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20 de outubro de 2009

Manual de Psicologia Ambiental

# Sugestão de leitura da semana:

Bechtel, R.B. & Churchman, A.(Eds)(2002). Handbook of Environmental Psychology. Wiley.

Descrição do livro:

"An international team of leading scholars explores the latest theories, research, and applications critical to environmental psychology

Featuring the latest research and concepts in the field straight from the world's leading scholars and practitioners, Handbook of Environmental Psychology provides a balanced and comprehensive overview of this rapidly growing field. Bringing together contributions from an international team of top researchers representing a myriad of disciplines, this groundbreaking resource provides you with a pluralistic approach to the field as an interdisciplinary effort with links to other disciplines.

Addressing a variety of issues and practice settings, Handbook of Environmental Psychology is divided into five organized and accessible parts to provide a thorough overview of the theories, research, and applications at the forefront of environmental psychology today. Part I deals with sharpening theories; Part II links the subject to other disciplines; Part III focuses on methods; Part IV highlights applications; and Part V examines the future of the field.

Defining the ongoing revolution in thinking about how the environment and psychology interact, Handbook of Environmental Psychology is must reading for anyone coping directly with the attitudes, beliefs, and behaviors that are destroying our environment and putting our lives in jeopardy.

Topics include:
* Healthy design
* Restorative environments
* Links to urban planning
* Contaminated environments
* Women's issues
* Environments for aging
* Climate, weather, and crime
* The history and future of disaster research
* Children's environments
* Personal space in a digital age
* Community planning"
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7 de outubro de 2009

Porque razão pessoas comuns falam alto sozinhas?

Sabiam que # pensar alto afinal não é sinónimo de doença mental?

Segundo o artigo "Thinking Out Loud- Why do “normal” people talk to themselves?", de C. Claiborne Ray, publicado no "The New York Times", de 22 de Setembro de 2009, falar sozinho não significa, necessariamente, a existência de uma doença mental.



Randy Engle, professor de psicologia no Georgia Institute of Technology, afirma que esse é um comportamento normal nas crianças que, com frequência, conversam com amigos imaginários. Sendo que, isso é parte normal do seu desenvolvimento.

Nos adultos, segundo Engle, esse comportamento (que pode parecer bizarro) pode, afinal, ajudar-nos a realizar algumas tarefas cognitivas. Por exemplo, ler alto, uma frase complexa, pode ajudar-nos a entender o seu conteúdo. Noutros casos, essa pode ser uma estratégia muito eficaz para a memória, sobretudo quando queremos fixar algo que temos que fazer mais tarde (memória prospectiva).

Porém, digo eu, se esse comportamento for muito frequente, talvez..... seja melhor pensar em procurar ajuda médica...
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25 de março de 2009

Sabiam que... # podem existir diferenças de género no processamento do belo

A beleza é um conceito muito subjectivo, variável em função da cultura e da época, que resulta dos filtros de cada um. Contudo, um estudo recente sugere que existem diferenças na forma como homens e mulheres lidam com esse conceito.



Parece que as imagens consideradas belas afectam diferentes regiões dos cérebros de homens e mulheres. Por exemplo, nos homens, as imagens afectam regiões responsáveis pela localização dos objectos em termos absolutos, ou seja, as suas coordenadas. Já no cérebro das mulheres, para além de activarem essas regiões, também activam regiões relativas à sua localização relativa, isto é, por cima, atrás, debaixo, etc.

Os autores do estudo apontam algumas explicações para essas diferenças. Uma explicação sustenta que que as diferenças podem estar relacionadas com a evolução. Os homens eram sobretudo caçadores, enquanto que as mulheres eram recolectoras. Isto significaria que os homens deveriam desenvolver as suas capacidade de orientação espacial, enquanto que as mulheres deveriam aperfeiçoar as suas capacidades de identificação e diferenciação de imagens.

Abstract: The capacity to appreciate beauty is one of our species' most remarkable traits. Although knowledge about its neural correlates is growing, little is known about any gender-related differences. We have explored possible differences between men and women's neural correlates of aesthetic preference. We have used magnetoencephalography to record the brain activity of 10 male and 10 female participants while they decided whether or not they considered examples of artistic and natural visual stimuli to be beautiful. Our results reveal significantly different activity between the sexes in parietal regions when participants judged the stimuli as beautiful. Activity in this region was bilateral in women, whereas it was lateralized to the right hemisphere in men. It is known that the dorsal visual processing stream, which encompasses the superior parietal areas, has been significantly modified throughout human evolution. We posit that the observed gender-related differences are the result of evolutionary processes that occurred after the splitting of the human and chimpanzee lineages. In view of previous results on gender differences with respect to the neural correlates of coordinate and categorical spatial strategies, we infer that the different strategies used by men and women in assessing aesthetic preference may reflect differences in the strategies associated with the division of labor between our male and female hunter-gatherer hominin ancestors.

Referência:
Cela-Conde, C. J. , Ayala, F. J. , Munar, E., Maestu, F., Nadal, M., Capo, M. A., del Río, D., Lopez-Ibor, J. J., Ortiz, T., Mirasso, C. & Marty, G. (2009). Sex-related similarities and differences in the neural correlates of beauty. Proceedings of the National Academy of Sciences, Vol. 106, No.8.

18 de março de 2009

Sabiam que... # a cor aumenta o desempenho

Um estudo recente sobre os efeitos cognitivos da cor, publicado na Science, revela que a cor afecta o desempenho humano.



Diversos participantes no estudo tiveram um desempenho superior, durante a realização de tarefas exigentes do ponto de vista da atenção e da memória, quando o encarnado estava presente. Já, quando lhes pediram para ser criativos, foram melhores quando o azul estava presente.

Quanto à atracção pelas cores, os participantes sentiram-me mais atraídos para o azul e evitavam o encarnado. Porém, nenhuma das 2 cores afectou a disposição/humor dos participantes nem a sua motivação. Os autores concluíram que, apesar de a cor ter influenciado a performance não a diminuiu ou afectou negativamente.

O facto de o encarnado ser evitado, apesar de ter sido associado anteriormente a um aumento da atracção por alguns alimentos e á estimulação sexual, pode estar relacionado com o facto de ser associado a a situações do quotidiano que envolvem algum perigo ou preocupação como, por exemplo, sinais de stop, perigo, fogo, etc. Habitualmente as pessoas quererão evitar essas situações e, por isso, terão um desempenho superior em termos de lidar com detalhes. O azul, por seu lado, é associado ao céu, ao mar e à segurança. Por isso, as pessoas serão mais estimuladas a explorar.

Abstract:
Existing research reports inconsistent findings with regard to the effect of color on cognitive task performances. Some research suggests that blue or green leads to better performances than red; other studies record the opposite. Current work reconciles this discrepancy. We demonstrate that red (versus blue) color induces primarily an avoidance (versus approach) motivation (study 1, n = 69) and that red enhances performance on a detail-oriented task, whereas blue enhances performance on a creative task (studies 2 and 3, n = 208 and 118). Further, we replicate these results in the domains of product design (study 4, n = 42) and persuasive message evaluation (study 5, n = 161) and show that these effects occur outside of individuals' consciousness (study 6, n = 68). We also provide process evidence suggesting that the activation of alternative motivations mediates the effect of color on cognitive task performances.

Referência:
Mehta, Ravi & Zhu, Juliet (2009). Blue or Red? Exploring the Effect of Color on Cognitive Task Performances. Science, Vol. 324, Issue 5915.
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4 de março de 2009

Sabiam que... # lágrimas aumentam a tristeza percepcionada

Um estudo recente, conduzido por cientistas da universidade de Maryland-Baltimore, sugere que num rosto triste sem lágrimas a percepção da tristeza é menor. Para chegar a tal conclusão os investigadores manipularam, em photoshop, fotografias de pessoas que choravam, removendo-lhes as lágrimas. O resultado foi que, sem lágrimas, as expressões foram avaliadas como transmitindo sensações ambíguas ou neutras.


Figura 1 - Rosto manipulado. Imagem da esquerda original, com lágrimas. Imagem da direita, manipulada em Photoshop, sem lágrimas.

O estudo envolveu a avaliação de 200 fotografias exibindo, de forma aleatória, 100 expressões faciais. A classificação foi feita por 80 participantes, que usaram uma escala do tipo Likert de 7 pontos, de "not sad at all" a "extremely sad".

Muitas expressões humanas são formas de comunicação não verbal universais, onde as lágrimas parecem ter um grande impacto. Estas descobertas são muito úteis para quem, como os designers, tem que transmitir estados de alma, sentimentos e emoções...

Ler artigo (PDF).
Provine,Robert R.; Krosnowski, Kurt A. & Brocato, Nicole W. (2009). Tearing: Breakthrough in Human Emotional Signaling. Evolutionary Psychology, 7(1): 52-56

16 de dezembro de 2008

Fundamentos da Sensação e Percepção

# Sugestão de leitura da semana:

Mather, George (2008). Foundations of Sensation and Perception. 2nd edition. Psychology Press. ISBN: 978-1-84169-699-7

O livro inicia-se com um capitulo de introdução ás teorias de base, princípios gerais da fisiologia e da percepção que permitem, ao leitor, adquirir as ferramentas necessárias para compreender a forma como percepcionamos o mundo. Dois capítulos são dedicados a tópicos como a transdução, campos receptivos e adaptação sensorial via sentidos como o tacto, olfacto e paladar. Os últimos capítulos, sobre audição e visão, aprofundam estes fundamentos. Desta forma, transitamos dos conhecimentos mais simples para os mais complexos. Existe, ainda, um capítulo inteiro dedicado às diferenças individuais como, por exemplo, idade, género, experiência, conhecimentos e cultura.

Sendo um livro dedicado, sobretudo, a estudantes estão disponíveis diversos recursos como, palavras-chave, sumários, perguntas e ligações para recursos adicionais. Uma secção de tutoriais fornece a oportunidade de explorar informação adicional sobre os desenvolvimentos mais recentes e polémicos.

índice:
1. General Principles. Introduction. Classification of the Senses. Methods Used to Study Perception. General Principles of Sensation and Perception. Chapter Summary. Tutorials. 2. The Chemical Senses. Introduction. Smell. Taste. Flavor. Evaluation. Chapter Summary. Tutorials. 3. The Body Senses. Introduction. The Somatosensory System. The Vestibular System. Chapter Summary. Tutorials. 4. The Physics and Biology of Audition. Introduction. Sound as a Physical Stimulus. The Physiology of the Auditory System. Chapter Summary. Tutorials. 5. Perception of Sound. Introduction. Loudness Perception. Pitch Perception. Auditory Localization. Speech Perception. Auditory Scene Analysis. Hearing Dysfunction. Chapter Summary. Tutorials. 6. The Physics of Vision—Light and the Eye. Introduction. What is Light? Some Important Properties of Light. The Eye. Chapter Summary. Tutorials. 7. Visual Physiology. Introduction. The Retina. The Visual Pathway. The Visual Cortex. Chapter Summary. Tutorials. 8. Spatial Vision. Introduction. Fundamental Functions. Representation at Multiple Spatial Scales. Uses of Spatial Filters. Chapter Summary. Tutorials. 9. Shape and Object Perception. Introduction: The Three-Stage Model. Shape Representation. Object Representation. Chapter Summary. Tutorials. 10. Depth Perception. Introduction. The Multiplicity Of Depth Cues. Cue Combination. Chapter Summary. Tutorials. 11. Visual Motion Perception. Introduction. Detecting Movement. The Integration of Motion Detector Responses. Multiple Processes in Motion Perception. Chapter Summary. Tutorials. 12. Colour Vision. Introduction. Colour Space. Colour Mixture. Dual-Process Theory. Colour Interactions. Colour Deficiency. Chapter Summary. Tutorials. 13. Multi-Sensory Processing In Perception. Introduction. Multi-Sensory Processing. Synesthesia. Chapter Summary. Tutorials. 14. Individual Differences in Perception. Introduction. Age. Sex. Culture. Expertise. Idiosyncratic Individual Differences. Chapter Summary. Tutorials. References. Author Index. Subject Index.

Ler mais no site da editora Psychology Press
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21 de novembro de 2008

Teste de associação implicita

(...)"As pessoas nem sempre dizem o que pensam e suspeita-se que as pessoas nem sempre sabem o que pensam" (...)

Vocês consideram-se pessoas justas, esclarecidas, livres de preconceitos ou de atitudes e crenças arreigadas que vos toldam o raciocínio?
Então, ponham-se à prova participando no "Project Implicit".


Este projecto, de carácter científico, é promovido por diversas universidades de renome mundial e é subsidiado pela National Science Foundation e pelo National Institute of Mental Health. Têm já 10 anos de existência. O objectivo é ajudar a determinar as nossas atitudes e crenças a respeito de diversos assuntos como o racismo, o nacionalismo, preconceitos sobre a idade, a cor da pele, o peso, o género, a orientação sexual, etc.

O método usado, designado por Teste de Associação Implícita (TAI), mede, através de questionários, as atitudes e crenças implícitas que não queremos, ou, não somos capazes de revelar...

Para participar no projecto, respondendo a questionários TAI (disponíveis em diversas línguas, incluindo o Português), deverão aceder ao site - https://implicit.harvard.edu/implicit/

Cada sessão demorará, em média, 10 a 15 minutos e no final receberão um resumo dos vossos resultados. Basta fazer o registo e responder...
Já participei e achei a experiência muito enriquecedora!...
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22 de outubro de 2008

Sabiam que... # Hick's Law

Sabiam que o tempo de reacção, necessário para efectuar uma escolha, aumenta em função do aumento logarítmico do número de alternativas disponíveis?

Neste contexto, entende-se o tempo de reacção como o tempo que medeia a apresentação do estímulo e o início da resposta muscular ao estímulo. Contudo, esse tempo aumentará proporcionalmente até um certo limite, a partir do qual estabilizará, independentemente do aumento de alternativas.


Na prática, podemos afirmar que, quanto maior o número de alternativas disponíveis, maior será o tempo para efectuar a escolha. Alguns estudos sugerem que o tempo de reacção aumenta cerca de 150 ms por cada vez que as alternativas disponíveis duplicam.

A Lei de Hick (Hick's Law) descreve, precisamente, o tempo que uma pessoa necessita para tomar uma decisão, em função das alternativas que dispõe. Muito embora, essa lei, tenha sido inicialmente documentada pelo psicólogo alemão Julius Merkel, em 1885, ficou conhecida como Lei de Hick depois psicólogo britânico W. E. Hick, em 1952, a ter reformulado.

No glossário do Usability first podemos ler:

(1) H = log2(n + 1).
(2) H = Σ pi log2(1/pi + 1).

H = the information-theoretic entropy of a decision.
n = the number of equally probable alternatives.
pi = the probability of alternative i for n alternatives of unequal probability.

The time it takes to make a decision is roughly proportional to H, the entropy of the decision (the log of the number of alternatives), i.e. T = k H, where k ~ 150 msec.

Esta lei é similar, na forma, à Lei de Fitt (Fitts’s Law) e tem sido usada, em HCI, para determinar quanto tempo as pessoas demorarão a tomar decisões quando estão a interagir com uma interface (ex. escolher um item num meu, escolher uma ferramenta, escolher um item numa barra de navegação, etc.).

Referencia:
Hick, W. E. (1952). On the rate of gain of information. Quarterly Journal of Experimental Psychology, 4:11-26.

Ler mais sobre a Lei de Hick na Wikipédia.
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16 de outubro de 2008

Como adultos e crianças percepcionam as cores...

Parece que a percepção das cores é feita de forma diferente nos adultos e nas crianças.

Estudos sugerem que as crianças processam as cores, de uma forma pura, numa parte pré-linguística do cérebro enquanto que, os adultos, o fazem nos centros da linguagem do cérebro. Isto significa que, nos adultos, as cores são processadas sob a influência dos conceitos previamente formados sobre elas.


Uma equipa de investigadores testou o fenómeno do processamento das cores pedindo, a adultos e a crianças pequenas, para se concentrarem num circulo colorido, ao qual eram expostos de forma breve. Por vezes, o estimulo surgia no seu campo visual direito (transmitido ao hemisfério cerebral esquerdo, onde é processada a linguagem) e, noutras vezes, surgia no campo visual esquerdo. Quando lhes foi pedido para identificaram um alvo colorido, exibido sobre um fundo de cor da mesma categoria, as crianças tiveram maior facilidade em faze-lo quando o alvo surgia no seu campo visual esquerdo. O inverso aconteceu com os adultos. Como era expectável, a detecção dos estímulos foi mais rápida quando estavam em oposição cores de categorias diferentes.

Estes resultados sugerem que, devido à vivência, o processamento puro das cores dá lugar a um processo mediado pela linguagem. Pouco se sabe sobre como ocorre esta mudança e também persistem dúvidas sobre se as cores percepcionadas, por adultos e crianças, são diferentes.

É uma descoberta que pode ter bastante interesse para os designers que são confrontados, constantemente, com a tarefa de escolher cores para os seus projectos...


Ler artigo original:
A. Franklin, A.; Drivonikou, G. V., Bevis, L., Davies, I. R. L. , Kay. P. & Regier, T. (2007). Categorical perception of color is lateralized to the right hemisphere in infants, but to the left hemisphere in adults. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America.
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15 de outubro de 2008

Sabiam que... #Lei de Yerkes-Dodson

# Sabiam que, segundo a Lei de Yerkes-Dodson há uma relação entre a excitação (estado de activação) e a performance mas, apenas até a um certo ponto?

A Lei de Yerkes-Dodson, que foi desenvolvida por Robert M. Yerkes e J. D. Dodson em 1908, diz que a performance aumenta juntamente com a excitação psicológica e mental mas, apenas até um certo ponto. Isto é, quando o nível de excitação atinge valores muito altos a performance diminui. Esta relação é ilustrada por um gráfico, numa curva em forma de parábola (U invertido).


A primeira metade da curva da Lei de Yerkes-Dodson pode ser interpretada como o efeito energizante da excitação, enquanto que a segunda metade da curva pode ser entendida como os efeitos negativos dessa excitação. Tais efeitos negativos podem ser entendidos, numa linguagem corrente, como os efeitos do stress.

Naturalmente, nem todas as tarefas exigem iguais nível de excitação para que o desempenho seja o melhor. Algumas tarefas são favorecidas por níveis de excitação mais baixos enquanto que, noutras, ocorre o inverso. Isso terá que ver com, por exemplo, o tipo de esforço envolvido na tarefa. Uma tarefa monótona poderá beneficiar de um nível de excitação superior, como factor de motivação, já uma tarefa complexa, nova ou difícil, poderá ser prejudicada por elevados níveis de excitação, que poderão comprometer a concentração. Esta relação também varia em função da experiência da pessoa envolvida na tarefa.

Um grau muito baixo de "stress" (entendido como força de activação) limita a qualidade do desempenho. Se a tensão for moderada, o desempenho vai subindo moderadamente. Se os níveis de tensão continuarem a subir, de forma intensa e prolongada, o desempenho cai.

O mais importante é perceber que, cada tarefa e cada indivíduo possuem um ponto óptimo de activação, ou de ansiedade, para o um desempenho óptimo.

Referências:
Yerkes, R.M. & Dodson, J.D. (1908) The relation of strength of stimulus to rapidity of habit-formation. Journal of Comparative Neurology and Psychology, 18, 459-482
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7 de outubro de 2008

Teorias da percepção visual

# Sugestão de leitura da semana:

Gordon, Ian E. (2004). Theories of Visual Perception. Psychology Press.
ISBN 1841693839, 9781841693835

O livro "Theories of Visual Perception", na sua 3ª edição revista e ampliada, oferece-nos uma explanação das diferentes abordagens e teorias sobre a forma como vemos o mundo, ou seja, a percepção visual.

As diferentes teorias são contextualizadas do ponto de vista histórico e filosófico. A abordagem é ampla e inclui autores clássicos como Helmholtz e a Escola da Gestalt assim como outros, mais recentes, que trabalham no campo da inteligência artificial.

Ler mais sobre este livro no GoogleBooks.
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2 de setembro de 2008

Sabiam que… # Fitts’s Law

Sabiam que a Fitts’s Law, publicada por Paul Fitts em 1954, é um modelo do comportamento psicomotor, baseado no tempo e na distância, aplicável a movimentos rápidos, dirigidos e unidimensionais?

De uma forma simples, esta lei diz-nos que o tempo necessário para efectuar um movimento depende da distância a que está o alvo e da precisão exigida para lhe acertar, o que, por sua vez, depende da dimensão deste.

Transcrevendo Fitts’s Law at a glance:

“Fitts discovered that movement time was a logarithmic function of distance when target size was held constant, and that movement time was also a logarithmic function of target size when distance was held constant. Mathematically, Fitts' law is stated as follows:

MT = a + b log2(2A/W)

where

# MT = time to complete the movement
# a,b = parameters which vary with the situation ('regression coefficients')
# A = distance of movement from start to target center
# W = width of the target along the axis of movement (also equivalent to the degree of permissible error in movement target)”(...)



imagens do Mind Hacks

Este modelo tem sido muito aplicado no âmbito da interacção Homem-computador, nomeadamente, no design das interfaces. Vejamos algumas implicações práticas, no design de interfaces, que resultam da aplicação deste modelo:

> Maior é melhor: usando a Fitts’s Law podemos calcular, com base no tamanho e distância do alvo, quanto tempo demoraremos a apontar, com o cursor, para determinado ponto do ecrã. O modelo diz-nos que os alvos maiores, colocados a uma distância próxima, são alcançados mais rapidamente do que alvos pequenos mais distantes. Logo, quanto maior for a dimensão de um botão, ou ícone, em relação à distância a ser percorrida pelo cursor, mais fácil se tornará acertar nele. Pela mesma razão, esse botão terá menos probabilidade de ser activado por engano, mesmo que esteja encostado a outros botões. Podemos, por isso, deduzir que as acções efectuadas com mais frequência devem ter botões maiores que, por sua vez devem estar posicionados mais próximas da posição média do cursor.

> Devemos usar as margens e cantos do ecrã: os extremos/margens do ecrã devem ser usados para posicionar menus e botões principais pois, o cursor irá imobilizar-se nessas zonas, mesmo que o movimento do rato continue, ou seja, é uma área considerada como de largura infinita.

> Os layouts circulares e abertos são melhores: a adopção de layouts circulares, para a organização de botões, em vez de uma organização linear favorece o uso pois, todos os botões ficarão posicionados de forma equidistante do centro. Já os menus abertos são melhores do que os do tipo pull-down pois, o movimento do cursor não é tão exigente.

> entre outros…

Estes exemplos estão descritos de uma forma muito acessível e muito bem ilustrados no Visualizing Fitts’s Law, by Kevin Hale.

Contudo, este modelo possui algumas desvantagens importantes:
> o modelo só prevê o movimento numa única dimensão, ou seja, a amplitude do movimento e a dimensão do alvo são medidas no mesmo eixo;
> ausência de uma técnica consistente para lidar com os erros;
> inconsistência de resultados. Foram verificados resultados díspares em estudos similares.

Para saber mais:
# Quiz designed to give you Fitts, by Bruce Tognazzini's, no askTog, do Nielsen Norman Group
# Fitts's UI Law Applied to the Web, by Microsoft Developer Network
# A Note on the Information-Theoretic Basis for Fitts' Law, by I. Scott MacKenzie
# Fitts’ Law: Modeling Movement Time in HCI – by Haixia Zhao
# Data Visualization Research Lab
# Simulador, do Instituto Brasileiro da Amigabilidade e Usabilidade, para verificar a Fitts’ Law no uso de um teclado virtual
# A Web-based Test of Fitts' Law
# KDE User Interface Guidelines
# Bibliografia sobre Fitts’ Law, by I. Scott MacKenzie
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12 de agosto de 2008

The Evolution and Function of Cognition



Neste momento estou a ler:
Goodson, Felix E. (2003). The evolution and function of cognition. Lawrence Erlbaum Associates.

Poderão saber mais sobre este livro lendo a "Book Review. Action editor: Stefan Wermter / D.M. Bernad (pdf) e/ou consultando a sua página no GoogleBooks.
Boas leituras...

9 de agosto de 2008

Sabiam que... # Lei de Weber-Fechner

Sabiam que, segundo a Lei de Weber-Fechner, o sistema sensorial é mais sensível aos limiares inferiores, da intensidade dos estímulos, do que aos superiores? Ou seja, na prática, detectamos variações mínimas em estímulos de fraca intensidade, com maior rigor, do que naqueles de elevada intensidade.

“the intensity of a sensation is proportional to the logarithm of the intensity of the stimulus causing it”

Isto pode parece estranho mas, é lógico, se visto pelo prisma evolutivo. Vamos, por isso, usar o exemplo da presa vs predador para esclarecer este tópico.



Energias mais intensas significam uma reduzida distância entre a presa e o predador (a lei do quadrado inverso). Ou seja, a diminuição da distância, entre ambos, implica um aumento da intensidade dos odores, imagens e sons. Estando presa e predador muito próximos, a probabilidade de ser comido/comer é muito grande. Não deveria, neste caso, a sensibilidade ser também maior, uma vez que estamos num patamar de elevada estimulação? Na verdade, será muito mais importante, para a sobrevivência, a detecção dos primeiros indícios da presença de uma presa/predador do que quaisquer outros depois desse momento. Daí, a explicação para a elevada sensibilidade aos sinais mais fracos...

Contudo, é importante distinguir entre a sensibilidade/apuramento do sistema sensorial e o impacto, ou sensação, resultante da estimulação. Naturalmente, quanto mais intensa a estimulação, independentemente da energia envolvida, mais intensa a sensação experimentada.

O desafio que aqui lanço é que explorem o impacto desta Lei no design. Pensem, por exemplo, no que isto significa para questões como a cor, a luz, o som, a textura, etc...

Notas biográficas:



Ernst Heinrich Weber (1795-1878), anatomista e fisiologista alemão, considerado um precursor da psicologia experimental. Realizou estudos sobre o tacto que foram importantes para a psicologia e fisiologia. Introduziu o conceito de mínima variação detectável entre dois estímulos similares. As suas observações empíricas foram expressas matematicamente por Gustav Fechner.



Gustav Theodor Fechner (1801-1887), físico e psicólogo alemão foi um dos fundadores da psicofísica. Desenvolveu procedimentos experimentais para medição da sensação em função da magnitude física dos estímulos. É o autor da fórmula que expressa a teoria de Weber sobre o limiar da detecção.
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10 de abril de 2008

Psychology of the Image

Forrester, Michael A. (2002). Psychology of the Image. Routledge. ISBN:0415165156

"Psychology of the Image" outlines a theoretical framework bringing together the semiotic concepts developed by Charles Peirce, the sociological insights of Ervin Goffman and the psychoanalytic ideas of Jacques Lacan. Image studies in fashion, advertising, photography, film studies and psychology have been influenced by these theorists in significant ways. The framework presented helps the reader understand how these ideas relate to the study of different domains of the image: the internal imagery of dreams, external images such as the photograph and image processes which span both contexts, e.g., images we have about ourselves".

Ver este livro no Google Books

6 de março de 2008

Psychology of Aging

Birren, J. E.; Schaie, K. W.; Abeles, R. P.; Gatz, M. & Salthouse, T. A. (2006). Handbook of the Psychology of Aging. Academic Press. ISBN 0121012646.

A sugestão de leitura desta semana vai para o livro “Handbook of the Psychology of Aging” que nos oferece uma visão global dos mais recentes desenvolvimentos, da psicologia, no que se refere ao envelhecimento humano.

Os 22 capítulos deste livro focam aspectos como: Conceitos, teorias, metodologias, influencias sociais e biológicas no envelhecimento, processos comportamentais no envelhecimento, contributos da neurociêcia cognitiva, resolução de problemas, tomada de decisão, memória, entre outros.

Este tipo de conhecimentos interessa muito aos designers e ergonomistas que ambicionam desenvolver projectos de design inclusivo e que, por isso, necessitam de possuir um conhecimento profundo sobre as capacidades e limitações humanas.

Mais informação sobre este livro no GoogleBooks.


20 de dezembro de 2007

Compreender as emoções

Oatley, Keith, Keltner, Dacher & Jenkins, J. M. (2006), Understanding Emotions. Wiley-Blackwell; 2 edition. ISBN-10: 1405131039

Understanding Emotions é um dos melhores livros, que eu conheço, sobre as emoções humanas. A segunda edição, actualizada, reflecte os mais recentes desenvolvimentos ocorridos sobre a temática das emoções. Nesta obra podemos encontrar uma síntese das abordagens evolutivas e culturais sobre a emoção; aspectos sobre a comunicação das emoções; modificações corporais e avaliação; implicações interpessoais das emoções; avaliação moral; diferenças individuais; interacções e emoções positivas; bem-estar subjectivo; emoções como gratidão e compaixão; avanços em neurociência; entre outros temas interessantes.


Ìndice:
Part I: Perspectives on Emotion:
1. Approaches to Understanding Emotions.
2. Evolution of Emotions.
3. Cultural Understandings of Emotions.
Part II: Elements of emotion:
4. The Communication of Emotion.
5. Bodily Changes and Emotion.
6. Brain Mechanisms of Emotion.
7. Appraisal, Knowledge, and Experience
Part III: Emotions and Social Life:
8. Development of Emotions in Childhood.
9. Emotions in Social Relationships.
10. Emotion and Cognition.
Part IV: Emotions and the Individual:
11. Individual Differences and Personality.
12. Emotion and Mental Health in Childhood.
13. Emotions and Mental Health in Adulthood.
14. Psychotherapy, Consciousness, and Well-being.

Uma boa leitura para ajudar a compreender as emoções contraditórias que muitos experimentam, com frequência, nesta época festiva…

6 de dezembro de 2007

Psychology and the Internet

Psychology and the Internet: Intrapersonal, Interpersonal, and Transpersonal Implications. Academic Press; 2 edition.
ISBN-10: 0123694256

A sugestão de leitura desta semana aborda o efeito da Internet sobre a mente humana, quem somos, como somos, como comunicamos, trabalhamos, socializamos, namoramos e muito mais, através da rede...

Interessante... até para distinguir o uso normal do patológico.

(...) Editorial Reviews

Book Description

The previous edition provided the first resource for examining how the Internet affects our definition of who we are and our communication and work patterns. It examined how normal behavior differs from the pathological with respect to Internet use. Coverage includes how the internet is used in our social patterns: work, dating, meeting people of similar interests, how we use it to conduct business, how the Internet is used for learning, children and the Internet, what our internet use says about ourselves, and the philosophical ramifications of internet use on our definitions of reality and consciousness. Since its publication in 1998, a slew of other books on the topic have emerged, many speaking solely to internet addiction, learning on the web, or telehealth. There are few competitors that discuss the breadth of impact the internet has had on intrpersonal, interpersonal, and transpersonal psychology.

Key Features

* Provides the first resource for looking at how the Internet affects our definition of who we are
* Examines the philosophical ramifications of Internet use and our definitions of self, reality, and work
* Explores how the Internet is used to meet new friends and love interests, as well as to conduct business
* Discusses what represents normal behavior with respect to Internet use

From the Back Cover

Eight years have passed since publication of the then groundbreaking first edition of this work. During that time, the internet has become ever more prominent the world over, with 200% growth in usage outside the US, 100% growth in usage within the US, and with the highest penetration in America at 68% of all households. Psychology of the Internet, 2e explores the psychological considerations to using the internet and the internet's effects upon the user. New coverage explores how children use the internet and how this exposure may be shaping their social development. Coverage also includes the effect of child exposure to pornography, predators online, and bullying online. Research on adult disinhibition over the internet is discussed, particularly the tendency for people to more readily self disclose in an online environment. Extensive coverage of socialization on line includes coverage of online dating practices, blogs, and sex online. Internet addiction is covered with respect to definition, precursors, and co-morbidity. Sociological research is also explored as to how people meet and work together online, computer mediated communication, and virtual work teams. Additional chapters explore the burgeoning availability and effectiveness of telehealth/online therapy, the implications of an increasingly virtual society of internet communities, the internet as a global brain, and the possibility that virtual experience may be expanding real consciousness. (...)