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7 de outubro de 2009

Porque razão pessoas comuns falam alto sozinhas?

Sabiam que # pensar alto afinal não é sinónimo de doença mental?

Segundo o artigo "Thinking Out Loud- Why do “normal” people talk to themselves?", de C. Claiborne Ray, publicado no "The New York Times", de 22 de Setembro de 2009, falar sozinho não significa, necessariamente, a existência de uma doença mental.



Randy Engle, professor de psicologia no Georgia Institute of Technology, afirma que esse é um comportamento normal nas crianças que, com frequência, conversam com amigos imaginários. Sendo que, isso é parte normal do seu desenvolvimento.

Nos adultos, segundo Engle, esse comportamento (que pode parecer bizarro) pode, afinal, ajudar-nos a realizar algumas tarefas cognitivas. Por exemplo, ler alto, uma frase complexa, pode ajudar-nos a entender o seu conteúdo. Noutros casos, essa pode ser uma estratégia muito eficaz para a memória, sobretudo quando queremos fixar algo que temos que fazer mais tarde (memória prospectiva).

Porém, digo eu, se esse comportamento for muito frequente, talvez..... seja melhor pensar em procurar ajuda médica...
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8 de abril de 2009

# Sabiam que # rabiscos aumentam a concentração?

Sabiam que desenhar, ou rabiscar, enquanto se participa numa outra actividade, por exemplo uma aula ou uma reunião, não é sinal de distracção?



Os cientistas descobriram que uma actividade ligeira, como o esboçar um desenho, que aparentemente parece ser de distracção ou de alheamento, não é uma perda de tempo, mas antes, uma estratégia para ajudar a manter a atenção. Na verdade, parece ser a forma, que algumas pessoas desenvolveram, para contrariar o efeito de uma actividade monótona, ou, para se focarem de forma intensa em algo.

Por experiência própria (encho todas as folhas de desenhos) eu acho que essa conclusão é verdadeira mas, falta dizer que também é bastante agradável...

Referência:
Andrade, Jackie (2009). What does doodling do?"
Applied Cognitive Psychology, Vol. 23, No. 3.
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18 de março de 2009

Sabiam que... # a cor aumenta o desempenho

Um estudo recente sobre os efeitos cognitivos da cor, publicado na Science, revela que a cor afecta o desempenho humano.



Diversos participantes no estudo tiveram um desempenho superior, durante a realização de tarefas exigentes do ponto de vista da atenção e da memória, quando o encarnado estava presente. Já, quando lhes pediram para ser criativos, foram melhores quando o azul estava presente.

Quanto à atracção pelas cores, os participantes sentiram-me mais atraídos para o azul e evitavam o encarnado. Porém, nenhuma das 2 cores afectou a disposição/humor dos participantes nem a sua motivação. Os autores concluíram que, apesar de a cor ter influenciado a performance não a diminuiu ou afectou negativamente.

O facto de o encarnado ser evitado, apesar de ter sido associado anteriormente a um aumento da atracção por alguns alimentos e á estimulação sexual, pode estar relacionado com o facto de ser associado a a situações do quotidiano que envolvem algum perigo ou preocupação como, por exemplo, sinais de stop, perigo, fogo, etc. Habitualmente as pessoas quererão evitar essas situações e, por isso, terão um desempenho superior em termos de lidar com detalhes. O azul, por seu lado, é associado ao céu, ao mar e à segurança. Por isso, as pessoas serão mais estimuladas a explorar.

Abstract:
Existing research reports inconsistent findings with regard to the effect of color on cognitive task performances. Some research suggests that blue or green leads to better performances than red; other studies record the opposite. Current work reconciles this discrepancy. We demonstrate that red (versus blue) color induces primarily an avoidance (versus approach) motivation (study 1, n = 69) and that red enhances performance on a detail-oriented task, whereas blue enhances performance on a creative task (studies 2 and 3, n = 208 and 118). Further, we replicate these results in the domains of product design (study 4, n = 42) and persuasive message evaluation (study 5, n = 161) and show that these effects occur outside of individuals' consciousness (study 6, n = 68). We also provide process evidence suggesting that the activation of alternative motivations mediates the effect of color on cognitive task performances.

Referência:
Mehta, Ravi & Zhu, Juliet (2009). Blue or Red? Exploring the Effect of Color on Cognitive Task Performances. Science, Vol. 324, Issue 5915.
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19 de setembro de 2007

Design Computing + Cognition



THIRD INTERNATIONAL CONFERENCE ON DESIGN COMPUTING AND COGNITION - DCC'08

Bringing artificial intelligence, cognitive science and computational theories to design research. # 23-25 June 2008, preceded by Workshops #21–22 June 2008. Georgia Institute of Technology, Atlanta, USA.

CALL for SUBMISSIONS:
This biennial conference series provides an international forum for the presentation and discussion of state-of-the-art and cutting-edge design research with a focus on artificial intelligence, cognitive science and computational theories in design. The conference proceedings will form a continuing archive of design computing and cognition research. The conference will be preceded by a series of half-day workshops on specialist topics in design computing and cognition.

Attendees are invited to participate in the conference in the following ways:
# Submit a full-length paper on completed research relating to design computing and cognition.
# Submit a poster describing ongoing research; there will be time for oral presentations of posters.
# Submit a proposal for a half-day workshop on a topic related to design computing and cognition.

A set of research papers that have been refereed by an international board of reviewers will be presented and published as a book. Posters describing ongoing research will be presented.

Researchers from all fields employing computation and or cognition in design are invited to participate.

SUBMISSION DATES:

# Paper abstracts due, electronic submission in PDF and RTF formats only: 14 December 2007
# Papers for review due, electronic submission in PDF and RTF formats only:
18 January 2008
# Workshop proposals due:
22 February 2008
# Poster abstracts due:
29 February 2008

DETAILS
http://mason.gmu.edu/~jgero/conferences/dcc08/

20 de junho de 2007

Ver sem ver

Graças ao poder da nossa mente podemos ver um objecto sem que o estejamos a ver realmente, ou seja, podemos vê-lo com os “olhos da mente”, na ausência de qualquer estímulo sensorial. Na realidade, o que estamos a ver são imagens mentais imaginárias. As imagens mentais são uma questão enquadrada na temática representação do conhecimento na mente, isto é, a forma como a informação é processada após ter sido percepcionada e ter entrado no sistema cognitivo. Do ponto de vista do design, o interesse por esta questão reside, essencialmente, no facto de este processo de representação poder afectar o desempenho cognitivo humano. É, contudo, um assunto polémico entre os investigadores e, actualmente, ainda não há consenso acerca das explicações para esta capacidade de gerar imagens mentais.

Sabemos, genericamente, que existem dois grandes tipos de representações do conhecimento, as representações baseadas na percepção e as baseadas no significado. Estas últimas, bastante abstraídas dos detalhes perceptivos e focadas no significado da experiência. Neste post irei focar a questão da representação baseada na percepção, particularmente, as imagens mentais. Para Kosslyn (1995), a função deste imaginário perceptivo é preparar-nos para processar estímulos perceptivos externos, com os quais iremos interagir no futuro. Mas, que imagens mentais são estas? Teremos, na nossa mente, um banco de imagens que pode ser consultado sempre que quisermos, ou, as imagens são representadas alegoricamente na nossa mente? A primeira hipótese afigura-se algo irrealista, enquanto que segunda parece ser mais razoável. Sobre esta questão podemos encontrar 3 hipóteses distintas:

1) hipótese dual: segundo a qual existem 2 códigos e dois sistemas de armazenamento, um verbal e outro para imagens, onde a informação podem ser codificada e armazenada (Paivio, 1965). Segundo esta hipótese, a nossa memória funcionará melhor se codificarmos a informação de ambas as formas, verbal e visual. Na realidade, a memória para o material verbal é mais eficaz quando foi desenvolvida uma imagem correspondente a esse material. Veja-se o caso das mnemónicas segundo o método de Loci (mnemónica de lugares ou de imagens).

2) hipótese conceptual-proposicional: segundo a qual a informação verbal e visual são representadas na forma de proposições abstractas sobre os sujeitos e as suas relações (Anderson & Bowell, 1973; Pylyshyn, 1973). Neste caso, o que é armazenado é uma interpretação de um acontecimento e não a sua imagem. Isto porque não é viável supor que a nossa memória funciona como uma álbum de fotos. Isso implicaria uma capacidade de memória superior à que possuímos e também implicaria a existência de um qualquer mecanismo de gestão desse banco de imagens.

3) hipótese da equivalência funcional: segundo a qual as imagens mentais e a percepção visual são funcionalmente equivalentes (Shepard e Kosslyn). Um dos exemplos que tem sido mais popular, no suporte desta teoria, é a rotação mental de imagens.

Shepard e seus colegas pediram a diversos sujeitos que determinassem se as formas seguintes eram iguais entre si, par a par.

Os ângulos de rotação entre as imagens variaram entre 0 e 180º. A variável dependente monitorizada foi o tempo de resposta. No exemplo aqui ilustrado, os pares 1 e 2 são compostos por peças idênticas, com rotação de 80º, no primeiro caso uma rotação a 2D e no 2º a 3D. O 3º par não é composto por formas idênticas entre si. Os resultados revelaram que existe uma relação linear entre o tempo de reposta e o aumento do ângulo de rotação. Não houve diferenças significativas entre a rotação a 2D e a 3D. Ou seja, quanto maior a rotação mais tempo demoraram a responder (cerca de 1 segundo por cada 50º de rotação). Quando inquiridos os participantes, todos declararam ter rodado mentalmente as peças até encontrar a resposta. Estudos neurológicos posteriores revelaram evidências sobre este processo de rotação mental. Encontraram, inclusivamente, uma ligação entre a rotação mental de imagens e o córtex motor. Isto indica que esta capacidade é usada para a preparação de movimentos. Contudo, a rotação mental das imagens não é a única característica comum entre imagens mentais e percepcionadas. Ambas as imagens, as percepcionadas e as imaginadas, podem conter propriedades espaciais e visuais. Portanto, ao serem examinadas, demoraremos mais tempo a avaliar grande distâncias do que pequenas e, também, teremos mais dificuldades em observar detalhes em imagens pequenas do que grandes, sejam elas de que tipo forem.

Contudo, muito embora sejam funcionalmente equivalentes, as imagens mentais possuem algumas limitações quando comparadas com as imagens percepcionadas. Por exemplo, é difícil fazer uma análise muito rigorosa de detalhes nas imagens mentais, isto porque, nem sempre elas possuem bastante realismo. Do ponto de vista dos recursos cognitivos, as imagens mentais são mais exigentes, essencialmente devido ao seu processamento descendente. Este facto é evidente se tomarmos como exemplo uma tarefa de pesquisa visual.

Perante estes dois cenários, se vos pedirem para declarar se o X está dentro ou fora da letra F, em qual deles terão mais dificuldade de responder? Obviamente que será mais complicado no caso onde a letra F tem que ser imaginada.

A capacidade de construir imagens mentais e manipulá-las é essencial em muitas actividades do quotidiano mas, também o é para o design. Porque, na sua essência, o trabalho do designer assenta grandemente nesta capacidade de gerar e manipular imagens mentais. Quantas vezes não temos já uma boa imagem do objecto a conceber, muito antes de haver qualquer esboço em papel? Ainda que, ás vezes, seja uma imagem algo difusa...

Mas, através da minha experiência enquanto docente num curso de design, posso afirmar que é impressionante como esta maravilhosa capacidade afecta a qualidade do trabalho dos alunos, futuros designers. Eu quase que me arriscaria a usá-la como critério de selecção… pois, quem não a possuir, em doses generosas, está, no meu entender, francamente limitado no seu desempenho enquanto designer.

Referências:

Anderson, J. R. & Bower, G. H. (1973). Human Associative Memory. Washington, DC: Winston.

Kosslyn, S. M. (1973). Scanning visual images: Some structural implications. Perception and Psychophysics, 14, 90-94.

Kosslyn, S. M. (1975).Information representation in visual images. Cognitive Psychology, 7, 341-370.

Kosslyn, S. M. (1995). Introduction. In M. S. Gazzaniga (Ed.) The cognitive neurosciences (pp.959-961). Cambridge, MA: The MIT Press.

Paivio (1965). Abstractness, imagery, and meaningfulness in paired-associated learning. Journal of Verbal Learning and Verbal Behaviour, 4, 32-38.

Pylyshyn, Z. W. (1973). What the mind’s eye tells the mind’s brain: A critique of mental imagery. Psychological Bulletin, 80, 1-24.

Shepard, R. N. (1977). The mental image. American Psychological Association Meeting, San Francisco, Sept.

31 de maio de 2007

Resolução de problemas e criatividade III



Poderia afirmar que, grosso modo, todas as pessoas são criativas mas, na verdade, o grau de criatividade é bastante variável. Para nós, professores, essa realidade é bem evidente. Por essa razão, o desenvolvimento do pensamento criativo é uma das minhas principais preocupações, enquanto docente.

A criatividade está relacionada com a cultura e a educação de cada um de nós. Será que se pode ensinar/aprender a criatividade?


Isso depende do que se entende por criatividade. Para mim, a criatividade define-se como uma actividade cognitiva, cujo resultado é uma nova visão do problema ou situação. Esta visão é muito vocacionada para os aspectos práticos do projecto, para a resolução de problemas e para a inovação ao nível das soluções. Nesse sentido, considero que é possível treinar as pessoas para adoptarem estratégias de raciocínio mais flexíveis e para praticarem técnicas que potenciem as suas potencialidades cognitivas. Claro está que, este grau de desenvolvimento, será limitado pela inteligência de cada um… Inegavelmente, há uma relação muito forte, mas não obrigatória, entre inteligência e criatividade (Butcher, 1968). Um outro aspecto comum, entre os que se destacaram pela sua grande criatividade, é a elevada capacidade de trabalho. Ou seja, a motivação, o empenho, a dedicação na resolução do problema é o grande motor da criatividade.


Infelizmente, do ponto de vista da ciência, ainda não surgiu uma teoria robusta que venha unificar o conhecimento existente sobre a criatividade. Aquilo que acontece, actualmente, é que existem diversas teorias, por vezes contraditórias e dispares entre si, que dificultam a compreensão deste assunto. Eu recorro ao estudo realizado por Hayes (1978) que sugere que, a criatividade pode ser aumentada através dos seguintes recursos:


> Aumento da base de conhecimentos sobre o assunto em estudo:

É óbvio que, se possuirmos uma base de conhecimentos forte, ampla e robusta em áreas como a ciência, arte, literatura, matemática, entre outros, estaremos mais aptos a raciocinar e a usar os nossos talentos naturais, logo, seremos mais criativos. Para os mais cépticos e mais preguiçosos deixo aqui uma sugestão: vão investigar a vida dos criativos que mais admiram e irão descobrir que eles são/foram indivíduos muito cultos… Portanto, aprender o mais que poderem, sobre aquele assunto que querem resolver, irá potenciar a vossa qualidade criativa!


> Criar a atmosfera certa para a criatividade:

Todos sabemos que as condições envolventes exercem grande influência sobre a nossa criatividade. De facto, daremos o nosso melhor se nos derem tempo e condições para as ideias incubarem. Mas, como nem sempre vivemos no mundo ideal há que saber dar a volta à questão. Por exemplo, devemos saber preparar o solo para a sementeira… ou seja, devemos recorrer a técnicas que sabemos serem úteis para a tal atmosfera. Por exemplo, o recurso ao brainstorming é uma excelente opção. As pessoas em grupo costumam dar asas à sua criatividade.


> Procurar analogias:

A análise do existente pode ser uma fonte inesgotável para a criatividade. Estudar a forma como problemas antigos foram resolvidos é uma estratégia, muito útil, para promover a criatividade.


Referências:

Butcher H.J. (1968). Human Intelligence: Its nature and assessment.
New York: Harper Torchbooks.
Hayes, J.R. (1978). Cognitive Psychology: Thinking and creating.
Homewood, IL: Dorsey Press.

24 de maio de 2007

Resolução de problemas e criatividade II

Faz hoje uma semana que lancei um pequeno desafio aos leitores deste blog. Com pena minha, até hoje, ninguém quis responder. Talvez considerem desinteressante participar neste tipo de iniciativas, não sei… De qualquer forma, tal como aconteceria em qualquer secção de passatempos da imprensa escrita, vou apresentar a solução ao pequeno desafio apresentado.

Aqui vai…a solução:

Eu, tal como a maioria das pessoas, tentaria resolver este problema procurando encontrar uma forma de me mover na direcção das cordas, para as tentar agarrar e juntar. Contudo, essa tentativa conduz-nos a um beco sem saída pois, é evidente que isso é impossível. Uma alternativa com mais potencial de sucesso mas, aparentemente mais remota, é encontrar uma forma de fazer com que uma das cordas se mova na nossa direcção. Para fazer mover uma das cordas podemos, por exemplo, amarrar um dos pincéis e usá-lo como pêndulo. Por estranho que pareça, no problema, não há indiciações que sugiram que deve ser a pessoa a mover-se, todavia, a maioria das pessoas adopta essa estratégia assumindo que existe uma espécie de restrição. A inclusão desta restrição, injustificada, leva a que o problema pareça insolúvel.

Este é um bom exemplo de como os nossos quadros mentais nos limitam o raciocínio e como estruturamos de forma deficiente os problemas que temos para resolver. Este tipo de problemas, mal estruturados, é designado por problemas de insigth porque, para os resolver, é preciso encontrar uma nova abordagem ou uma nova estrutura mental.

Para quebrar estas molduras invisíveis, que nos restringem o raciocínio, não há nada melhor que praticar novas estratégias... e esse é o grande objectivo deste tipo de "passatempos" ;)

17 de maio de 2007

Resolução de problemas e criatividade I

É quase um lugar comum afirmar-se que o design é uma actividade de resolução de problemas, onde é necessária imensa criatividade. Na realidade, esta afirmação é bem verdade…

Designers, ou não designers, empenham-se na resolução de problemas quando precisam de superar algum obstáculo, para responder a uma pergunta, ou, para alcançar um determinado objectivo.

Se a resposta, ao nosso problema, existir na memória, então, não teremos um problema. Mas, se isso não acontece, então, iniciamos aquilo que foi designado por “ciclo de resolução de problemas”. As etapas deste ciclo são:

identificação do problema;
definição do problema;
construção de uma estratégia para resolução do problema;
organização da informação sobre o problema;
distribuição de recursos;
monitorização e resolução do problema;
avaliação da resolução do problema.

Nos problemas do quotidiano este ciclo é muito flexível, podemos saltar etapas, reorganizar a sua sequência, repetir etapas, ou executá-las de forma interactiva.

Contudo, nem sempre somos capazes de resolver, com sucesso, os nossos problemas. A Psicologia Cognitiva apresenta diversas explicações para tal facto. As razões são diversas e podem ser tão óbvias como o não reconhecimento de um problema, a nossa configuração mental, os problemas estarem mal definidos ou mal estruturados, etc…

Porque acho este tema fascinante e porque considero que podemos melhorar o nosso desempenho, se soubermos como a nossa mente funciona, hoje inicio um ciclo de pequenos posts dedicados a esta temática.

À laia de pequena provocação, aqui fica um desafio para tentarem resolver:

Vocês estão ali, de pé, no meio daquela sala. Do tecto pendem 2 cordas. O vosso objectivo é amarrar as 2 cordas uma na outra. Porém, elas são demasiado curtas e estão afastadas o suficiente para que não seja possível agarrá-las em simultâneo. No chão da sala estão pincéis limpos, uma lata de tinta e uma lona pesada.

Como é que irão conseguir amarrar as 2 cordas?

23 de fevereiro de 2007

O efeito de Von Restorff



O efeito de Von Restorff, também conhecido por efeito de saliência ou isolamento, diz respeito à facilidade de evocação de um evento único, ou distinto, de entre outros eventos similares. O mesmo é dizer que os fenómenos que são inovadores, salientes e diferentes, no contexto onde estão inseridos, são guardados com maior força na nossa memória, logo, potencialmente mais fáceis de evocar.
Este fenómeno conjuga-se com outros, como a influência da posição na sequência de exibição. Os itens posicionados no meio da sequência são mais fracos do que os do início e do fim.

A observação do fenómeno da saliência tem sido designada por efeito von Restorff, em homenagem à investigadora alemã Hedwig von Restorff que o analisou sistematicamente (Restorff, 1933). A explicação, para a ocorrência deste fenómeno, assenta na redução da interferência, produzida pelos itens similares, sobre a diferenciação e discriminação física/conceptual do item diferente. O item saliente recebe mais atenção, é codificado de forma mais profunda, é alvo de maior número de repetições e, por consequência, fica em vantagem sobre os restantes. Por exemplo, se vos pedisse para memorizar a sequência ENBL4MGLO, a probabilidade de evocaram com sucesso o 4 é muito superior à dos outros elementos.

A constatação deste fenómeno fez com que, uma das maiores exigências colocadas aos designers seja a inovação/criatividade. A procura da surpresa é de tal forma avassaladora que, por vezes, deixa de fora as questões da funcionalidade, da segurança, entre outros factores também importantes para a qualidade do design. Porém, o design de qualidade será capaz de alcançar um compromisso. Nesse sentido, estratégias como o uso do humor, do bizarro, da curiosidade e do choque têm sido usadas frequentemente para alcançar maior impacto sobre o público-alvo.

Podemos constatar pessoalmente este efeito. Basta, para tal, evocar alguns anúncios, embalagens, ou objectos… e analisar os que apareceram primeiro.
Será que o efeito von Restorff está presente?...

Bibliografia relacionada:

Gardner, M. P. (1983). Advertising effects on attributes recalled and criteria used for brand evaluations. Journal of Consumer Research, 10, 310-318

Johnson, W. A., Hawley, K. J., Plewe, S. H., Elliott, J. M. G., & De Witt, M. J. (1990). Attention capture by novel stimuli. Journal of Experimental Psychology: General, 119, 397-411

Nelson. D. L. (1979). Remembering pictures and words: Appearance, significance and name. In L. S. Cermak & F. I. M. Craik (Eds.), Levels of processing in human memory (pp. 45-76). Hillside, NJ: Erlbau


Taylor, S. E., & Fiske, S. T. (1978). Salience, attention and attribution: Top of the head phenomena. In L. Berkowitz (Ed.), Advances in experimental social psychology (Vol. 11. pp. 249-288). New York: Academic Press

Von Restorff, H. (1933). Über die Wirkung von Bereichsbildungen im Spurenfeld (The effects of field formation in the trace field). Psychologie Forschung, 18, 299-34
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27 de junho de 2006

A arte e o cérebro Humano

Solso, Robert L. (2003), The Psychology of Art and the Evolution of the Conscious Brain. The MIT Press.
ISBN: 0262194848

De que forma evoluiu o cérebro humano para podermos fazer e apreciar a arte?

A resposta a esta pergunta interessa a todos os criativos, de todas as áreas artísticas...
Podemos obter algumas respostas científicas, a esta questão, neste livro da autoria de um conceituado professor e investigador da psicologia cognitiva, da Universidade do Nevada, Reno -Robert Solso.

Tendo por base o seu anterior livro “Cognition and the Visual Arts”, Solso apresenta esta nova obra onde nos explica como se processou o desenvolvimento do cérebro e dos principais mecanismos da consciência. Entre os mecanismos mais importantes destaca-se a capacidade de imaginar objectos que não existem. Sem esta capacidade não seríamos criativos nem poderíamos percepcionar grande parte das obras de arte.

Neste livro podemos compreender a sequência neurológica, perceptiva e cognitiva que é posta em marcha durante a interacção com a arte. Segundo Solso, existem 2 processos distintos na fruição da arte: a percepção inatista – a sincronização do aparelho visual e do cérebro que transforma a energia electromagnética em sinais neurológicos e a percepção directa – que implica a história pessoal, o conhecimento e as expectativas individuais. Outros aspectos curiosos, como os aspectos neurológicos relacionados com a percepção dos rostos humanos, as ilusões visuais e o uso da perspectiva também são abordados neste livro.
São usadas bastantes ilustrações de diversas obras de arte para ajudar a entender as explicações teóricas.

Índice de conteúdos: Art… a Tutorial; Art and the Rise of Consciousness; Art and Evolution; Art and Vision; Art and the Brain; About the Face; Illusions: Sensory, Cognitive and Artistic; Perspective: The Art of Illusion; Art and Schemata.

9 de novembro de 2005

O poder da mente

M473M471C0 (53N54C1ON4L):
4S V3235 3U 4C0RD0 M310 M473M471C0
D31X0 70D4 4 4857R4Ç40 N47UR4L D3 L4D0
3 M3 P0NH0 4 P3N54R 3M NUM3R05,
C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L.
540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0...
QU1N23 PR45 0NZ3...
7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0...
M45 L060 C410 N4 R34L
3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505
H1NDU-4R481C05

Pode não resultar à primeira, mas ao fim de várias leituras o texto fica compreensível.
Fantástico, não é? Mais fantástico é saber porque isto acontece!
Isso fica para uma próxima...