26 de março de 2007

Pictogramas dos Jogos Olímpicos de Pequim

Fiquei a saber que, a ideia que esteve na origem dos pictogramas, para os jogos olimpicos de Pequim, em 2008, foi de um estudante de 27 anos, chamado Wang Jie, da Chinese Central Academy of Fine Arts. Ao que parece, ele inspirou-se em antigos caracteres, inscritos em pedra, para encontrar a linguagem de base para os 35 pictogramas.


A linguagem adoptada faz a síntese entre a escrita chinesa arcaica, normalmente conhecida como uma forma decorativa de escrita, a escrita pictográfica dos oráculos, a escrita chinesa em bronze e os grafismos modernos. Depois de aprovada a linguagem de base, os pictogramas foram aperfeiçoados, à boa maneira chinesa, por professores e alunos da Chinese Central Academy of Fine Arts and Fine Arts school of Qinghua University, dando origem a este conjunto denominado de "Beauty of Seal Characters".

Os pictogramas serão uma das mais importantes imagens de marca dos Jogos Olimpícos, aplicando-se ,não apenas nas placas scripto-direccionais, como também, nos mais diversos elementos do sistema de comunicação (publicidade, souvenirs, merchandizing em geral, entre outros).

Do ponto de vista das conotações culturais, estes pictogramas funcionam muito bem. Também sugerem, de forma evidente, movimento e graciosidade. Contudo, no meu entender, a leitura das diferentes modalidades desportivas nem sempre é fácil. Especialmente quando apresentados em tamanho reduzido e sem texto anexo.



A leitura dos traços, que compõem o pictograma, nem sempre leva a um entendimento claro do padrão e, por isso, ficamos sujeitos a um processo top-down de inferência. Que, como se sabe, está muito sujeito a erros e interpretações erróneas.

Embora considere, como linguagem, que é uma solução agradável e adequada à cultura em que está inserida, do ponto de vista da usabilidade, acho que podia ser melhor.

No site oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim podem encontrar mais informações sobre estes pictogramas mas, também, sobre pictogramas de jogos anteriores.

4 comentários:

gui disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gui disse...

sim, foi sem dúvida uma bela inspiração.
tenho de concordar ctg, a nível de usabilidade não funcionam assim tão bem..

Anónimo disse...

Filipa Oliveira said...

Eu por acaso gosto destes pictogramas.
E aceito o argumento de que não são completamente decifráveis a um primeiro olhar destreinado.
Contudo, acho interessante o facto de se ter que olhar duas e três vezes para o compreender. Especialmente quando se têm em mente a sua origem.

Mas, mais uma vez, a nivel de usabilidade tens o teu quê de razão. É uma combinação complicada.

Fabs Costa disse...

Quando se dá prevalência á forma gráfica pelo registo e não á forma enquanto estrutura na compreenção clara do que pretende designar o design não é funcional.

Uma das funções dos pictogramas passa pela identificação rápida e inequívoca da mensagem que pretende comunicar.

Quando ficamos a "namorar" um pictograma para tentar compreender o que significa e quando nos deparamos que estamos no lugar errado porque um pictograma nos induziu em erro então o design não funcionou.