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8 de outubro de 2009

Stresse... anjo ou demónio?


As férias e a calmaria estão, definitivamente, arrumadas. As aulas começaram e o doutoramento aproxima-se, a passos largos, do fim... Por isso, antevejo que os próximos tempos vão ser de muito, muito stresse.

Comentários como este são muito frequentes. Tão frequentes que já nem lhes damos o valor que merecem. Se repararem, na maioria dos casos relatados existe uma forte relação entre o stresse e o trabalho. Por outro lado, o stresse é, comummente, acusado de ser a origem dos nossos males de saúde. Isto significa a atribuição, ao stresse, de uma conotação negativa, que não possuía inicialmente quando foi adoptado por Selye, em 1936.

Será o stresse um anjo, ou um demónio, inevitável nos estilos de vida actuais?

> origem do termo:
Em inglês, "stress" pode ter derivado do termo "distress", ou ter as suas raízes no francês antigo "estresse" (estreitamento, aperto). A origem do termo stresse é atribuída a 2 palavras do latim - "stringere" (esticar, deformar) e "strictus" (esticado, tenso, apertado).

Em português foi, inicialmente, sugerida a tradução por estricção que deriva do termo do latim "strictus". Contudo, o aportuguesamento do termo parece ter ganho campo e é, actualmente, usada a palavra stresse, com a a letra E no fim (em Português de Portugal).

> significado do termo:
O termo "stress", em inglês, foi adquirindo diversos significados ao longo dos tempos: força ou pressão exercida sobre um objecto; pressão exercida sobre alguém com o fim de extorquir algo; exercício extenuante ou grande esforço; sofrimento, adversidade, grande esforço; insistência ou grande ênfase; solicitação excessiva de um órgão do corpo ou da mente; entre outras.

No dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, a definição é: "1 - Termo médico - Conjunto de perturbações psíquicas e fisiológicas provocadas por factores agressivos externos e por emoções, que exigem uma adaptação do organismo; 2- Pressão exercida nas pessoas por esses factores ".

> o conceito de stresse por Selye:
Em 1936, Selye, médico e investigador austríaco, que trabalhava em Montreal, Canadá, aplicou o termo stresse, como termo médico, para caracterizar um agente/estímulo, nocivo ou benéfico, capaz de desencadear, no organismo, mecanismos neuroendócrinos de adaptação. Este conceito foi, mais tarde, totalmente esclarecido no seu livro "Physiology and Pathology of Exposure to Stress", em 1950.

Na proposta de Selye o stresse é considerado como um mecanismo de adaptação do organismo, permitindo-lhe enfrentar as agressões do meio ambiente. Essa adaptação permite o aumento da vigilância, da agressividade, da concentração, da atenção e/ou do inibir de certas funções, tudo para enfrentar os agentes stressores. Porém, estes mesmos mecanismos, podem provocar distúrbios. Os mais comuns são a ansiedade, insónia, perda de apetite, baixa da libido, aumento da pressão arterial, entre outros. Esta vertente, negativa, do stresse é, actualmente, aquele a que as pessoas se referem quando usam este termo.

Não devemos, contudo, esquecer os efeitos positivos do stresse. Pois, graças a eles, podemos mobilizar todos os nossos recursos, físicos e mentais. Aliás, muitos designers (e não só...) parecem procurar, deliberadamente, o stresse como motor criativo!...

> stresse no trabalho:
O stresse relacionado com o trabalho, também designado por stresse profissional/ocupacional, é definido pelo NIOSH como: “... harmful physical and emotional responses that occur when the requirements of the job do not match the capabilities, resources, or needs of the worker…” (NIOSH, 2006).

Podemos, assim, dizer que o stresse surge no trabalho quando se verifica um desequilibro, ou desajuste, entre as exigências do trabalho e as capacidades/recursos/necessidades dos trabalhadores. Neste âmbito é importante compreender as seguintes definições:

# "work strain" (inglês) | "astreinte de travail" (francês): resposta interna do trabalhador ao ser exposto a stresse no trabalho, dependendo das suas características individuais (ex. estatura, idade, capacidades, competências, etc.);

# "work stress" (inglês) | "contrainte de travail" (francês): carga externa, resultante da soma das condições externas e exigências do sistema que actuam para perturbar o estado fisiológico ou psicológico do indivíduo.

Por vezes, o stresse é confundido com "burn-out", que é uma consequência específica do stresse no trabalho. Isto é, um estado caracterizado por um esgotamento emocional, uma desumanização/esvaziamento da relação, com fortes sentimentos negativos; uma baixa auto-estima e uma baixa avaliação do desempenho no trabalho, percebidos como fracasso, provocando uma ruptura entre o individuo e o seu trabalho.

Para saber mais sobre este assunto ler Stress relacionado com trabalho (pdf), de Sacadura-Leite & Uva. Soc. Portuguesa de Medicina do Trabalho
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15 de maio de 2009

Empurrar | Puxa | Transportar

A força excessiva, exercida durante as tarefas de empurrar, puxar e manipular/transportar cargas, pode resultar em lesões.



Para ajudar a determinar as forças máximas, sugeridas para cada tarefa, podem usar o calculador on-line - "Push / Pull / Carry Calculator", disponibilizado pelo WorkSafeBC Ergonomics.

O calculador usa os dados disponíveis nas tabelas Snook:
Snook, S. H. and V. M. Ciriello. 1991. The design of manual handling tasks: Revised tables of maximum acceptable weights and forces. Ergonomics 34 (9): 1197-1213.
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19 de novembro de 2008

Símbolos para rótulagem de químicos perigosos #1

A perigosidade de algumas substâncias químicas, com as quais convivemos no nosso dia a dia, está identificada em pequenos símbolos, aplicados nos rótulos das embalagens. Estes símbolos têm o formato quadrado, são impressos a cor-de-laranja e contêm pictogramas impressos a preto.

O seu objectivo é alertar para o risco associado ao manuseamento da dita substância. Para que a mensagem seja eficaz, os pictogramas ilustram as consequências associadas a um uso indevido das mesmas.

Os produtos químicos perigosos são classificados com base nas suas propriedades físico-químicas (explosivos, comburentes, inflamáveis, facilmente inflamáveis e extremamente inflamáveis); propriedades toxicológicas (tóxicos, muito tóxicos, nocivos, corrosivos, irritantes, sensibilizantes e aqueles que provocam efeitos graves na saúde em caso de exposição prolongada); efeitos específicos na saúde humana (carcinogénicos, mutagénicos e com efeitos tóxicos na reprodução); efeitos no ambiente (perigosos para o ambiente aquático e perigosos para o ambiente não aquático).

Os símbolos, a aplicar nos rótulos, são os seguintes:


C - Corrosivo
Produtos químicos que causam a destruição dos tecidos vivos e/ou materiais inertes.
Não devem ser inalados e deve ser evitado o contacto com a pele, olhos, roupas e outros materiais.
Exemplos: ácido clorídrico e fluorídrico.


E - Explosivo ou instável
Substâncias que podem explodir sob o efeito de uma chama ou que são sensíveis a choques/fricções.
Deve ser evitada a exposição ao calor, faíscas, quedas, embates, etc.
Exemplos: nitroglicerina


O - Comburente ou oxidante
Substâncias que se podem inflamar, ou facilitar a combustão, dificultando, ou, impedindo o combate ao fogo.
Deve ser evitado o contacto entre estas substâncias e materiais combustíveis.
Exemplos: oxigénio, nitrato de potássio, peróxido de hidrogénio.


F - Facilmente inflamável | F+ - Extremamente inflamável
Substâncias que podem inflamar-se facilmente.
Deve evitar-se o contacto com materiais e fontes de ignição.
Exemplos: benzeno, etanol, acetona, hidrogénio.


T - Tóxico | T+ - Muito tóxico
Substâncias que por inalação, ingestão, penetração cutânea, podem implicar riscos graves, agudos, crónicos ou mesmo fatais.
Deve ser evitado o contacto com o corpo humano.
Exemplos: cloreto de bário, metanol, monóxido de carbono,


Xi - Irritante | Xn - nocivo

Xi - Substâncias não corrosivas que por contacto (imediato, prolongado ou repetido) com a pele, ou mucosas, pode provocar uma reacção inflamatória.
Deve ser evitado inalar os gases e o contacto com a pele, olhos e outras mucosas.
Exemplos: cloreto de cálcio, carbonato de sódio.

Xn - Substâncias que por inalação, ingestão, ou penetração cutânea, podem implicar riscos de média gravidade.
Deve ser evitado o contacto com o corpo e/ou a inalação dessa substância.
Exemplos: cloreto de potássio.


N - Perigoso para o ambiente
Substância que, uma vez liberta no ambiente, pode provocar danos no ecossistema a curto ou longo-prazo.
Não deve ser vazado/depositado nos solos, nos canos, ou na água. A recolha e tratamento dos resíduos e embalagens requer um cuidado especial.
Exemplos: benzol, cianureto de potássio.

Com certeza que muitos, se não a totalidade, destes símbolos vos são familiares. Porém, reconhecer os símbolos não é equivalente a conhecer o seu significado. Na verdade, estudos anteriores revelaram que, apesar de reconhecerem os símbolos, muitas pessoas não sabem o qual o seu significado correcto. Isso poderá, por si só, não ser mau se o símbolo funcionar como alerta e o comportamento adoptado mantiver a pessoa fora de risco. Porém, o desconhecimento do tipo de perigo potencial poderá impossibilitar a adopção do comportamento correcto, desejado...

Referências:
ISO 3864-2:2004 - Graphical symbols - Safety colours and safety signs - Part 2: Design principles for product safety labels
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29 de agosto de 2008

Wiseup2work office


O WU2W é um recurso "on-line", da responsabilidade do Institution of Occupational Safety and Health (IOSH), criado com o objectivo de ajudar os adolescentes a prepararem-se para o seu primeiro emprego e para os perigos que poderão ter de enfrentar. Têm, por isso, como destinatários principais os adolescentes, professores, formadores, jovens trabalhadores e empregadores em geral.

A página inicial do WU2W é um cenário de escritório, com objectos interactivos que, ao serem “clicados”, nos levam para diferentes áreas e situações de trabalho. De seguida, entramos num jogo que nos vai disponibilizando diversas informações úteis (dados estatísticos sobre acidentes, tipos de perigos e riscos, informação teórico-científica, etc.).

Divirtam-se aprendendo…
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22 de agosto de 2008

Harmonização da classificação e rótulagem de substâncias químicas



United Nations Globally Harmonised System of Classification and Labelling of Chemicals (GHS)

Perante o problema da grande diversidade mundial de sistemas, critérios de identificação e classificação de substâncias químicas, suas propriedades, níveis de perigosidade e rotulagem, as Nações Unidas constituíram o GHS – Global Harmonized System of Classification and Labbeling of Chemicals. Este grupo resultou dos trabalhos da Cimeira da Terra, que ocorreu no Rio de Janeiro, Brasil, no ano de 1992.

O GHS, trabalhando sob o lema “One chemical, one label – worldwide”, tem por missão harmonizar, em todo o mundo:

# os critérios para classificação dos químicos, de acordo com a sua perigosidade para a saúde e integridade física das pessoas e impacto sobre o ambiente;

# os requisitos sobre a comunicação do perigo em rótulos e fichas de segurança.

O impacto do trabalho desenvolvido pelo GHS será, sobretudo, ao nível do desenvolvimento de novos critérios para classificar as propriedades dos químicos; harmonização de novos símbolos/pictogramas e dos textos para rótulos.


Nesta imagem podemos observar algumas das propostas, do GHS (coluna da direita), para os símbolos a aplicar nos rótulos das substâncias químicas.

Poderão descarregar mais símbolos/pictogramas do GHS aqui.

A redução da variedade, da disparidade de critérios e de soluções poderá ajudar a diminuir, ou eliminar, as dificuldades de compreensão e, por conseguinte, os acidentes, lesões, doenças e catástrofes ambientais relacionadas com substância químicas.

Ciente das grandes vantagens associadas à normalização, a Comissão Europeia prepara-se para implementar os critérios da UN GHS, em todo o espaço da União Europeia. Actualmente decorre a negociação entre os países membros de forma a entrar em vigor até ao final do ano corrente. O período de transição decorrerá até 2015.

Mais informação sobre GHS no site da Comissão Europeia - Enterprise & Industry.

A última versão do GHS, (2ª edição revista), de 2007, pode ser consultada aqui.
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17 de junho de 2008

ATENÇÃO!... bactérias...



Segundo o estudo “Germs in the Workplace”, conduzido pelo professor Gerba,
da Universidade do Arizona, as superfícies dos “escritórios” domésticos estão cobertas com milhões de bactérias potencialmente causadoras de doenças. Os investigadores têm, ao longo dos últimos anos, comparado os níveis destes microorganismos nas superfícies dos escritórios “tradicionais” (entenda-se os postos de trabalhos nos edifícios das instituições empregadoras) com os dos escritórios domésticos (entenda-se, na maioria dos casos, qualquer superfície usada para trabalhar com o computador em casa).



Os resultados são assustadores!
As superfícies domésticas apresentam até 4 vezes mais bactérias do que as outras. Parece que é possível encontrar, nos equipamentos do escritório de casa, mais micróbios do que nos assentos das próprias sanitas!!! A quantidade de germes presente em cada posto de trabalho é, em média, 400 vezes superior à que alguém encontra quando se senta numa sanita...


Uma das explicações apontadas é que as pessoas pensam que as superfícies domésticas estão, normalmente, limpas e que os germes são só os seus e, por isso, será uma situação inofensiva :P

A única maneira de combater a proliferação destes germes é apostar na desinfecção regular dos equipamentos (como é óbvio, não quero fazer publicidade gratuita a marcas de produtos anti-bacterianos ou germicidas). Mas, não posso deixar de fazer a pergunta:

Já desinfectaram os vosso equipamento hoje???
Não se esqueçam, lavar as mãos com frequência também ajuda a reduzir a contaminação.

Ler mais em Germstop

Ler artigo do investigador Charles Gerba – “Is Your Office Making You Sick?”

Germ Survey – Summary of Findings
(pdf)

25 de janeiro de 2008

Enciclopédia da OIT



No site do Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais de Espanha podem encontrar a Enciclopedia da OIT (em espanhol). A versão em inglês e francês pode ser lida, gratuitamente, mediante subscrição na base de dados do CIS.
São diversos volumes, cheios de informação útil, em formato PDF, gratuitos e prontos a descarregar.
Há capítulos sobre Ergonomia.

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13 de novembro de 2007

SHO 2008



O SHO 2008, Colóquio Internacional de Segurança e Higiene Ocupacionais, decorrerá nos dias 7 e 8 de Fevereiro na Escola de Engenharia da Universidade do Minho, em Guimarães.

O programa está organizado em diversas sessões temáticas: Ambiente físico e ergonomia; Gestão da prevenção; Segurança de transportes; Educação e Formação em Segurança e Higiene do Trabalho; Prevenção e protecção contra incêndio.


Os interessados em apresentar comunicações deverão enviar um resumo (em Português ou Inglês), com o máximo de 200 palavras, até ao próximo dia 4 de Janeiro de 2008 para o e-mail: sho2008@gmail.com.


Poderão consultar o programa actualizado, fazer a inscrição on-line e obter mais informações em: http://sho2008.no.sapo.pt