10 de junho de 2008

Vemos o que sabemos…

Este país está tão irreal que, este ano, decidi celebrar o dia de Portugal falando sobre ilusões de óptica. Não, não é brincadeira. É bem séria esta minha fuga da realidade pois, já que não posso acreditar no que vejo todos os dias, só posso atribuir, tal facto, à minha visão manhosa ;-)

Pelo menos, desta forma, vou mantendo a minha sanidade mental...


Selos Suecos com figuras impossíveis (década de 80 do Séc. XX).

A visão é um processo tão fundamental, tão instantâneo, tão fácil que presumimos que ela ocorre naturalmente e de forma fidedigna. Mas, não podíamos estar mais enganados. Por detrás dessa aparência eficaz e eficiente, a nossa visão é, na verdade, um processo com elevado potencial para a falha. Ela está dependente de regras, de uma inteligência visual, que demoramos anos a construir. Ela interage, de forma intensa, com os conhecimentos adquiridos, raciocínios, emoções e estado de activação. A visão não é um mero processo de recepção de estímulos sensoriais formando padrões, ela é um processo activo de construção inteligente. O problema é que tais construções não são feitas, na maior parte dos casos, de forma consciente nem respeitando a realidade. Isso poderá resultar, na pior das hipóteses, em ilusões de óptica e imagens impossíveis. Se, por um lado, esta falibilidade da visão pode constituir um problema sério, por outro, ela poderá ser encarada como um enorme manancial de criatividade. Isto se soubermos tirar proveito, de forma criativa, das inúmeras regras que sustentam a inteligência visual e da sua lógica própria.



O trabalho de Óscar Reutersvärd é um excelente exemplo, capaz de nos confrontar com a nossa própria confusão/falibilidade visual. O longo da sua carreira, este professor de arte e artista plástico, sueco, criou mais de 2500 figuras impossíveis.
Vejamos algumas delas...





As imagens foram designadas de impossíveis por brincarem, descaradamente, com as nossas regras da visão. Poderão ver mais figuras impossíveis AQUI.

Nas imagens seguintes é possível constatar como é criado o triângulo impossível, ou do diabo, de Reutersvärd.

Por estranho que pareça, diversas figuras, embora intituladas como impossíveis, são possíveis de construir (de certa forma). Ou seja, não são exequíveis tal como as vemos no desenho original mas, é possível a construção de objectos a 3D que, quando visualizados de um ângulo específico, resultam na imagem impossível original…

Ora aqui está um desafio curioso!...

Será que, se virmos Portugal, do ângulo certo, tal como podemos fazer com este triângulo do diabo, ele vai parecer credível e não impossível?
...

Aqui fica a minha sugestão: Caros senhores do governo Português, na próxima campanha d
e promoção da imagem nacional, em vez de contratarem o Nick Knight chamem, antes, o Reutersvärd. Vai resultar mais... vão por mim.

2 comentários:

tipografia disse...

BOA!
Adoro o trabalho de Óscar Reutersvärd é realmente excelente!!! Que grande desafio...

ttttt

laca disse...

Official M.C.Escher Website

...falar de Óscar Reutersvärd, dá vontade de (re)lembrar Escher...