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28 de novembro de 2008

Nem todos vêem um mundo igual


No site da IDEA.org podemos recorrer a um simulador - "Color vision tool" - para ver o mundo, tal como é visto por pessoas com daltonismo ou cataratas.

Uma experiência imperdível para designers e não só!...
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26 de novembro de 2008

Sabiam que... # há um fato que vos torna velhos?

# sabiam que há um fato que vos pode tornar velhos num ápice?

Não, não é um fato mágico nem de ficção científica e os efeitos são totalmente revertíveis!

Estamos a falar de um equipamento usado em pesquisas relacionadas, sobretudo, com a ergonomia/design de produtos destinados a utilizadores idosos.


O "aging suit" (fato da terceira idade) é um fato que faz sentir, quem o veste, como se fosse uma pessoa idosa. Há um ditado que diz, "não é o hábito que faz o monge" que, neste caso não se aplica. O fato inclui, entre diversos componentes possíveis, sapatos especiais que desequilibram os utilizadores, óculos que distorcem as cores e replicam os efeitos de cataratas e outras deficiências visuais, luvas que reduzem o tacto e limitam a mobilidade dos dedos e limitadores do movimento (joelhos, cotovelos, pescoço, etc.), entre outros.

Para que serve esse fato?


Em alguns casos pode não ser benéfico, aconselhável, ou possível ter potenciais utilizadores idosos a participar nos projectos de investigação, ou, de desenvolvimento de produtos. Os motivos podem ser diversos e estão relacionados, sobretudo, com a segurança, bem-estar e questões éticas. A alternativa poderá ser, nestes casos, transformar os designers, ergonomistas, engenheiros, ou, outros técnicos em idosos. Dessa forma, todos os envolvidos na concepção podem experimentar o uso dos seus produtos, tal como será feito pelos idosos. O objectivo será facilitar a usabilidade e acessibilidade dos mesmos.

O fato tem sido usado em diversos produtos e para os mais diversos fins.
Aqui ficam alguns "links" para saber um pouco mais sobre este equipamento.

‘Aging suit’ helps develop cars for older drivers.
Ford Drives a Mile In an Older Person's Suit
Instant Aging with a Wearable Time Machine
"Mobilistrictor"
The suit that makes you feel old
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31 de outubro de 2008

National Disability Authority


No site do "National Disability Authority" podemos encontrar diversos recursos, publicações, informação e muito mais sobre deficiência e acessibilidade.
Um link para guardar e consultar...
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27 de outubro de 2008

Novo site sobre acessibilidade / design inclusivo | CML


O Núcleo de Acessibilidade do Departamento de Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa desenvolveu um novo site sobre acessibilidade / design inclusivo, com informações úteis, bibliografia e links de interesse para a área.
Link: http://acessibilidade.cm-lisboa.pt/

10 de julho de 2008

Magic Work de Luís Figueiredo

Luís Figueiredo é um professor/investigador que tem vindo a desenvolver inúmeros projectos destinados a diminuir a info-exclusão dos deficientes.
São já diversos os produtos comercializados, a saber: Magic Key, Magic Key Eye Control, Magic Key Joystic e Magic Vision.


> O Magic Key
É uma aplicação informática, desenvolvida a pensar nas pessoas com dificuldades físicas ao nível dos membros superiores, permitindo-lhes utilizar todas as aplicações de um vulgar computador.

Uma vulgar WEB CAM, ligada ao computador, adquire as imagens da face do utilizador transmitindo-as à aplicação desenvolvida. Esta aplicação determina o local do monitor para onde o utilizador está virado e posiciona nesse local o cursor do rato. Quando o utilizador fechar o olho a aplicação interpretará essa acção como significando o premir do botão do rato.

Destina-se a pessoas tetraplégicas que estão impossibilitadas de usar os membros superiores ou mesmo crianças e jovens com paralisia cerebral, que tenham algum controlo dos movimentos com a cabeça.



> A Magic Key Eye Control
É uma aplicação informática que permite que pessoas possam controlar o rato do computador apenas com os olhos, não exigindo que a cabeça esteja imóvel.

A Magic Eye utiliza uma câmara de alta definição para adquirir as imagens dos olhos do utilizador a um frequência de 45 imagens por segundo. Através dessas imagens, com o programa desenvolvido de Processamento Digital da Imagem, é determinado o local do monitor para onde a pessoa está a olhar, o que permite controlar o movimento do cursor do rato.

Destina-se a pessoas paralisadas que tenham a capacidade de mexer os olhos.



> O Magic Key Joystick
É uma aplicação informática que permite transformar um vulgar Joystick num dispositivo de controlo do rato.

A aplicação permite adaptar às necessidades de cada utilizador o seu modo de funcionamento. Pode-se controlar a velocidade máxima do cursor, a sua aceleração, bem como as funções dos diferentes botões. É possível, por exemplo, configurar um botão para o duplo click, o que significa que bastará ao utilizador premir o botão uma vez que de imediato será efectuada a acção correspondente ao duplo click. Pode-se também programar um botão para a acção de seleccionar bastando ao utilizador premir uma vez esse botão para entrar no modo de selecção e sssim permanecer até ao próximo toque.

Destina-se a todas as pessoas que tenham problemas ao nível dos membros superiores e não consigam, ou tenham muitas dificuldades, na utilização do teclado e do rato convencional do computador.



> O Magic Vision
É um ampliador digital com possibilidade de alteração em tempo real de cores, contraste, zoom e gravação de imagens para posterior visualização.

Destina-se a crianças em idade escolar com dificuldades de visão do quadro de uma sala de aula ou dos livros e cadernos e a pessoas adultas com dificuldades de visão.


Apesar do interesse social deste projecto parece que não tem sido nada fácil angariar apoios… Por vezes, é preciso um pouco de magia para se conseguir fazer alguma coisa neste país...

3 de julho de 2008

Petição sobre acessibilidade chega à AR



A Petição pela Acessibilidade Electrónica Portuguesa, divulgada neste blog anteriormente, será debatida, no plenário da Assembleia da República, no próximo dia 9 de Julho, pelas 15h00.

Todos os interessados poderão assistir à sessão, in loco, ou, pela TV, no canal Parlamento.

A organização do "Ler para Ver" solicita que, todos os que desejem se deslocar à AR, lhes comuniquem a sua intenção (para que possam ter uma noção da quantidade de pessoas que irão comparecer).

Como é óbvio, a presença maciça de cidadãos no Parlamento será um forte indicador, para os deputados da nação, da importância que este assunto tem para a melhoria da qualidade de vida de todos.

Contactos:
Mariana.a.rocha@gmail.com
danielserra@lerparaver.com

3 de junho de 2008

Dificuldades para Deficientes



Não é a primeira vez nem será, infelizmente, a última em que falaremos sobre a FALTA de Acessibilidade em Portugal,
neste blog. Estranhamente, apesar de toda a boa legislação em vigor, nada parece mudar, a este respeito, nas terras Lusas. É inacreditável como estações de transportes públicos, restaurantes, escolas, hospitais e museus, entre muitos outros espaços, nos confrontam com obstáculos arquitectónicos inultrapassáveis.

Sobre este assunto, Clara Ferreira Alves escreveu um artigo intitulado "Dificuldades para Deficientes", publicado no Expresso on-line no dia 12 de Maio de 2008.

Aqui ficam alguns excertos...


(...) "Recomendei-lhes que não perdessem o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), que é um dos museus mais extraordinários do mundo, rodeado daquele belo jardim e daquele rio azul, sentindo numa tarde de Primavera a brisa que sopra do Tejo e o cheiro das árvores e das flores. E, claro, recomendei-lhes os muitos sítios que quem mora numa cidade recomenda aos estrangeiros. E, claro, esqueci-me que Lisboa tem um problema, tem vários problemas. No que diz respeito a Boaz e Shirley, Lisboa vira-lhes as costas e nega-lhes oportunidades que concede a outros. Lisboa descrimina-os. Porquê? Boaz está numa cadeira de rodas".


(...) "Foram a um lugar perto do castelo de São Jorge para ver arte, e não puderam entrar. O Bairro Alto é inegociável, e com o Bairro Alto vão na leva os restaurantes do bairro, incluindo um que lhes recomendei particularmente como sendo o da melhor comida portuguesa."


(...) "Lisboa (e o Porto, e outras cidades portuguesas) torna-se difícil, impossível, para velhos e aleijados. Apesar das fórmulas politicamente correctas com que cobrimos estes estados de vida, o da velhice e o da incapacidade, não cobrimos a cidade de "facilidades para deficientes" nem para incapacitados, seja pela idade, a doença ou o acidente. "


(...) "Sem asas nos pés, o tempo entre a luz verde e a vermelha para os peões é curtíssimo, e os carros parecem um bando de animais deitando fumo e escavando no chão antes da investida. Muda o sinal e fica-se entalado a meio da Avenida entre dois sentidos, com as tangentes dos automóveis e os insultos dos automobilistas portugueses que, como toda a gente sabe, não são um modelo de cortesia."


(...)"A juntar ao domínio dos carros sobre as pessoas na cidade, temos as colinas e as calçadas portuguesas em altos e baixos, com pedras descalçadas, montinhos de brita, pilões de aço e carros estacionados, episódios vários de incúria e repressão que dificultam a passagem das pernas lentas e das cadeiras de rodas. Os velhos têm medo de atravessar as ruas, e têm pânico de cair. Junte-se ainda a inexistência de transportes especiais para deficientes, de táxis especiais para deficientes (que poderiam e deveriam existir) e de rampas e acessos nos edifícios e lugares públicos. A cadeira de rodas, em Portugal, e a deficiência, são uma condenação ao imobilismo, à solidão, ou ao internamento em instituições especiais. São também uma condenação à pobreza ou à pedincha quando se trata de gente sem recursos, ou incapacitada pelas centenas de acidentes de trabalho por falta de segurança, que as companhias seguradoras ignoram e tratam como dispensáveis, recompensando a perda das pernas ou dos braços, da visão ou da audição, ou de qualquer parte do corpo, com montantes irrisórios. A vida de um deficiente pobre vale muito pouco, se for um trabalhador imigrado estrangeiro vale nada. A família que cuide dele, é a racionalidade dominante. "Teve azar, coitado" é o comentário piedoso."(...)

Que mais posso eu acrescentar a estas palavras?!?!....
Há ainda muito por fazer... parece é não haver vontade... :P

Ler o artigo completo AQUI.

2 de maio de 2008

The Center for Universal Design



The Center for Universal Design
Ambientes e Produtos para todos

O "Center for Universal Design" (CUD) é um grupo de trabalho, da "North Carolina State University", dos EUA, que se dedica a divulgar informação, a prestar apoio, a investigar e a divulgar a acessibilidade e o design inclusivo. O CUD tem por missão melhorar os ambientes e produtos através da inovação, pesquisa, educação e do apoio ao design.

Link: http://www.design.ncsu.edu/cud/index.htm

8 de fevereiro de 2008

A acessibilidade é um direito



“Accessibility is about giving equal access to everyone”

A acessibilidade é um direito que todos nós temos. Não devemos pensar nesta questão como uma acto de caridade ou solidariedade porque, todos nós, sem excepção, somos ou seremos, em algum período da nossa vida, deficientes. Já fomos crianças, seremos idosos, algumas de nós fomos ou seremos grávidas, podemos partir uma perna ou sofrer de alguma maleita que nos deixe fragilizados. Nessas circunstâncias o mundo pode ficar, literalmente, inacessível.


Para evitar a exclusão e aumentar a qualidade de vida teremos que eliminar as barreiras, construindo um ambiente inclusivo e amigável. Também cabe aos designers, sobretudo aqueles que se especializam em design de ambientes, desempenhar um papel fundamental nesta tarefa. Nesse sentido, peço aos meus alunos, no âmbito dos seus trabalhos académicos, que façam uma análise à acessibilidade de edifícios públicos. O objectivo deste trabalho é que eles, como designers e utilizadores desses espaços, desenvolvam uma consciência critica, ao mesmo tempo que aprendem a desenvolver ferramentas de análise rigorosas. Essas avaliações devem servir de base de sustentação aos projectos de remodelação desses espaços.


Para a realização de um trabalho deste tipo é fundamental a consulta de algumas fontes de informação. Entre os recursos que lhes recomendo, disponíveis on-line e em Português, está o site do Instituto Nacional para a Reabilitação . Do qual destaco a consulta ao Guia "Acessibilidade e mobilidade para todos", versão .pdf (16,6 Mb) que procurou complementar o Decreto-Lei nº163/2006, de 8 de Agosto, que regulamenta as Normas Técnicas de Acessibilidade aos edifícios habitacionais.


Muitos outros recursos se podem encontrar na WWW, para isso basta fazer uma procura criteriosa ou assistir a uma aula de Ergonomia... ;-)

Bons trabalhos...


11 de junho de 2007

Design inclusivo na Casa Décor de Madrid

Tive conhecimento, através de uma amiga minha que vive e trabalha em Espanha (beijinhos para ti Cátia), que na edição deste ano da Casa Décor havia um espaço adaptado a pessoas com necessidades especiais. Infelizmente, a Casa Décor de Madrid terminou este fim-de-semana (10 de Junho) e eu não tive oportunidade de lá ir. Mas, ainda assim, este facto parece-me merecedor de uma breve reflexão.

A iniciativa de incluir um espaço inclusivo na Casa Décor foi do Instituto Europeu de Design, com o patrocínio da Fundación ONCE, do IMSERSO e da Plataforma Estatal Representativa de Discapacitados Físicos (PREDIF). Trata-se de um espaço restaurante adaptado a pessoas invisuais ou de mobilidade reduzida.

Algumas das principais características do espaço:

> zonas de circulação espaçosas;
> diferentes texturas no pavimento para que uma pessoa invisual possa identificar e distinguir, rapidamente, a zona de passagem da zona de mesas;
> mesas circulares que facilitam a visualização de todos os comensais e assim tornar possível a leitura de lábios por pessoas surdo-mudas;

> mesas com pé central e de diâmetro generoso para permitir a fácil colocação de cadeiras de rodas;
> balcão de atendimento com 2 alturas;
> menu em Braille;

É de louvar a iniciativa de incluir, numa exibição deste tipo, as preocupações com a acessibilidade e com a inclusão daqueles que são habitualmente excluídos. Normalmente, estas feiras servem para os designers, arquitectos de ambientes e os decoradores se mostrarem ao público. O que implica que, na maioria das vezes, estes abordam os ambientes numa perspectiva muito comercial e ligada à moda, fazendo grande alarido da forma inovadora como usam os materiais, as cores e as formas, mas ignorando os problemas da acessibilidade física aos ambientes. É uma forma de angariarem clientes para os seus ateliers ou lojas. Não estou a recriminar tal atitude, pois é perfeitamente compreensível, mas posso exprimir o meu descontentamento por terem uma abordagem tão superficial dos ambientes que concebem.

Na sua essência, eventos como a Casa Décor destinam-se a dar a conhecer as novas propostas e tendências, ao nível do mobiliário, dos acessórios ou complementos. Pelo que, os seus visitantes dificilmente serão sensibilizados para os aspectos mais técnico-científicos que os projectos também exigem. Estamos, portanto, a transmitir uma visão muito redutora do que é fazer design nesta área. E isso é pena porque, com pouco investimento, mas usando a inteligência e a criatividade, eventos como este podiam ser usados para “educar” os potenciais utilizadores, fabricantes e criativos. É que estas coisas funcionam um pouco como uma pescadinha de rabo na boca, ou seja, não se fala porque não há pressão do público para abordar estas temáticas e, como o público desconhece a importância do design inclusivo, não há vontade de abordar a questão… Temos que ter a coragem de quebrar o ciclo. E essa é a questão fulcral pois, independentemente da consciência, ou falta dela, face às questões da acessibilidade, os ambientes continuarão a ser mais ou menos amigos dos seus utentes. Os consumidores, muito ou pouco esclarecidos, continuarão a sentir na pele os efeitos de tal desajuste mas a nós, designers, cabe-nos a importante tarefa de criar um mundo mais inclusivo. Não nos podemos esquecer que, amanhã, seremos nós a ter necessidades especiais. Assim dita a lei da vida. Resta é saber como suportaremos esse fardo, se será de uma forma mais cómoda ou mais violenta...

Concluindo, quero dizer que maior virtude desta iniciativa é, no meu entender, a hipótese de ver desmistificada a falsa ideia de que o design inclusivo não é um design vendável. É mostrar que o design inclusivo pode ser igualmente criativo e inovador, que não tem que se assemelhar a produtos hospitalares ou laboratoriais… Mostrar que design e ergonomia estão unidos, se nós fizermos por isso, numa relação feliz e duradoura…

Link: Fundación ONCE

22 de janeiro de 2007

Encontrar um caminho para todos


O GAM - Grupo para a Acessibilidade nos Museus vai organizar o segundo seminário anual, com o título: "Encontrar um caminho para todos – as novas tecnologias e o acesso aos museus".

Este evento conta com a presença de profissionais de museus, representantes de empresas nacionais e estrangeiras e instituições ligadas a projectos em que as novas tecnologias permitem que a acessibilidade física, de informação e de comunicação, nos museus se torne mais eficaz.
Assisti ao primeiro seminário, no ano passado, e achei bastante interessante e enriquecedor.

Data: 29 de Janeiro de 2007 (segunda-feira)
Local: Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian.

Entrada gratuita mas sujeita a inscrição prévia.

A ficha de inscrição deverá ser enviada para:

Nome: Maria Vlachou
e-Mail: mariavlachou@clix.pt
Tel.: 917 247 970

Links:
Programa do seminário
Ficha de inscrição

10 de janeiro de 2007

Passeios acessíveis

Os passeios de Lisboa, em calçada Portuguesa, são famosos por esse mundo fora. Não é de estranhar ver os turistas de câmara apontada para o chão.
As suas origens remontam à Mesopotâmia, tendo sido divulgados pelos antigos Gregos e Romanos. Estranhamente, apesar de serem muito importantes para a mobilidade dos peões no meio urbano, devem ser o equipamento urbano mais desprezado e mal tratado na nossa cidade. É uma pena, pois são muito mais bonitos do que os passeios de cimento, tijoleira ou de borracha (última inovação).

Os passeios, como é óbvio, podem ter diferentes larguras, em função da rua onde se localizam. Porém, quase sempre, estão cheios de buracos, valas que se enchem de água da chuva ou obstáculos (candeeiros, baldes do lixo, sinais, cabines telefónicas mal posicionados). Para agravar mais esta situação, são constantemente invadidos por carros mal estacionados. Para os deficientes, residentes em Lisboa, os passeios são verdadeiras barreiras arquitectónicas intransponíveis com as quais lidam no seu quotidiano.

Ao nível dos passeios urbanos, existem algumas soluções interessantes, que podem aumentar a usabilidade deste equipamento como, por exemplo, as zonas rebaixadas junto das passadeiras (para deficientes em cadeiras de rodas) ou guias tácteis (para deficientes visuais).

Estas imagens são de pavimentos em Curitiba, Brasil, onde a calçada Portuguesa coexiste com estas soluções. Também existem passeios como este em Bruxelas, Bélgica.
Soluções tão básicas mas que facilitam muito a vida…mas quand
o chegarão a Lisboa?

7 de dezembro de 2006

Petição pela acessibilidade electrónica

Assine a petição pela acessibilidade electrónica portuguesa!

Simpatizar com as questões da usabilidade não basta para melhorar a nossa qualidade de vida, é preciso agir! Hoje, a inércia que nos mantém sossegados pode ser grande, podemos pensar que encaixamos, mais ou menos, no perfil do Homem padrão (jovem, saudável e com capacidades consideradas médias) sem deficiências. Mas, esta ideia não deixa de ser uma falácia, construída pela sociedade capitalista, para alimentar o consumismo desenfreado. Na realidade, todos nós temos algum tipo de deficiência, hoje pode ser menor mas amanhã, por acção do tempo, será maior.
Sabemos que, como designers e ergonomistas, devemos fazer melhores projectos e contribuir para a inclusão. Mas o dever de intervenção não se esgota aqui pois, como cidadãos, ou utilizadores comuns, podemos participar em movimentos cívicos, para que ganhem força suficiente, para exercer pressão sobre quem tem o poder para legislar. Por isso, desafio todos os que consideram que é importante consagrar, na legislação portuguesa, o direito à acessibilidade electrónica a assinar a petição pela acessibilidade electrónica lançada, no passado dia 3 de Dezembro, por um grupo de cidadãos, entre os quais se incluem pessoas com deficiências.
Ao que parece, até à data, já mais de mil pessoas assinaram… (uma delas sou eu)

Vamos ajudar acabar com a info-exclusão.
Vamos assinar!!!

4 de dezembro de 2006

Dia Mundial da Pessoa com Deficiência



No rescaldo do Dia Mundial da Pessoa com Deficiência (ontem, dia 3 Dez.) pensei em publicar mais um caso de desrespeito pela acessibilidade, infelizmente, cada vez mais comum nas nossas cidades. Como podem avaliar, pela imagem, o painel lateral desta paragem de autocarro ocupa quase a totalidade do passeio deixando apenas, aproximadamente, 60cm de largura livre até à berma. Uma pessoa, circulando a pé, tem dificuldade em passar sem meter os pés na estrada mas, de cadeira de rodas não conseguirá passar ali. Cada vez que faço aquele percurso (entre a estação de comboios de Santos e a Av. D. Carlos I, em Lisboa, penso na estupidez de quem plantou ali aquele equipamento e na nossa, que nos calamos perante estas vergonhas. Podem argumentar que aquele painel tem a função de proteger os utentes dos agentes climatéricos. Eu até posso aceitar o argumento mas, pergunto, porque não colocam um painel menor nos passeios estreitos? E respondo, logo de seguida, porque assim não caberiam lá os cartazes publicitários… Pois é… para dar “passagem” à publicidade (e aos euros que movimenta) impede-se a passagem ás pessoas com deficiência.

Assim vai a vida em Portugal!...

29 de novembro de 2006

Programa INCLUI



Na próxima 2ª-feira, dia 4 de Dezembro de 2006, no âmbito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, será lançado o Programa INCLUI . Este programa, que resulta de uma parceria entre o ErgoLab - Laboratório de Ergonomia da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa - e o LID - Laboratório de Inovação em Design da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, tem como objectivo promover a acessibilidade nos edifícios, permitindo a inclusão de todos e possibilitando uma utilização autónoma, segura e eficiente do espaço construído.
A entrada é livre.

Programa do evento:
10:30 – Recepção aos participantes
11:00 – Abertura
11:30 – Apresentação do programa INCLUI - Prof. Doutor Fernando Moreira da Silva (FA/UTL)
11:45 – Metodologia do Programa INCLUI – Prof. Doutor Francisco Rebelo (FMH/UTL)
12:15 – Debate
13:00 – Encerramento


Local do evento:
Auditório 22/23
Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa
Rua Sá Nogueira. Pólo Universitário. Alto da Ajuda
1349-055 Lisboa
tel. 213 615 000

fax 213 625 138

10 de novembro de 2006

Mobiliário urbano em Curitiba



Dizem que Curitiba é a cidade modelo do Brasil. Eu não posso confirmar, ou desmentir, pois é a única grande cidade do Brasil que conheço. Posso afirmar que é uma cidade idêntica a muitas da Europa, onde a qualidade de vida é boa. O que mais me impressionou, na cidade, foram os seus parques e zonas verdes (que vão rareando aqui por Lisboa) tão grandes e bem cuidados. Outro aspecto curioso, que é quase a imagem de marca de Curitiba, são as paragens dos autocarros (Ónibus como dizem por lá) que se assemelham a grandes tubos envidraçados. Uma reflexão mais atenta sobre este equipamento urbano permite descobrir algumas vantagens e desvantagens associadas ao seu uso:

Principais Vantagens

  • Organização da fila dentro do tubo (toda a gente sabe onde começa e acaba e não há muito espaço para os “fura-filas”);
  • Protecção contra os agentes climatéricos, especialmente da chuva que é abundante por lá. Quanto ao sol, já ponho algumas reticências;
  • Ponto de venda dos bilhetes exterior ao veículo. A existência de um funcionário no tubo permite a compra da passagem sem necessidade de demorar o veículo (claro que isto por cá seria impossível devido aos elevados salários mas, por lá até é uma forma de combater o desemprego).
  • Acesso facilitado a pessoas em cadeiras de rodas (cadeirantes como dizem por lá). Todas as plataformas estão equipadas com um elevador hidráulico (embutido no pavimento do passeio) que eleva a cadeira até à plataforma. Eu acho que a rampa seria o ideal, para não existir uma forma de descriminação positiva, mas isso roubaria espaço no passeio. Apenas vi um tubo com rampa.
  • Iluminação nocturna. Uma vantagem para combater a criminalidade.
  • Facilidade de identificação no ambiente urbano.

Principais Desvantagens:

  • Necessidade de muitos funcionários para funcionamento do sistema;
  • Falta de condições de trabalho para os funcionários dos tubos (não imagino como fazem quando precisam de ir à casa de banho);
  • Custos de manutenção (da plataforma hidráulica e de limpeza);
  • Área de ocupação da via pública (impossível em cidades de ruas estreitas e antigas);
  • Qualidade das variáveis ambientais dentro do tubo (humidade, calor, radiações solares, odores, etc.);
  • Preço do equipamento (especialmente o vidro curvo);
  • Recanto convidativo para os sem-abrigo (especialmente se fosse por cá);
  • Existe algum perigo de quedas dos utentes, especialmente quando os condutores não imobilizam o veículo no sítio certo e as plataformas (entre o veículo e o tubo) não ficam alinhadas (ouvi algumas reclamações).

Mas, apesar de tudo, a minha apreciação global quanto a este equipamento é positiva. Eu gostei!

14 de outubro de 2006

Pequena crónica de uma visita ao Palácio de Queluz



Para que saibam, um destes dias das minhas vacances, "cá dentro", decidi visitar o Palácio de Queluz, ao qual já não ía há muitos anos.

A ideia que tinha era a de um espaço muito agradável, sobretudo no que respeita aos jardins envolventes, onde aliás todos os anos se realizam alguns eventos deveras interessantes.
Cheia de orgulho nacional, vendo tantos estrangeiros à porta para entrar, aí vou eu, de sorriso escondido - que é como quem diz: em Portugal também temos belos palácios - iniciar a visita pelos edifícios palacianos, edificados à moda de un très petit Versailles.
Comprei o bilhete e esperei por um folheto, ou qualquer papelito onde pudesse haver alguma explicação adicional…nada!

Resignada, entrei na primeira ala. Não vou comentar a recriação dos espaços em si, porque isso transcende os meus conhecimentos de História, mas detectei alguns problemas que foram desmerecendo o tal orgulho, tais como as tabelagens explicativas estarem apenas em 2 línguas, a nacional e em Inglês. A sinalética que deveria indicar o percurso é completamente inexistente e substituída por voz, pelos funcionários que vigiam os visitantes, isto se lhes perguntarmos, claro!

Mas passemos então à minha grande expectativa que iria fazer as minhas delícias neste dia de sufocante calor, os jardins envolventes…
Ah! Se estão à espera de grandes comentários, nem pensem! Decididamente nem pensar em alongar-me com apreciações sobre este espaço, ou seja, enfim, recuso-me, não me apetece e sabem porquê?

Aí vai…Os jardins mal cuidados, a falta de sinalética exterior, para indicar os percursos, à excepção de algumas setas que mal se viam, começaram a deixar-me deveras irritada. A cafetaria, essa encontrei-a por simples acaso! Entrei para comer alguma coisa e da lista afixada pouco havia. O espaço poderia ser agradável, embora diminuto, mas também está muito mal cuidado. A outra alternativa seria o exterior, onde existem algumas mesas, mas que estavam completamente ao sol, porque só havia um chapéu para proteger uma delas. A irritação foi ao rubro!

Retornei pelo mesmo caminho e entrei na outra ala do Palácio, para finalizar a visita. A saída era novamente pelo jardim, do qual tinha saído há pouco. Saí por aquela por porta enigmática, aberta e sem qualquer indicação, pela qual já tinha espreitado anteriormente!

Fiz o mesmo caminho que já tinha feito, desta vez com muito menos alento e a derreter de calor, lá dei com uma saída para a rua, também por acaso!

Quis fotografar a fachada principal, mas nada feito! Os carros estacionados à porta comprometeriam qualquer enquadramento…

Enfim…mais não digo para não entrar em lugares comuns e em frases feitas, daquelas que tão bem conhecemos e usamos para classificar o estado em que está o nosso Património.
Tirem as ilações que entenderem!
Bons passeios!
http://www.ipar.pt/monumentos/palacio_queluz.html

21 de junho de 2006

Falta de usabilidade/acessibilidade na TV

Nestes últimos dias não se fala de outra coisa a não ser no Mundial de Futebol 2006, que decorre na Alemanha. Para não ficar fora de contexto decidi prestar atenção a alguns dos programas especiais que foram criados especificamente para cobrir este evento. Durante a visualização de um programa da RTP deparei-me com alguns aspectos que me desagradaram profundamente. Para além das qualificações duvidosas dos comentadores convidados e das figuras tristes que os nossos conterrâneos fazem para aparecer na caixinha mágica, exibem alguns quadros informativos que me surpreenderam, pela negativa.



Se observarmos atentamente podemos constatar que, a dimensão dos caractéres é de tal forma diminuta que, é absolutamente ilegível para grande parte da população. Eu não consigo ler nada daquela informação a uma distância superior a 1,00m (e eu não tenho graves deficiênias visuais). Se juntarmos a isto o excesso de informação por quadro e o tempo reduzido de exibição… a coisa fica praticamente impossível!

Será que a presença do apresentador é fundamental em simultaneo com o quadro? É que, para além de o quadro ficar ainda mais pequeno, o facto de estar sobreposto a um fundo complexo (apesar do filtro semi-transparente) aumenta as dificuldades de concentração. Na RTPN esse mesmo quadro é exibido sobre um fundo colorido simples e o quadro é um pouco maior, o que já melhora um pouco.



Noutros quadros, como o caso daqueles que exibem os próximos jogos, exibem muita coisa menos aquilo que é importante: a hora dos jogos!



Não sei quem é o autor deste grafismo mas, na minha opinião, fracassou totalmente tendo criado uma forma de exibir informação que desrespeita absolutamente os princípios da usabilidade e acessibilidade da informação… Apesar de a qualidade estética ser razoável isso não é suficiente para ter uma avaliação positiva.

Um mau design, inadmissível num serviço público com audiências tão elevadas.

11 de novembro de 2005

Tecnologias de informação e comunicação sem barreiras

Todos estamos de acordo sobre a importância da usabilidade e acessibilidade para a melhoria das condições de vida das populações. Porém, demonstrar alguma sensibilidade não basta. Como designers compete-nos lutar, activamente, contra a “info-exclusão” ou a “e-exclusão” (exclusão do mundo das tecnologias de informação e comunicação). O primeiro passo deve ser, exactamente, na realização de projectos que respeitem as orientações de usabilidade e acessibilidade existentes.

O problema não é encontrar erros no nosso projecto, o problema é não reconhecer a necessidade de os corrigir…e não saber como corrigi-los.

Para superar esta dificuldade, existem diversas ferramentas, gratuitas na Net, que permitem avaliar a acessibilidade dos conteúdos da Web. Um dos avaliadores clássicos, e o mais famoso, é o Bobby, que está disponível no site da WatchFire. Podem encontrá-lo com o nome WebXact da WatchFire, ou no site da acesso, entre outros recursos semelhantes.
As recomendações da W3C's Web Content Accessibility podem ser consultadas , em português, numa tradução realizada pela Universidade de Trás os Montes e Alto Minho e que é parte integrante do MANUAL DIGITAL . Este manual digital é uma ajuda preciosa para estes casos, pois reúne programas na área da acessibilidade (ao computador e à Internet) e ergonomia. A vantagem é que estão incluídas explicações muito simples e ferramentas que, na grande maioria, estão disponíveis gratuitamente on-line.

O símbolo da acessibilidade (fechadura), criado pelos Estúdios Stormship de Boston, Massachusetts, deve ser aplicado nos sítios Web que contêm funcionalidades de acessibilidade que vão ao encontro das necessidades dos utilizadores com deficiências. A utilização do símbolo é gratuita, pelo que, não nos fornece nenhuma garantia que a sua aplicação é adequada. É por isso fundamental que os cibernautas tenham um espírito crítico, denunciando eventuais usos indevidos, mas também estimulando a correcção dos erros detectados e sugerindo eventuais modificações.
Antes de afixar o símbolo de acessibilidade, devem pedir à equipa do Programa ACESSO da UMIC que verifique a acessibilidade do site. Dessa forma, para além da certeza de que cumprem os requisitos necessários para ostentar o símbolo de acessibilidade, passam também a figurar na Galeria da Acessibilidade Web.

Somos designers, e também utilizadores, profissionais ou "experts", não podemos continuar a alimentar a imagem de criativos ao serviço da especulação, da moda, da estética e do "giro"...