saúde e integridade física das pessoas e impacto sobre o ambiente;

# os requisitos sobre a comunicação do perigo em rótulos e fichas de segurança.

O impacto do trabalho desenvolvido pelo GHS será, sobretudo, ao nível do desenvolvimento de novos critérios para classificar as propriedades dos químicos; harmonização de novos símbolos/pictogramas e dos textos para rótulos.


Nesta imagem podemos observar algumas das propostas, do GHS (coluna da direita), para os símbolos a aplicar nos rótulos das substâncias químicas.

Poderão descarregar mais símbolos/pictogramas do GHS aqui.

A redução da variedade, da disparidade de critérios e de soluções poderá ajudar a diminuir, ou eliminar, as dificuldades de compreensão e, por conseguinte, os acidentes, lesões, doenças e catástrofes ambientais relacionadas com substância químicas.

Ciente das grandes vantagens associadas à normalização, a Comissão Europeia prepara-se para implementar os critérios da UN GHS, em todo o espaço da União Europeia. Actualmente decorre a negociação entre os países membros de forma a entrar em vigor até ao final do ano corrente. O período de transição decorrerá até 2015.

Mais informação sobre GHS no site da Comissão Europeia - Enterprise & Industry.

A última versão do GHS, (2ª edição revista), de 2007, pode ser consultada aqui.
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21 de agosto de 2008

Sobre o AHFEI 2008 #4

Sessão_Medications, Public Health, and Warnings



#Prescription medication sharing and borrowing: Prevalence and proclivities
autores: R. Goldsworthy; C. Mayhorn & A. Meade, USA

Este estudo descreve a forma como ocorre a prescrição e o empréstimo de medicamentos, entre doentes, nos EUA. Para identificar a existência de subtipos de empréstimo foi usado um método estatístico específico, designado por Latent Class Analysis. Foram inquiridos 700 adultos e adolescentes americanos. Os resultados revelaram que um terço dos inquiridos já havia partilhado medicamentos anteriormente. Os participantes, contudo, declararam estar conscientes dos riscos inerentes a essa partilha mas, manifestaram a sua disposição/intenção de o continuar a fazer. Foram identificadas 4 classes de pessoas que partilham medicamentos: abstémios; pragmáticos-frequentes; em risco e de emergência. No estudo são discutidas as implicações, deste facto, para o design dos rótulos e avisos dos medicamentos.

#Iterative Teratogen Warning symbol design: results from the field
autores: C. Mayhorn & R. Goldsworthy, USA

Este artigo apresenta um trabalho cujo objectivo foi contribuir para o aperfeiçoamento do símbolo do teratogéneo, substância que causa malformações nos fetos humanos e que está presente na composição de diversos medicamentos. Estudos anteriores revelaram que este símbolo é, frequentemente, mal interpretado sendo a sua mensagem associada, de forma errónea, à ideia de que a gravidez é proibida, ao invés de, ser proibido tomar no caso de a mulher se encontrar já grávida. Foi usada uma amostra de 700 participantes, 100 para cada símbolo, para avaliar o símbolo actual e mais 6 símbolos alternativos. Os resultados revelaram que 5 símbolos alternativos obtiveram valores de interpretação correcta superiores ao símbolo actual, que ficou aquém do critério de aceitabilidade da ANSI (85%). As respostas obtidas foram analisadas, quanto ao seu conteúdo, no sentido de obter informação importante para a melhoria dos símbolos.

#Graphic and information aspects affecting the effectiveness of visual instructions in medicine inserts in Brazil
autores: C. Spinillo; S. Padovani & F. Miranda, Brasil

Este estudo apresenta uma análise realizada ao design das instruções gráficas (mensagens/instruções ilustradas de forma pictórica), existentes nas bulas de medicamentos, no Brasil. Foi estudado o design gráfico de um conjunto de bulas e avaliada a sua compreensão, por uma amostra de adultos com baixo índice de literacia. Os resultados revelaram a existência de um design gráfico pobre e com deficiências, neste tipo de material, o que resultará numa deficiente compreensão das mensagens e dificuldades na toma dos medicamentos. São dadas recomendações, princípios e sugestões para o design deste tipo de material.

#Do alcohol warnings labels influence men’s and women’s attempts to deter others from driving when intoxicated?
autores: T. Tam & T. Greenfield, USA

Este estudo examinou a influência dos avisos, obrigatórios nos rótulos das bebidas alcoólicas, sobre a probabilidade de outras pessoas, por exemplo, passageiros que viajam no mesmo carro, impedirem um condutor embriagado de dirigir. Os resultados do estudo apontam para uma influência positiva entre a presença do aviso e a intenção de terceiros impedirem condutores embriagados de dirigir, isto é, a existência de um mecanismo social de influência que é despoletado pelos avisos. Assim, os avisos cumprem com a sua função de lembrar, alertar para os perigos inerentes a esse comportamento perigoso.
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20 de agosto de 2008

Sobre o AHFEI 2008 #3

Sessão_Examining the behavior of special populations during the warning process



#Signal word, text color, and warning compliance of a consumer product: an eye tracking study

autores: N. C. Silver; B. Leany; G. Kambe; M. Lee-Baker & R. Lee, USA

Este estudo teve por objectivo determinar a existência de uma relação entre o tempo de fixação dos olhos e a consonância comportamental em avisos impressos. O movimento dos olhos foi usado como variável dependente para medir a saliência dos avisos. Nesse sentido, uma maior fixação, no produto, significa uma maior atenção. Uma amostra de alunos universitários, usando um aparelho de “eye-tracking,”leu um rótulo e interagiu com um produto fictício. Não foram encontradas correlações significativas entre os tempos de fixação e a consonância com os avisos, assim como na realização das tarefas. Para além disso, os tempos de fixação e os movimentos oculares não contribuíram, de forma significativa, para uma equação que permitisse antecipar qual seria o comportamento dos utilizadores.

#Cultural ergonomics and the pesticide risk divide
autores: T. Smith-Jackson, M. Wogalter & Y. Quintela, USA

A segurança no uso e manuseamento de pesticidas é uma questão importante para a saúde dos trabalhadores agrícolas. Neste estudo foram exploradas as disparidades verificadas entre lesões e fatalidades ocorridas com trabalhadores de minorias e os restantes. A metodologia usada assentou na aplicação diversos questionários. Os resultados revelaram a existência de diferenças significativas entre diferentes grupos étnicos de trabalhadores. São apontadas diferenças culturais interessantes na forma como o risco é percepcionado. Imigrantes, da América Latina, revelaram possuir um menor controlo percepcionado do seu ambiente de trabalho e uma maior percepção do risco comparativamente com trabalhadores provenientes da Europa.

#A cross-cultural (China vs US) comparison of product perceptions: implications for warning processing
autores: M. Lesch, USA; P.-L.P. Rau & Z. Zhao, China

Este estudo comparou a forma como utilizadores chineses e norte-americanos percepcionam os avisos aplicados em produtos. O objectivo foi determinar a existência de diferenças, entre grupos, na classificação do nível de perigo, na probabilidade de ocorrência de lesões, na gravidade das lesões potenciais, no cuidado/prevenção, na probabilidade de ler os avisos, no grau de familiaridade e de controlo. Os resultados revelaram que o grupo dos chineses obteve resultados mais baixos, em todas as dimensões identificadas, excepto na probabilidade de ler os avisos.

#Potential uses of virtual reality to evaluate behavioral compliance with warnings
autores: M.E.C. Duarte & F. Rebelo, Portugal

Este trabalho consistiu na apresentação de uma aplicação computorizada, usando a Realidade Virtual (RV), desenvolvida com o objectivo avaliar a consonância comportamental de utilizadores, imersos num ambiente virtual, interagindo com avisos de segurança. O sistema foi descrito em termos de equipamento/periféricos (HMD, gloves, 3D mouse, motion trackers, etc.), de software, de ambiente virtual e de variáveis monitorizadas. Foram discutidas as potencialidades da RV em garantir a aplicação dos métodos clássicos, usados habitualmente para avaliar a eficácia dos avisos. O ambiente simulado é imersivo, interactivo, dinâmico e contêm diversos avisos que transmitem informação de segurança essencial para os participantes e para a execução de tarefas predeterminadas. Com recurso à RV, o projecto espera ultrapassar algumas dificuldades metodológicas, inerentes à avaliação do comportamento humano com avisos de segurança, como a impossibilidade de expor os participantes a situações onde a sua integridade e segurança estejam em risco.
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14 de agosto de 2008

Sobre o AHFEI 2008 # 2

Sessão_Vehicular and Public Warnings



#All-terrain vehicle warning labels: The dissonance between “effective” warnings and user behavior
autor: R. G. Mortimer, USA

Nos EUA, os veículos todo-o-terreno (ex. motos 4x4), com mais do que 90cc, são obrigados (desde 1989) a ter um aviso que indica que não podem ser operados por menores de 16 anos. Esse aviso foi avaliado, em estudos anteriores e concluiu-se que é saliente, compreendido e recordado pelos utilizadores. Este estudo teve por objectivo determinar o impacto que, tal aviso, teve na redução dos acidentes com crianças e confirmar, dessa forma, a sua eficácia. Para isso foram analisados dados estatísticos, sobre ocorrências de acidentes, de anos anteriores ao uso obrigatório deste aviso. Os resultados revelaram que os avisos não foram eficazes (resultados: acidentes, com menores de 16 anos, entre 1990-94 = 31%; entre 1995-1999 = 30% e entre 2000-2004 = 25%). Os autores concluem que, mesmo avisos com bons resultados, quando avaliados por testes convencionais, podem não conseguir ter o impacto desejado sobre o comportamento dos utilizadores.

#Evaluation and design of tram crossings/stops in town environment to decrease the risk for pedestrian accidents
autores: A. L. Osvalder & S. Dahlman, Suécia

O objectivo deste estudo é propor novas soluções, para aumentar a segurança das passagens de peões que atravessam os carris/linhas de carros eléctricos nas cidades. É dado ênfase aos utilizadores idosos. São apresentados dados de uma observação, anterior à intervenção, feita sobre o comportamento dos peões em Gothenburgo, Suécia. Dados obtidos, por uma observação posterior à intervenção, comprovaram que houve uma melhoria, no comportamento dos pedestres, em resultado das modificações efectuadas, algumas envolvendo sinais.

#Indirectly conveyed warnings: A behavioral compliance evaluation
autores: M. S. Wogalter & E. Feng, USA

Nem toda a informação de segurança é transmitida, aos utilizadores, de forma directa (ex. nos rótulos, manuais, etc.) Alguma informação poderá ser transmitida indirectamente (ex. através de um colega, etc.). Esta última forma de comunicação poderá ser muito mais abrangente, do que a anterior, porque poderá ser transmitida oralmente. Este estudo avaliou o potencial da comunicação indirecta de avisos, numa tarefa de instalação de memória num computador, onde havia risco de ocorrerem danos no material. Foram comparadas 3 condições: aviso directo; aviso indirecto, sem aviso. A consonância comportamental foi avaliada. Os resultados revelaram ter havido benefícios associados aos avisos indirectos tendo, estes últimos, obtido valores de consonância quase idênticos aos da comunicação directa.

#Evaluation of driving behavior when entering a non-signalized intersection based on drive model including inner factors
autores: M. Takemoto; H. Kosaka; H. Nishitani; M. Uechi & K. Sasaki, Japão

Este estudo apresenta um modelo (inner factor model), que simula o comportamento de condução de veículos e que permite estudar o potencial de risco de colisão, em diferentes situações perigosas. Foram considerados dados de colisões ocorridas em cruzamentos. O modelo expressa diferentes séries de velocidades do carro e movimentos dos olhos do condutor. É discutida a possibilidade de o modelo ser aplicado no ensino da condução.

#Ergonomic modeling and simulation for EVA planning
autores: S. Chen & H. Li, China

Este trabalho discute as potencialidades da modelação e simulação ergonómica no planeamento de Extravehicular Activity (EVA). EVA designa as missões efectuadas pelos astronautas no espaço, fora da nave. São apresentados resultados de uma análise ergonómica, em 3 níveis, efectuada à EVA. Técnicas modernas de simulação, recorrendo também à realidade virtual, permitem avaliar riscos e treinar os utilizadores, de uma forma que não seria possível com métodos tradicionais.
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13 de agosto de 2008

Sobre o AHFEI 2008 # 1

Tal como havia prometido vou iniciar uma série de “post” dedicados ao Congresso AHFEI 2008. O objectivo é divulgar e comentar alguns dos trabalhos que tive oportunidade de assistir.
Como é habitual, nestes eventos, decorreram diversas sessões em paralelo o que obrigou os participantes a uma apertada selecção. Por essa razão só assisti às sessões dedicadas ao tema em que estou a trabalhar – “Warnings”.

Sessão_Forensic Symposium: Case Studies in Forensic Human Factors and Ergonomics



# When is a warnings case not a warnings case?
autores: I. Zackowitz & A. Vredenburg, USA

Este artigo descreve 2 casos judiciais, envolvendo incêndios, sem feridos, onde os queixosos alegaram que os sinistros se deveram a falhas, por parte dos fabricantes do equipamento, ao nível dos avisos de segurança. Consultores em ergonomia, especialistas nesta área, foram requisitados para avaliar se, efectivamente, os sinistros se deveram a uma deficiente comunicação do perigo.
Um caso relatava uma situação de um incêndio, originado numa máquina de secar, de um campus universitário, que acabou por se propagar até ao restaurante e, um outro, um incêndio resultante do aquecimento de canos gelados num maçarico.
Os especialistas concluíram que os avisos, embora importantes para a segurança pública, nem sempre são relevantes para o comportamento e que, nos casos relatados, os avisos não foram o factor causal associado aos incidentes.

# Case study: Death by roller coaster
autor: K. Nemire, USA

Este artigo relata a análise de um acidente mortal numa montanha-russa. Durante a viagem, na montanha-russa, o chapéu da esposa do acidentado caiu. No final do percurso, o indivíduo foi tentar recuperar o chapéu tendo, para isso, caminhado livremente por entre e debaixo da estrutura. Nessa altura foi atingido, na cabeça, por um pé de outro utilizador do equipamento em viagem. Este último sofreu graves lesões na perna e pé.
Uma análise ergonómica ao sucedido revelou que o comportamento da vitima mortal não foi negligente e/ou irresponsável, como inicialmente se pensou e que o perigo não era óbvio. A análise revelou, ainda, que o parque de diversões apresentava diversas falhas de segurança. Os avisos de segurança afixados, no equipamento, não se revelaram suficientes/adequados para evitar o comportamento que levou ao acidente.

# Who turned off the lights?
autores: A. Vredenburg & I. Zackowitz, USA

Este artigo descreve um caso jurídico que envolveu aspectos do design ambiental, em residências para idosos. O acidente em questão está relacionado com o temporizador que desliga, automaticamente, as luzes das instalações sanitárias, ao fim de um determinado tempo sem detectar movimento. Às escuras, dentro da casa de banho, uma idosa tropeçou e fracturou a anca. O estudo conclui que, no projecto do espaço, não foi adoptada uma postura de design inclusivo e que as características do utilizadores (idosos e pessoas com limitações sensoriais/motoras) não foram respeitadas.

# Rear-end crashes into farm equipment
autor: R. Mortimer, USA

As estatísticas revelam a gravidade dos acidentes onde há colisões na traseira de outros veículos. Este artigo discute alguns dos factores perceptivos envolvidos neste tipo de acidentes e relata um caso onde uma carrinha colidiu, durante a noite, com um arado atrelado a um veículo agrícola. As conclusões apontam para causas como a diferença de velocidade entre veículos, a sujidade acumulada nas luzes de aviso e reflectores do tractor e o encandeamento provocado pelas luzes de veículos a circular na direcção contrária.

# Human factors/ergonomics (HFE) issues re: an automated marine navigation system: A case of an auto-pilot defect, and/or one of human pilot error?
autores: D. Lenorovitz & E. Karnes, USA

Este artigo relata um caso em que um barco colidiu com uma plataforma extracção de petróleo em alto mar, provocando elevados danos materiais e alguns feridos. Os queixosos argumentam que o acidente se deveu a um problema de funcionamento do sistema de navegação marítimo (o piloto automático), que têm um componente magnético que foi afectado pela influência da proximidade de estruturas de metal. Os envolvidos reclamam que este perigo não é óbvio e que não foram devidamente alertados para esta possibilidade.
Os especialistas, chamados a investigar o caso, concluíram que o acidente se deveu a comportamento negligente do piloto e não a falha no sistema de navegação. A informação de segurança encontrada, embora não seja um exemplo a seguir, não pode ser responsabilizada.


> Nos EUA é frequente e fácil a instauração de processos/queixas, nos tribunais, em torno de acidentes (e muitas outras situações). Isso faz com que os fabricantes se preocupem com a qualidade das informações de segurança, que colocam ao dispor dos utilizadores, e, os especialistas tenham “casos” para trabalhar (e ganhar algum dinheiro). Como consequência, aumentam as hipóteses de trabalho para quem está envolvido na concepção/investigação deste tipo de informações, nomeadamente, os designers gráficos e de comunicação. Mas, como tão bem sabemos, em Portugal, onde o sistema judicial está a cair de maduro, nada disto parece acontecer... Muito raramente acontece um ergonomista, ou, um designer serem chamados a depor em tribunal para avaliar a qualidade de um produto…ou falta dela ;-)
É pena pois, alguns casos, quase podem ser considerados crime!...

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8 de agosto de 2008

Signs from USA #10


Sinais indicando os locais onde se pode apanhar o famoso funicular de São Francisco. São, aliás, muito parecidos com os nossos eléctricos, de Lisboa... as encostas da cidade é que são mais íngremes.
Este é o último sinal desta série.

7 de agosto de 2008

Signs from USA #9


No Pier 39, pontão turístico de São Francisco...

6 de agosto de 2008

Signs from USA #8


No chão, junto às passadeiras de peões, também há sinais de aviso bem expressivos...

5 de agosto de 2008

Signs from USA #7


Em alguns bairros, mais perigosos, de São Francisco também há sinais de vigilância contra criminosos e amigos do alheio.

4 de agosto de 2008

Signs from USA #6


Esta placa foi fotografada numa praia, junto da baía de São Francisco, com a ilha/prisão de Alcatraz ao fundo.