31 de maio de 2007

Resolução de problemas e criatividade III



Poderia afirmar que, grosso modo, todas as pessoas são criativas mas, na verdade, o grau de criatividade é bastante variável. Para nós, professores, essa realidade é bem evidente. Por essa razão, o desenvolvimento do pensamento criativo é uma das minhas principais preocupações, enquanto docente.

A criatividade está relacionada com a cultura e a educação de cada um de nós. Será que se pode ensinar/aprender a criatividade?


Isso depende do que se entende por criatividade. Para mim, a criatividade define-se como uma actividade cognitiva, cujo resultado é uma nova visão do problema ou situação. Esta visão é muito vocacionada para os aspectos práticos do projecto, para a resolução de problemas e para a inovação ao nível das soluções. Nesse sentido, considero que é possível treinar as pessoas para adoptarem estratégias de raciocínio mais flexíveis e para praticarem técnicas que potenciem as suas potencialidades cognitivas. Claro está que, este grau de desenvolvimento, será limitado pela inteligência de cada um… Inegavelmente, há uma relação muito forte, mas não obrigatória, entre inteligência e criatividade (Butcher, 1968). Um outro aspecto comum, entre os que se destacaram pela sua grande criatividade, é a elevada capacidade de trabalho. Ou seja, a motivação, o empenho, a dedicação na resolução do problema é o grande motor da criatividade.


Infelizmente, do ponto de vista da ciência, ainda não surgiu uma teoria robusta que venha unificar o conhecimento existente sobre a criatividade. Aquilo que acontece, actualmente, é que existem diversas teorias, por vezes contraditórias e dispares entre si, que dificultam a compreensão deste assunto. Eu recorro ao estudo realizado por Hayes (1978) que sugere que, a criatividade pode ser aumentada através dos seguintes recursos:


> Aumento da base de conhecimentos sobre o assunto em estudo:

É óbvio que, se possuirmos uma base de conhecimentos forte, ampla e robusta em áreas como a ciência, arte, literatura, matemática, entre outros, estaremos mais aptos a raciocinar e a usar os nossos talentos naturais, logo, seremos mais criativos. Para os mais cépticos e mais preguiçosos deixo aqui uma sugestão: vão investigar a vida dos criativos que mais admiram e irão descobrir que eles são/foram indivíduos muito cultos… Portanto, aprender o mais que poderem, sobre aquele assunto que querem resolver, irá potenciar a vossa qualidade criativa!


> Criar a atmosfera certa para a criatividade:

Todos sabemos que as condições envolventes exercem grande influência sobre a nossa criatividade. De facto, daremos o nosso melhor se nos derem tempo e condições para as ideias incubarem. Mas, como nem sempre vivemos no mundo ideal há que saber dar a volta à questão. Por exemplo, devemos saber preparar o solo para a sementeira… ou seja, devemos recorrer a técnicas que sabemos serem úteis para a tal atmosfera. Por exemplo, o recurso ao brainstorming é uma excelente opção. As pessoas em grupo costumam dar asas à sua criatividade.


> Procurar analogias:

A análise do existente pode ser uma fonte inesgotável para a criatividade. Estudar a forma como problemas antigos foram resolvidos é uma estratégia, muito útil, para promover a criatividade.


Referências:

Butcher H.J. (1968). Human Intelligence: Its nature and assessment.
New York: Harper Torchbooks.
Hayes, J.R. (1978). Cognitive Psychology: Thinking and creating.
Homewood, IL: Dorsey Press.

30 de maio de 2007

Mood Boards

Um uso diferente das imagens...

Existem algumas metodologias do design que são, aparentemente, muito simples mas cuja utilidade para o projecto é imensa. Uma dessas metodologias são os “Mood boards”. Eu tenho designado estes painéis como Paletas de Tendências mas, na realidade, são composições feitas de retalhos de imagens inspiradoras, que formam um estado de espírito, uma atmosfera ou clima. Os “Mood boards” podem incluir imensos aspectos relativos ao projecto como as cores, texturas, lettering, formas, linhas, tecnologias, entre outros. Também podem ser construídos como mapas de amostras – “Sample boards”. Para serem úteis devem ser construídos nas fases iniciais do processo projectual e devem resultar de um processo analítico do problema. Uma grande vantagem, destes painéis, é que não são vinculativos, ou seja, são apenas orientadores e podem nem se ajustar rigorosamente ao produto final.



Na prática, os “Mood boards” podem ter várias utilidades para o designer. Podem ser usados para comunicar intenções, preferências, emoções, contextos ou tendências entre os designers, seus clientes e, até mesmo, com os potenciais utilizadores. São uma forma muito eficaz, porque usam imagens em vez de palavras, para recolher informação para o projecto. Estes painéis constituem verdadeiras fontes de inspiração para o designer, promovendo a criatividade e a inovação mas, de forma orientada e não aleatória. O seu uso, graças ao poder de orientação, pode tornar mais rápido e eficaz o trabalho criativo.

Algumas regras podem ser observadas na construção dos “Mood boards”. Deve ser escolhida uma dimensão e uma orientação para o painel (vertical ou horizontal). De seguida deve ser desenhada uma grelha de construção, ou layout, onde sejam definidas áreas, proporções e linhas de força. O ponto forte do painel, ou o ponto de atracção visual, deve ser reservado para os aspectos essenciais para a transmissão daquela atmosfera ou tendência. Todas as restantes imagens devem ser posicionadas em redor deste ponto de atracção, evidenciando linhas de força visual no painel que conduzam ao ponto central. As proporções entre os diversos elementos, ilustrados no painel, devem respeitar os pesos que se desejam transpor para o projecto. O resultado final deve ser harmonioso, atraente e limpo.

Links para mais informação sobre “Mood boards”:
5 reasons to design with mood boards
Design-skills

29 de maio de 2007

A era do vazio

Lipovetsky, Gilles (1988). A era do vazio. Ensaio sobre o individualismo contemporâneo. Lisboa: Relógio D.’água.


Li este livro quando ainda era estudante e adorei. Agora, quase 20 anos depois, a propósito da vinda de Lipovetsky a Portugal, para participar na conferência “A busca da felicidade", que divulguei ontem, reli-o e voltei a adorar. Espantosamente, continua tão actual como antes. É uma análise muitíssimo interessante da nossa sociedade. O autor fala-nos das novas atitudes, surgidas nas sociedades ocidentais, onde impera a apatia, a indiferença, o narcisismo e das novas relações sociais.


Para Lipovetsky, (…) “a recessão presente, a crise energética, a consciência ecológica não são o toque a finados da sociedade de consumo: estamos destinados a consumir, ainda que doutro modo, cada vez mais objectos e mais informações, desportos e viagens, formação e relações, música e cuidados médicos. É isso a sociedade pós-moderna: não o para além do consumo, mas a sua apoteose, a sua extensão à esfera privada, à imagem e ao devir do ego chamado a conhecer o destino da obsolescência acelerada, da mobilidade, da desestabilização. (…) A cultura pós-moderna é descentrada e heteróclita, materialista e psi, porno e discreta, inovadora e retro, consumista e ecologista, sofisticada e espontânea, espectacular e criativa; e o futuro não terá, sem dúvida, que decidir em favor de uma destas tendências, mas, pelo contrário, desenvolverá as lógicas duais, a co-presença flexível das antinomias (…)”.


Tanto quanto eu posso avaliar, passaram 2 décadas e, esta análise deixou de ser uma antevisão para ser um facto consumado. Espantoso!...


Sobre o autor:

Gilles Lipovetsky Filósofo, Professor na Universidade de Grenoble (França)
Autor com uma extensa obra publicada (
A Era do Vazio; O Luxo Eterno, entre outros) o seu último ensaio é uma reflexão sobre a sociedade de consumo intitulada Le Bonheur Paradoxal. Considerando que se entrou naquilo que o autor considera a era do “hiperconsumo”, o livro analisa a relação “paradoxal” que os indivíduos estabelecem hoje com um universo dominado pelo mercado onde mesmo a esfera do íntimo não lhe parece escapar.

Vale a pena ler e ouvir este autor…

28 de maio de 2007

A busca da felicidade

A felicidade o que é?


Muito embora a própria ciência ainda não tenha a resposta para esta pergunta, todos procuramos a felicidade. Contudo, segundo as mais recentes descobertas da ciência cognitiva, para ser feliz, nada melhor do que pensar em sê-lo.

De facto, nós podemos moldar o nosso cérebro. O que significa que, a sua estrutura possui notáveis capacidades de “neuroplasticidade” e irá, portanto, reflectir a vida que levámos. Na prática, isto significa que se pensarmos que somos felizes, o nosso cérebro irá materialmente transformar-se em resultado desses pensamentos e seremos, de facto, mais felizes…

A felicidade e as “emoções positivas” são o tema de debate na conferência “A busca da felicidade” irá decorrer no final desta semana (entre os dias 31 de Maio e 2 de Junho), na Culturgest em Lisboa.


Esta conferência pretende, dar eco de alguma da reflexão que tem vindo a ocorrer sobre esta temática focando-se, essencialmente, nos seguintes tópicos:

(...)
  • o que sabemos hoje, do ponto de vista científico, sobre a «felicidade» e como podemos olhar para ela à luz da história da ideia de felicidade como ela existiu no passado;
  • como é que esse conhecimento cientifico se tem desenvolvido na perspectiva de compreender não só porque é que alguns indivíduos são mais «felizes» que outros, mas também porque é que há países mais «felizes» do que outros;
  • que impactos é que os conhecimentos adquiridos pela ciência estão a ter nas empresas e nas organizações em geral na perspectiva de uma estimulação das «emoções positivas»;
  • de que forma o pensamento económico está a integrar este conhecimento sobre o papel dos «estados afectivos» nos seus modelos tradicionais;
  • que reflexos encontramos nas novas práticas sociais e culturais contemporâneas. (...)

A entrada é livre… aproveitem e sejam felizes!!!...


Link: http://www.culturgest.pt/actual/programa.html

Prémios Delta’07

Faltam apenas 3 dias para terminar o período de inscrição na 32ª edição dos Prémios Delta.

Podem enviar, exclusivamente por via electrónica, até ao dia 30 de Maio, esta quarta-feira, as candidaturas a este concurso internacional de design de produto, que se destina a premiar o melhor objecto cuja produção se tenha iniciado até ao dia 1 de Abril de 2007 e que tenha sido comercializado em Espanha até à data de inicio deste concurso e não anteriormente a 2004.

O concurso é promovido pela ADI-FAD (Asociación de Diseño Industrial - Fomento de las Artes y Diseño).


Para mais informações consulte a página do concurso em www.delta-awards.com


Fonte: CPD

27 de maio de 2007

Sem palavras

Concerto dos Dead Combo na Zé dos Bois



Na qualidade de admiradora do trabalho dos Dead Combo - portanto altamente suspeita - recomendo o concerto que vão realizar na Galeria Zé dos Bois, no próximo dia 1 de Junho às 23.00 horas.

Transcrevo literalmente a notícia retirada do site:

"O fado vadio e western-spaghetti dos muito lisboetas Dead Combo (Tó Trips em “guitarras desajeitadas” e Pedro Gonçalves no “contrabaixo chunga”) regressa à ZDB.
Segundo os próprios, “tocam Lisboa, a cidade do campo, das chaminés e das cúpulas brancas, tudo junto num voodoo de emoções, clichés e histórias entre o Tejo, as estradas do sul, os amantes desencontrados, anjos abandonados nas encruzilhadas do destino, vozes de mulheres, flores com cores trocadas, santos, câmaras ardentes, guitarras despidas, cuspidas e deitadas à rua, contrabaixos em fogo, cartolas, galinhas à solta e coisas que rolam na rua”.
Nos dedos trazem os dois volumes de “Quando a Alma Não é Pequena”, a banda-sonora que compuseram para o filme de Daniel Blaufuks, “Slightly Smaller Than Indiana”, e o muito que ainda está para vir".

Cinema em Cartaz



Exposição patente na Cordoaria Nacional, de 10.05.2007 a 24.06.2007.
Horário: 3ª-6ª: 10h00-19h00; Sab-Dom: 14h00-19h00. Entrada Livre

Esta exposição, comissariada por Adelaide Ginga e Marta Mestre, apresenta cerca de sessenta cartazes de cinema que revelam a diversidade do contexto dos primórdios da indústria cinematográfica internacional.
Doado ao Museu Municipal de Faro por Joaquim António Viegas, este acervo trazido agora a Lisboa dá a conhecer imagens ligadas a filmes do cinema mudo internacional (sendo o exemplar mais antigo de 1904 e o mais recente de 1916) e também revela duas artes populares: por um lado, os cartazes que trouxeram a ilustração artística para as ruas; por outro, aquela que viria a ser a 7ª arte, ainda em gestação, com o predomínio do cinema europeu e o despontar do cinema norte-americano.
A exposição Cinema em Cartaz é composta por seis núcleos temáticos que, apesar de poderem ser lidos autonomamente, permitem tecer fios de continuidade através dos autores, dos países de produção e das técnicas litográficas. A caminho da 7ª Arte, Do Palco ao Ecrã, Da graça à desgraça, da antiguidade à actualidade, Silêncio…Acção!, Norte, Sul, Este, Oeste e Os Incompletos, são os núcleos que, juntamente com uma pequena sequência com excertos de filmes da época e documentos pertencentes a Joaquim António Viegas, formam o conjunto desta exposição.

26 de maio de 2007

Design quotes

“...constraint breeds creatively. Difficult situations breed astonishing results.”
Jeffrey Veen, Adaptive Path.

25 de maio de 2007

Suitecase Bike

O designer israelita Gosh Galitsky é um entusiasta das bicicletas, como ele afirma na sua página pessoal, preocupado em encontrar uma solução que facilite o transporte das bicicletas dentro dos transportes públicos. Na tentativa de reduzir o espaço necessário para o transporte, ele concebeu um protótipo de uma bicicleta dobrável que, depois de fechada, ocupa o espaço de uma vulgar mala de viagem. Curiosamente, a roda da frente fica fora da “mala” e serve para facilitar a sua própria movimentação.




Este projecto estava a ser desenvolvido por Galitsky, no âmbito de um trabalho de curso, na Bezalel Academy of Art and Design em Jerusalém mas, actualmente, já está em fase de produção na China. A ideia da SuitcaseBike foi utilizada por uma empresa chinesa, que a exibiu na Canton Fair e que a vai produzir por US$ 399.



Infelizmente parece haver algumas dúvidas sobre a autoria deste projecto pois, não há nenhuma referência ao designer Galitsky na informação disponibilizada pela empresa chinesa... Todos sabemos como é sensível e ténue a linha que separa a criatividade do plágio. Na maioria das vezes, basta uma pequena modificação ao protótipo para que seja impossível provar o “roubo” da ideia. Quase sempre, a cópia é inferior ao original. Neste caso, cópia ou não, o protótipo de Galitsky agrada-me muito mais...


Está disponível no YouTube um pequeno vídeo promocional que demonstra como a bicicleta abre e fecha.


Em todo o caso, eu adoraria ter uma destas bicicletas…

24 de maio de 2007

Resolução de problemas e criatividade II

Faz hoje uma semana que lancei um pequeno desafio aos leitores deste blog. Com pena minha, até hoje, ninguém quis responder. Talvez considerem desinteressante participar neste tipo de iniciativas, não sei… De qualquer forma, tal como aconteceria em qualquer secção de passatempos da imprensa escrita, vou apresentar a solução ao pequeno desafio apresentado.

Aqui vai…a solução:

Eu, tal como a maioria das pessoas, tentaria resolver este problema procurando encontrar uma forma de me mover na direcção das cordas, para as tentar agarrar e juntar. Contudo, essa tentativa conduz-nos a um beco sem saída pois, é evidente que isso é impossível. Uma alternativa com mais potencial de sucesso mas, aparentemente mais remota, é encontrar uma forma de fazer com que uma das cordas se mova na nossa direcção. Para fazer mover uma das cordas podemos, por exemplo, amarrar um dos pincéis e usá-lo como pêndulo. Por estranho que pareça, no problema, não há indiciações que sugiram que deve ser a pessoa a mover-se, todavia, a maioria das pessoas adopta essa estratégia assumindo que existe uma espécie de restrição. A inclusão desta restrição, injustificada, leva a que o problema pareça insolúvel.

Este é um bom exemplo de como os nossos quadros mentais nos limitam o raciocínio e como estruturamos de forma deficiente os problemas que temos para resolver. Este tipo de problemas, mal estruturados, é designado por problemas de insigth porque, para os resolver, é preciso encontrar uma nova abordagem ou uma nova estrutura mental.

Para quebrar estas molduras invisíveis, que nos restringem o raciocínio, não há nada melhor que praticar novas estratégias... e esse é o grande objectivo deste tipo de "passatempos" ;)

23 de maio de 2007

Twelvetone


Twelvetone - Projecto de Arte e Design Experimental

Fábrica Features 07-05-2007 a 14-06-2007
2ª-Sab: 10h00-20h00
Entrada Livre


Doze jovens vindos de toda a Europa fazem parte deste projecto, assente no conceito de viagem intemporal. Doze participantes, doze visões, uma plataforma colectiva que procura expressar vários pontos de vista sobre diversas áreas de intervenção estética.

A mostra faz parte de um conjunto de 4 exposições que procuram reflectir sobre o passado, presente e futuro da imagem.

Art Buliding

Conceito de Art Buliding chega sábado a Portugal

Percorrendo os olhos pelas notícias on-line, esta chamou-me a atenção:

Quinta-feira, pelas 22:00, vai «cair o pano» que tapa o nº27 da Rua Victor Cordon, prédio que está a ser reabilitado, para deixar a descoberto a obra WAR/WORK, do artista plástico Tiago Baptista.

A ideia partiu de um grupo de sociedades que desenvolvem projectos imobiliários, muitos deles ligados à reabilitação urbana.

«Sentimos a necessidade de fazer mais pela cidade, dar algo à população em troca dos transtornos causados pela execução das obras. Já que não se pode eliminar o transtorno, podemos minimizá-lo com esta iniciativa», explicou à Lusa José Carlos Queirós Carvalho, administrador da Mainside Investments.
O grupo de sociedades pretende criar um «Museu à escala da cidade», utilizando o conceito Art Building nos vários projectos que tem em realização em zonas de Lisboa como os Restauradores, Alcântara, Santos, Santa Catarina, Bairro Alto e o Chiado.

Depois de ter sido escolhida, através de um concurso, a obra que iria «embelezar» o nº27 da Rua Victor Cordon, chegou a altura de pedir o licenciamento da iniciativa à Câmara Municipal de Lisboa, que demorou cerca de seis meses a dar uma resposta (já ninguém se admira, não é?...digo eu!)
«A nossa ideia era começar já com outras intervenções, mas com os atrasos na chegada do licenciamento acabámos por deixar arrastar o processo. No entanto, esperamos que no mais curto espaço de tempo seja exposta outra instalação numa obra dos Restauradores», explicou o responsável à Lusa.
O edifício do Chiado vai estar coberto de redes de camuflagem, «mas não de forma evidente, porque só de perto se perceberá o que é», e na esquina do prédio serão colocadas duas palavras em néon: WAR e WORK (guerra e trabalho), revelou à Lusa Tiago Baptista, o artista plástico responsável pela obra.
«Escolhi as duas palavras com grafia próxima, que à priori têm sentidos opostos, mas que se juntam em muita coisa. São duas coisas que trazem mudança, revolução, e há o trabalho de guerra, como o dos mercenários. Quero que as pessoas pensem sobre o assunto», explicou.
Para Tiago Baptista esta é uma iniciativa «excelente» e «uma questão de arte pública», que foi fruto de um concurso e não um «trabalho encomendado.
«Em Portugal a arte pública está muito confinada ao poder local, às estátuas das rotundas. As cidades precisam de outro género de arte pública», disse à Lusa.

Diário Digital / Lusa
23-05-2007 13:17:33

Conferência sobre usabilidade



> UPA 2007 Conference, “Patterns: Blueprints for Usability,”

Data: 11-15 de Junho de 2007

Local: Austin, Texas, EUA.

Usability Professionals Association



Podem consultar aqui o Programa


e-mail: office@usabilityprofessionals.org


links:

http://www.usabilityprofessionals.org

http://www.usabilityprofessionals.org/conference/2007/

Conferência sobre criatividade e cognição



> 6ª Conferência "Creativity and Cognition"


Data: 13-15 de Junho de 2007,

Local: Washington, EUA.

e-mail: selker@media.mit.edu

link: http://sabrinaliao.com/cc2007/

22 de maio de 2007

MONSTRA - Festival de Animação de Lisboa



De 21 a 27 de Maio no Teatro Maria Matos e no Cinema King

Quer se concorde ou não, com a proliferação de tanta diversidade de Festivais que por aí se andam a realizar (havendo uns mais interessantes do que outros, claro!) para todos os gostos, o certo é que alguns valem a pena, pois trazem a oportunidade de se assistir a eventos únicos.
Porque assim penso, "posto" mais um:

A Monstra – Festival de Animação de Lisboa, homenageia a criatividade e a peculiaridade da cinematografia Rússia.
Um programa com 17 sessões de curtas-metragens, que inclui Tale of Tales, de Youri Norstein, classificado Melhor Filme de Animação de Todos os Tempos, e retrospectivas de alguns dos melhores cineastas do género, compõem o trajecto pela cinematografia do país chaneira da animação.
A Monstra destaca-se também pela secção competitiva de longas-metragens e a habitual Monstrinha para os mais pequenos. Mas a 6ª edição do festival que celebra a animação não se esgota no cinema, convergindo no mesmo espaço outros media e outras artes: música, performances, pintura, debates e artes plásticas.

Mais informações:
Internet: www.monstrafestibal.com

Beautiful Evidence

Tufte, Edward R. (2006). Beautiful Evidence. Graphics Pr.
ISBN-10:
0961392177; ISBN-13: 978-0961392178

Acabei de juntar este livro à minha lista de compras.

Através da informação a que tive acesso e pela qualidade dos livros anteriores de Tufte acredito que valerá a pena ler esta obra…

"Science and art," according to Tufte, "have in common intense seeing, the wide-eyed observing that generates empirical information." This book is about how that seeing turns into showing. Tufte, professor emeritus at Yale University and author of three previous widely praised books on visual evidence, displays outstanding examples of the genre. One of the most arresting is Galileo's series of hand-drawn images of sunspots. A colleague of Galileo, the author tells us, said that the astronomer's drawings «delight both by the wonder of the spectacle and the accuracy of expression.» That, Tufte says, is beautiful evidence”.
Editors of Scientific American

"Edward Tufte's Beautiful Evidence is a masterpiece from a pioneer in the field of data visualization. His book in brilliant. The Galileo of graphics has done it again. It's not often an iconoclast comes along, trashes the old ways, and replaces them with an irresistible new interpretation. By teasing out the sublime from the seemingly mundane world of charts, graphs, and tables, Tufte has proven to a generation of graphic designers that great thinking begets great presentation. In Beautiful Evidence, his fourth work on analytical design, Tufte digs more deeply into art and science to reveal very old connections between truth and beauty -- all the way from Galileo to Google."

Business Week, Best Innovation and Design Books for 2006

Mais informações em: http://www.edwardtufte.com/tufte/books_be

21 de maio de 2007

Jovens criadores 2007



(…) O concurso "Jovens Criadores" é uma organização conjunta da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto (SEJD), do Instituto Português da Juventude (IPJ) e do Clube Português de Artes e Ideias (CPAI).

Visa incentivar e promover valores emergentes de diferentes áreas artísticas.

As áreas a concurso são:

  • Artes Plásticas
  • Banda Desenhada
  • Ciber Arte
  • Dança
  • Design de Equipamento
  • Design Gráfico
  • Fotografia
  • Ilustração
  • Joalharia
  • Literatura
  • Moda
  • Música e
  • Vídeo.

Do concurso resultará uma selecção de projectos que será apresentada numa Mostra Nacional e na qual serão indicados os representantes portugueses para um evento de carácter internacional.

A Mostra Nacional constará de:

  • Exposição dos trabalhos das áreas de Artes Plásticas, Banda Desenhada, Ciber Arte, Design de Equipamento, Design Gráfico, Fotografia, Ilustração e Joalharia
  • Apresentação de espectáculos nas áreas da Dança e Música
  • Apresentação de uma Mostra de Vídeo
  • Realização de um Desfile de Moda
  • Realização de um Café Literário
  • Amostras JC

Algumas condições para participação no Concurso

  • 01. Os concorrentes deverão ter nacionalidade portuguesa ou residir em território nacional.
  • 02. Os concorrentes poderão apresentar-se
    individualmente ou em grupo.
  • 03. Podem concorrer jovens com a idade limite de 30 anos, à data de 31.12.2006.
    Nos projectos colectivos admitem-se concorrentes com idade até 35 anos à data de 31.12.2006, sempre que a média de idades do grupo não ultrapasse os 30 anos.
  • 04. A inscrição no concurso está sujeita, obrigatoriamente, ao pagamento de uma taxa de inscrição no valor de 15,00 Euros, em cheque endossado ao CPAI, acompanhada pelo preenchimento da ficha de inscrição,
    assim como pela entrega de um dossier de candidatura com a informação e materiais solicitados, referentes à obra a concurso.

Data limite para inscrição no concurso: 28 de Maio de 2007.

Para obteres mais informações acede aqui ao Regulamento do concurso.

Informações complementares em:

http://juventude.gov.pt/Portal/Programas/
ProgJovensCriadores/
. (…)

19 de maio de 2007

Design quotes

“Designers solve problems for clients. Artists solve problems for humanity. The latter is the greatest problem.”
John Maeda.

18 de maio de 2007

Festival Creamfields



(Uma outra experiência!)

19-05-2007 a 19-05-2007
Concelho: Lisboa
Web Site:
http://www.creamfields-lisboa.pt/

O Creamfields foi realizado pela primeira vez no Reino Unido há 10 anos atrás.
Inicialmente era um festival dedicado exclusivamente à música electrónica, mas depressa se alargou para um público mais vasto, da mesma forma que o próprio festival se espalhou um pouco por todo o mundo, tendo já um spot em alguns países como a Argentina, Turquia e Polónia.
Criatividade, Independência, Natureza, Comunidade, Limites e Experiência são os conceitos que estiveram na base para a criação do Creamfields Lisboa 2007.
Dentro do Creamfields terá lugar a edição deste ano do “Olá Love2Dance”, um dos eventos de dança mais mediáticos que se realizam no nosso país. Já no "Stratosphere", vai ser possível dançar no interior de uma bolha gigante, sob um espectáculo multimédia imersivo.
Outro ponto alto do festival será o Dinner in the Sky: uma mesa de jantar com 22 lugares, suspensa a uma altura de 50 metros.

Yamaha Divide





A marca nipónica Yamaha já nos vem habituando às suas fantásticas motas, sempre de linhas arrojadas e velozes, fazendo as delícias dos amantes da velocidade em 2 rodas. Eu nunca tive nenhuma Yamaha porque, o conforto nunca foi um dos critérios mais importantes para esta marca. Aliás, quase todos os modelos de estrada são de posição de condução muito agressiva. Para além disso, o lugar do pendura é quase inexistente e sempre muito sacrificado. No entanto, o design desta marca é muito activo e de qualidade. Prova disso são as constantes inovações que vão sendo apresentadas. Fiquei fascinada ao observar esta pequena motorizada, designada de Yamaha Divide. Para além do seu design muito atraente, possui características que a tornam muito apetecível para as nossas cidades. Esta motinha eléctrica é amiga do ambiente e ainda tem a vantagem de se dobrar ao meio para facilitar o armazenamento e transporte. O seu motor, que funciona directamente na roda traseira, não precisa nem de gasolina nem de óleo.

Apesar de ser ainda um protótipo, com produção agendada para breve, muitos já a consideram uma verdadeira obra de arte.

Verdadeiramente inspiradora…

17 de maio de 2007

Dia Internacional dos Museus



18 de Maio - Dia Internacional de Museus

Não tem programa para este fim de semana que se avizinha quente?...então passe-o refrescando-se com um banho de cultura:

Museus e Património Universal é o tema que o ICOM – Conselho Internacional de Museus propõe este ano para as celebrações do 18 Maio, Dia Internacional dos Museus.

A proposta de reflexão do ICOM, questiona o papel dos museus na preservação, estudo, documentação, valorização e comunicação de um património comum da Humanidade num mundo culturalmente tão diverso.

Em Portugal, os museus dependentes do Instituto dos Museus e da Conservação e os restantes museus integrados na Rede Portuguesa de Museus associam-se a esta data oferecendo-lhe uma série de iniciativas que o convidarão a visitar os museus de forma diferente.

A palavra de ordem é: Junte-se aos nossos museus e celebre connosco esta festa verdadeiramente universal ! A entrada é gratuita. Apareça !

O Instituto dos Museus e da Conservação lança, no âmbito desta comemoração o primeiro número da nova revista museologia.pt, publicação periódica dedicada a temas da actualidade dos museus. Neste número encontrará um dossiê central sobre Museus e Arquitectura.

Aproveita ainda esta oportunidade para lançar novas publicações como os 2 volumes das Normas de Inventário, Cerâmica (Artes Plásticas e Artes Decorativas), Tecnologia Têxtil ( Etnologia), o Catálogo de Publicações do IPM ( 1992 – 2007) e 40 anos do Instituto José Figueiredo.

No dia 18 de Maio decorrerá a partir das 15h00 no Museu Nacional do Teatro, a inauguração da exposição com os trabalhos premiados do Concurso “A minha escola adopta um museu” e a entrega de prémios aos alunos distinguidos.

Ao longo do dia 18 de Maio, decorrerá uma jornada de portas abertas no Palacete Pombal, na Rua das Janelas Verdes, n.º 37, em Lisboa, que acolherá os visitantes que quiserem conhecer de perto a área da Conservação e Restauro do IMC.

Os museus nacionais comemoram ainda a Noite dos Museus, este ano a 19 de Maio que se estende a vários países europeus, abrindo as suas portas fora de horas e onde a magia da noite lhe permitirá gozar de maneira especial a oferta cultural destes espaços.

Resolução de problemas e criatividade I

É quase um lugar comum afirmar-se que o design é uma actividade de resolução de problemas, onde é necessária imensa criatividade. Na realidade, esta afirmação é bem verdade…

Designers, ou não designers, empenham-se na resolução de problemas quando precisam de superar algum obstáculo, para responder a uma pergunta, ou, para alcançar um determinado objectivo.

Se a resposta, ao nosso problema, existir na memória, então, não teremos um problema. Mas, se isso não acontece, então, iniciamos aquilo que foi designado por “ciclo de resolução de problemas”. As etapas deste ciclo são:

identificação do problema;
definição do problema;
construção de uma estratégia para resolução do problema;
organização da informação sobre o problema;
distribuição de recursos;
monitorização e resolução do problema;
avaliação da resolução do problema.

Nos problemas do quotidiano este ciclo é muito flexível, podemos saltar etapas, reorganizar a sua sequência, repetir etapas, ou executá-las de forma interactiva.

Contudo, nem sempre somos capazes de resolver, com sucesso, os nossos problemas. A Psicologia Cognitiva apresenta diversas explicações para tal facto. As razões são diversas e podem ser tão óbvias como o não reconhecimento de um problema, a nossa configuração mental, os problemas estarem mal definidos ou mal estruturados, etc…

Porque acho este tema fascinante e porque considero que podemos melhorar o nosso desempenho, se soubermos como a nossa mente funciona, hoje inicio um ciclo de pequenos posts dedicados a esta temática.

À laia de pequena provocação, aqui fica um desafio para tentarem resolver:

Vocês estão ali, de pé, no meio daquela sala. Do tecto pendem 2 cordas. O vosso objectivo é amarrar as 2 cordas uma na outra. Porém, elas são demasiado curtas e estão afastadas o suficiente para que não seja possível agarrá-las em simultâneo. No chão da sala estão pincéis limpos, uma lata de tinta e uma lona pesada.

Como é que irão conseguir amarrar as 2 cordas?

16 de maio de 2007

Electrolux Design Lab 2007



Ai está mais uma edição, a quinta, do já famoso concurso de design “Electrolux Design Lab”.
Este concurso desafia os estudantes de design, de todo o mundo, a criar um electrodoméstico que incentive estilos de vida mais saudáveis e ecológicos. A ideia é conseguir que o design vá para além de se limitar a dar um uso mais eficiente aos materiais e recursos disponíveis. Ou seja, os produtos criados devem incentivar os utilizadores a adoptar comportamentos mais sustentáveis.

Os finalistas ganharão uma viagem, com tudo pago, a Paris, França. O vencedor ganhará 5.000€ e uma bolsa de estudo, de 6 meses, no Global Design Center da Electrolux.

Poderão inscrever-se no site Electrolux Design Lab .
As submissões estão abertas até ao próximo dia 1 de Agosto de 2007.

Inscrevam-se já!
Vamos torcer para que entre os finalistas, desta edição, esteja um Português!...

15 de maio de 2007

Enciclopédia do Design

Byars, Mel (2004). Design Encyclopedia. The Museum of Modern Art, New York.
ISBN-10:
087070012X; ISBN-13: 978-0870700125.
(versão em inglês)

Vai ser lançada em Junho de 2007, pela Editora Unisinos, no Brasil, a tradução para português da Enciclopédia do Design compilada pelo historiador Mel Byars.

Considerada, por muitos, como a obra mais completa no seu género é, sem dúvida, uma das referências mais completas sobre a história do design. Nesta obra, que abarca o design de 1870 até à actualidade, são apresentadas cerca três mil e quinhentas de entradas sobre designers, ateliers, estúdios, períodos históricos, tendências, materiais, entre outros, acompanhadas por mais de 700 ilustrações.


Link: www.unisinos.br/editora

14 de maio de 2007

Translations in Tupperware 2007


Até ao próximo dia 31 de Agosto de 2007 estão abertas as submissões de ideias para o concurso Translations in Tupperware.

Os participantes devem usar os produtos da Tupperware como fonte de inspiração para criar, quer uma peça de arte ou um produto funcional. Devem manter em mente a noção de que, a Tupperware, simboliza soluções inteligentes e design de qualidade, na área dos produtos para armazenamento de comida.

Os prémios incluem uma viagem, para 2 pessoas, a Nova Iorque, $2,000 e o seu trabalho exibido num evento público. Cada país escolherá o seu vencedor em cada uma das seguintes categorias: moda; formas livres e objecto utilitário. Os vencedores de cada país serão, posteriormente, avaliados pelo júri do concurso, em Nova Iorque.

Link: http://www.translationsintupperware.com

12 de maio de 2007

Design quotes

“No design can exist in isolation. It is always related, sometimes in very complex ways, to an entire constellation of influencing situations and attitudes. What we call a good design is one which achieves integrity – that is, unity or wholeness – in balanced relation to its environment. The reason good design is hard to come by is that its creation demands a high degree of emotional and intellectual maturity in the designer, and such people are not found too often.”

George Nelson.

11 de maio de 2007

O primeiro cartaz foi criado para... uma "casa de meninas"!

OS ANTEPASSADOS
Pode ser difícil de imaginar, mas a origem da publicidade remonta a tempos tão longínquos como a da escrita. Na antiga Mesopotâmia, as vitórias dos grandes reis eram frequentemente publicitadas por todo o território, através de inscrições nas fachadas dos templos com relatos dos seus feitos. No entanto, os primeiros indícios de genuína publicidade comercial encontram-se na época clássica romana, com sinalética anunciando espectáculos da mais variada espécie.
A tabuleta, instrumento fundamental da publicidade e antepassado do cartaz, floresceu depois da Idade Média, evoluindo para formas elaboradas e verdadeiramente artísticas, penduradas no exterior das lojas. Estas tabuletas eram herdeiras directas dos estandartes, escudos e brasões de armas usados séculos antes em tempos medievais.
A revolução deu-se com a invenção da tipografia. Assim, no século XV surgem as primeiras "folhas volantes", daqui surgindo a popular denominação inglesa "flyer".

O PRIMEIRO CARTAZ?
O primeiro cartaz de que há memória foi impresso em Paris no ano de 1482 e era de carácter religioso. Desde essa altura até meados do século XIX, não se verificaram alterações significativas, dado que os anúncios recorriam fundamentalmente a texto corrido, sem técnicas gráficas apuradas.
Com o advento da litografia a cores, na segunda metade do século XIX, abrem-se novas possibilidades. Artistas plásticos de renome, como Jules Chéret e Alphonse Mucha, exploraram bastante este suporte, definindo as primeiras regras de paginação e tipografia. Jules Chéret é de facto considerado o pai do cartaz moderno.

DOCE BOÉMIA DE PARIS
No entanto, um dos nomes mais influentes deste período é o de Toulouse-Lautrec. Boémio incurável, o tema principal das suas pinturas era a vida noturna parisiense. Não tardou muito para que as suas composições dinâmicas, de traço satírico e arrojado uso da cor, dessem nas vistas, ficando famoso o seu primeiro trabalho para o célebre cabaré "Moulin Rouge", do qual era frequentador assíduo.
Apesar de polarizador de opiniões, Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes, definindo o estilo que seria conhecido como Arte Nova.

O ETERNO RESISTENTE
Depois da Primeira Guerra Mundial, a publicidade entrou na sua idade adulta e, apesar do aparecimento de novos suportes, como o néon, o cinema, a rádio, a televisão e, mais recentemente, a Internet, o cartaz nunca perdeu o seu lugar de destaque como ferramenta publicitária. Sobrevive porque é capaz de reflectir e adaptar-se a diferentes correntes artísticas, políticas ou sociais.

10 de maio de 2007

Teoria dos Geons

É extraordinária a capacidade que os humanos possuem para, numa ínfima fracção de tempo, compreender objectos, ou imagens novas, nunca antes vistas. Existem várias explicações para este fenómeno mas, uma que acho muito interessante é a chamada “Geons Theory”, também conhecida por Teoria da Descrição Estrutural ou por Teoria do Reconhecimento por Componentes, proposta por Irving Biederman (1987).

Biederman formulou a hipótese de que podemos compreender, ou, configurar representações mentais de objectos tridimensionais, considerando apenas algumas formas geométricas simples. Ou seja, Biederman propõe que todos os objectos podem ser reduzidos, na sua estrutura mais básica, a uma composição de formas primitivas, que ele designou por geons (geometrical ions), como cubos, cilindros, cones, esferas, entre outros. A compreensão desta composição de formas geométricas permitirá reconhecer o objecto perante o qual estamos. Como estes geons são simples e invariantes quanto à sua orientação (parecem sempre iguais em qualquer ângulo de visualização), são de fácil discriminação, resistem bem à poluição visual e são parcimoniosos (poucos geons podem criar objectos complexos), os objectos podem ser facilmente reconhecidos em qualquer posição e mesmo quando estão parcialmente degradados ou ocultos.

Uma evidência, que demonstrou a importância dos geons para o reconhecimento dos objectos, resultou da comparação do sucesso de identificação de objectos que tinham sido parcialmente ocultados. Sempre que foram ocultadas partes significativas para o reconhecimento dos geons, a identificação dos objectos ficou grandemente comprometida…

Algumas questões, relacionadas com esta teoria ainda estão em aberto, como a forma de descrição das relações entre as partes de um objecto, a comparação com a teoria do protótipo, os efeitos das expectativas prévias e do contexto. Mas, apesar desta teoria ainda estar a ser investigada, os resultados, das diversas pesquisas em curso, têm-se revelado muito promissores.

A psicologia cognitiva é, de facto, uma área espantosa e de extrema importância para o design… merece um pouco da nossa atenção!

Biederman, I. (1987) Recognition-by-components: a theory of human image understanding. Psychol Rev. 1987 Apr;94(2):115-47.

9 de maio de 2007

Creative Waves 2007



Sou acérrima defensora do design vocacionado para melhorar as condições de vida, assim como de metodologias projectuais fortemente colaborativas e multidisciplinares. Como é óbvio, quando encontro exemplos destas práticas, faço questão de os louvar. Nesse sentido, hoje quero divulgar uma iniciativa, deste tipo, que considero muito interessante e que dá pelo nome de Creative Waves 2007, Visualising Issues in Pharamacy. Este projecto, promovido pela Omnium, Austrália, tem por objectivo conceber campanhas de divulgação de informação, ligadas à área da saúde, focando aspectos como a malária, a tuberculose, imunização e doenças transmitidas sexualmente. Neste momento estão 50 estudantes de Design de Comunicação e 50 estudantes de Farmácia, professores e outros colaboradores, a trabalhar em conjunto para resolver este desafio. A iniciativa tem a duração de 3 meses e terminará no próximo mês de Junho de 2007. Todo o processo é feito inteiramente on-line, o que vem demonstrar, mais uma vez, a quão poderosa é esta ferramenta para o ensino e para a aprendizagem. As campanhas concebidas desta forma serão, posteriormente, aplicadas na província de Nyanza, no Quénia.

Participar numa experiência como esta deve ser muito enriquecedor e verdadeiramente fascinante. Mas, infelizmente, já tive conhecimento desta iniciativa muito tarde, pelo que não poderei participar nesta edição. Também, a questão fulcral seria saber se, os meus alunos, estariam dispostos a alinhar nisto a sério. Quando digo a sério era estarem envolvidos de coração e alma e não porque algum professor assim o decidiu...
Tenho algumas dúvidas mas, gostava de estar enganada...
Fica para a próxima!

8 de maio de 2007

Criar valor pelo design

Marzano, Stefano (1999). Creating Value by Design: Thoughts and Facts. Antique Collectors' Club.
ISBN-10:
0853317577; ISBN-13: 978-0853317579

Da autoria de Stefano Marzano, um dos maiores designers da actualidade, este compêndio, em dois volumes, oferece-nos uma visão única dos processos de design de produto. O volume I reúne os ensaios mais recentes de Marzano sobre o design do futuro, o strategic design, identidade corporativa e design para a sustentabilidade. Outros temas, como a participação dos consumidores no processo de design e o papel do design na relação entre a tecnologia e a cultura, também são abordados. O volume II apresenta a ilustração desses temas através dos projectos de Marzano e sua equipa.

Um excelente manual para estudantes de design.

7 de maio de 2007

Imagem gráfica para os 50 anos da FBB

A Fundação Bissaya Barreto pretende seleccionar uma nova imagem gráfica que seja o símbolo oficial das comemorações dos seus 50 anos. Para isso, lançou um concurso destinado a estudantes Portugueses, ou residentes em Portugal, que estejam a frequentar, no ano lectivo 2006/7, cursos de design de comunicação/gráfico e/ou licenciados desde 2003, nas mesmas áreas ou outras equivalentes. Os participantes só poderão participar a título individual e apresentar, no máximo, três propostas.

Datas: as propostas podem ser entregues até ao próximo dia 15 de Junho de 2007.

Prémios: o vencedor do concurso, receberá um prémio de € 2.500,00 (dois mil e quinhentos euros). Aos 2º e 3º classificados será atribuído um prémio de € 1.500,00 (mil e quinhentos euros) e € 1.000,00 (mil euros), respectivamente. Os restantes autores do grupo seleccionado para a Fase 2 receberão um diploma de participação no concurso e um prémio não monetário.

Regulamento: http://www.fbb.pt/uploads/FBB_regulamento.pdf

As propostas podem ser entregues, em mão ou por correio, nos seguintes locais:

Instituto Superior Bissaya Barreto
Campus do Conhecimento e da Cidadania
Bencanta – Apartado 7049
3046-901 COIMBRA

Centro Português de Design
Pólo Tecnológico de lisboa, Rua D – n.º 9
1600-485 LISBOA

6 de maio de 2007

Sob o Lema do Humor e da Ironia



«Sob o Lema do Humor e da Ironia» - Colecção Francisco Capelo

MUDE - Museu do Design e da Moda

Largo de St. António à Sé, 22, Lisboa.

De 16-04-2007 a 31-05-2007, 2ª-6ª: 10h00-18h00

A mostra «Sob o Lema do Humor e da Ironia», é a primeira de uma série de pequenas apresentações temáticas a partir da Colecção Francisco Capelo.

Uma selecção de 10/12 peças é apresentada e contextualizada de modo a sublinhar diferentes perspectivas do design. Quando os designers exploram o lado comunicacional do design criam peças que manifestam um humor inteligente e irreverente. Esse humor instala, progressivamente, a surpresa, o riso e o desejo. Estamos perante trabalhos que vivem entre o insinuado e o exposto, o afirmado e o sugerido, convocam o lúdico, deixando um vasto campo à fantasia e imaginação.

É só rir!



Notícia publicada em 06.05.07, foto: Punit/Paranjpe/Reuters

"São membros de clubes de riso. Centenas de idosos indianos juntaram-se em Bombaim para uma mega competição da gargalhada. Estes adeptos da boa disposição acreditam que o riso é a melhor terapia para uma vida feliz e saudável".

Comentário:

Aprendam que tristezas não pagam dívidas! Os orientais são detentores de grande conhecimento ancestral... Será que como era uma competição os perdedores se riram imenso?

Com a pobreza e as desigualdades existentes neste País, ainda há quem tanto ria...e nós andamos por aqui cabisbaixos a ficarmos verdes de tanto vociferar contra tudo o que por aqui se passa...talvez seja mais inteligente rir!

É mesmo outra cultura!!!

Mundo Mix PT regressa a Lisboa



Mundo Mix PT regressa a Lisboa a 12 de Maio
(Para um fim de semana diferente)


O Mundo Mix PT regressa ao Castelo de São Jorge, em Lisboa, a 12 de Maio.
À semelhança dos anos anteriores, o evento, que reúne novos talentos da cultura urbana, prolonga-se até domingo (dia 13).
A entrada é gratuita.

Na sua 13ª edição, o Mundo Mix PT vai trazer ao Castelo de S. Jorge, entre as 14:00 e as 22:00, mais de 100 participantes, dos quais a grande maioria são novos talentos em diferentes áreas criativas, nomeadamente acessórios, moda, joalharia, decoração, pintura, ilustrações e fotografia.
Além dos novos talentos, o evento inclui ainda música e cinema. O «Palco Antena 3» vai contar com actuações dos The Poppers, DaPunkSportif e Tchakare Kanyembe.

Os sons afrobeat dos Tchakare Kanyembe enchem o castelo no sábado, a partir das 18:00. DaPunkSportif e The Poppers sobem ao «Palco Antena 3» no domingo às 18:00 e às 19:00, respectivamente.
A par destas actuações ao vivo, o ambiente vai ser animado por Xana Guerra a partir da sua «Cabine DJ Metro».
No que respeita ao cinema, a «Caixa de Cinema» é um espaço para projecção de curtas-metragens produzidas por jovens talentos nacionais.

Uma das novidades para 2007 é a edição do CD coordenado por Xana Guerra, intitulado «Mundo Mix PT: Mercado». O álbum vai estar à venda por 5 euros, valor que reverte para a Operação Nariz Vermelho.

Sem palavras

5 de maio de 2007

Design quotes

“What's dangerous is when designers use a language that people can't understand.”
Paula Scher

4 de maio de 2007

1ª Conferência “Reflexões sobre design”

«Uma abordagem ao Design e à Comunicação, ao que se vê e se lê, à imagem enquanto veículo de informação, às novas tecnologias como impulsionadoras de novas criações e ao cidadão comum e à sua visão do trabalho dos Designers»

Segundo a organização, os objectivos desta conferência são:

> Abordar o design enquanto ferramenta e processo de criação de ideias e de objectos;
> Esclarecer dúvidas através dos temas que irão ser tratados e que são sentidas no universo dos profissionais e alunos da área do Design;
> Criar novas perspectivas através da experimentação e do contacto com outros profissionais;
> Partilhar experiências várias através da interacção conferencista/público;
> Levar o Design ao cidadão comum como parte integrante da sua vida quotidiana;

O essencial do programa:

>Design Português – Que identidade?
Nuno Coelho: “Pensa Global, Actua Local – O Design vernaculista”;
Coisas com História;

>Sabes Ler? A importância da tipografia para a compreensão da mensagem.
Paulo Heitlinger: “50 anos de helvética – e agora?”
La Salete de Sousa: “O Objecto caracteres tipográficos e sua
dissecção semântica”.

> Novas Competências: Tecnologia + Criatividade
Pedro Silva – “Interfaces Ludológicas”;
Nélio Códices – “Novas tendências no desenvolvimento de videojogos”
Projecto “Motion Graphics//Escola Restart”.

Informações úteis:

Data do evento: Quinta-Feira, 31 de Maio de 2007
Local: Almada, Forum Romeu Correia, Auditório Fernando Lopes-Graça
Inscrições: on-line 7,50€, no local da conferência: 15€

Link:
http://www.markfairs.com/conferencia/

Healthy Air – Better Work 2007

“Healthy Air – Better Work 2007”

Não é preciso ser especialista para compreender o impacto negativo que as variáveis ambientais, quando se apresentam desajustadas, exercem sobre o bem-estar, a segurança e a saúde do Homem. Mas, é preciso juntar diversos especialistas para diagnosticar o que está mal, ao nível das variáveis ambientais, e apresentar propostas para corrigir esses desajustes. Nesse sentido e para ajudar todos os envolvidos na concepção de envolvimentos interiores foi pensada a WorkAir 2007 que, será a primeira conferência internacional cujo tema principal é a qualidade do ar interior e as condições ambientais dos envolvimentos de trabalho. Esta conferência, que terá como lema: “Healthy Air – Better Work 2007” decorrerá em Helsínquia, Finlândia, entre os dias 29 e 30 de Maio de 2007.


A conferência tem como grande meta discutir as questões científicas mas, também, as questões dos projectos dos ambientes. Portanto, assistir a este evento será uma mais valia também para os arquitectos e designers de interiores.

3 de maio de 2007

Tão pequeno e tão mau!...



Derivado a uma avaria nas antenas dos portões, do meu prédio, tivemos que substituir todos os comandos de abertura à distância. Até aqui nada de especial mas, o pior foi quando fui buscar o novo comando. Para além do preço do dito, quase 30€ cada um, fui obrigada a trocar um produto que era razoável por um mau produto. É claro que não adianta explicar, aos responsáveis do condomínio, porque razão aquela coisinha inofensiva é um bad design…

É verdadeiramente surpreendente como se consegue fazer tanta asneira num produto tão pequeno. Se me perguntassem, hipoteticamente, quais as possibilidades de um projecto deste tipo desrespeitar as mais básicas regras da usabilidade, eu diria poucas. Pois, se o dissesse, estava a errar. Isto só vem revelar que, infelizmente, há por aí muitos designers que não sabem o que fazem…

Mas vamos à análise do dito comando:

Vendo-o suspenso, dá ares de porta-chaves mas, as affordances que ele nos transmite são contraditórias, o que nos leva a hesitar na forma como lhe devemos pegar. O que é grave.

É inteligível que o botão de accionamento está naquela zona amarela. Essa informação é reforçada pela cor e pela forma, que se adequa ao dedo polegar. Mas, quanto ao sentido, ou orientação, do manuseamento, existem pistas opostas. Por um lado, recebemos pistas do lettering do logótipo e da luz avisadora, que está à esquerda do logo. Sendo que, a informação de orientação, ainda é reforçada por aquela oval que forma um bico. Por outro lado, recebemos a informação dada por uma seta, que está no outro topo (a vermelho) e que aponta para a direcção oposta. Reparem que, se lhe pegarmos desta forma, ao accionarmos o comando não iremos poder observar se a luz avisadora se acende. Este feedback, embora discreto, tem papel fundamental na usabilidade do produto, porque serve para nos confirmar que a acção está a decorrer. Dado existir um período de latência, entre o accionar e o portão se começar a mover, esta luz impede que se continue a carregar, sucessivamente, no comando podendo, dessa forma, parar a abertura. Para ajudar a confundir a decisão temos que pensar também na corrente do porta-chaves. Isto porque, não é nada natural apontar com uma corrente suspensa na ponta. O natural seria a corrente ficar dentro da mão. O que remete um manuseamento de sentido inverso…

Não é preciso fazer um grande estudo para compreender a interacção que está em jogo no uso deste aparelhito. Mas, é preciso pensar nela com algum bom senso. Por estas e por outras é que o designer deve socorrer-se de metodologias de análise robustas…

Para concluir devo dizer que, sinceramente, não sei como devo usar o meu comando. Felizmente, ele parece funcionar bem independentemente da forma como lhe pego. Mas, que é um bad design lá isso é!!!