31 de outubro de 2007

Será que é mesmo necessário?...

Eu sei que, domesticar animais, é um dos desafios mais antigos que o homem enfrenta. Também sei que se estabelecem relações muito interessantes e, por vezes, duradouras, entre humanos e não humanos. Também é sabido que muitos animais serviram, e servem, de inspiração para invenções humanas, como o radar (morcegos), a asas dos aviões (pássaros), o helicóptero (beija-flor), entre muitos outros. O design também recorre, muitas vezes, a uma área designada por biónica que incentiva a procura das soluções na própria natureza. Por tudo isto, eu entendo a atracção que os animais exercem sobre todos nós, designers incluídos. Mas, por mais razões que possam justificar esta opção zoomorfa há coisas que me custam a aceitar. Uma delas, é a concepção de gadgets em forma de animal quando, na verdade, essa forma nem será a mais interessante para a função em questão. Para mim, é uma estratégia de marketing duvidoso para ajudar a vender tralha, que ninguém precisa, mas a qual, quando disfarçada de personagem de banda desenhada, querida e ternurenta, poucos conseguem resistir. Porém, esta é uma estratégia nada inocente, é inimiga do planeta e da sustentabilidade da vida na Terra, pois, incentiva ao consumismo irreflectido e à rápida obsolescência dos produtos.

Outra questão de difícil compreensão é a lógica dos critérios usados para seleccionar o animal a replicar. Entre outros exemplos tristes, já vi um aspirador em forma de pato, agora vejo um pinguim, que usa um chapéu alto e laço, a dar forma a um temporizador de imersão de saquetas de chá.




O “Penguin Teaboy” é um pequeno dispositivo, que inclui um relógio/contador no seu interior, que pode ser programado para intervalo até 20 minutos. A ideia é suspender a saqueta no bico do pinguim e marcar o tempo desejado. O pobre “animal” fica encarregue da nobre missão de mergulhar e retirar a saqueta da chávena. Assim, o chá ficará sempre como nós gostamos…

Mas que ligação existirá entre o pinguim e o chá?

estive na China, país com antigas tradições na arte do chá e não vi lá nenhuma ligação entre estes dois elementos (muito embora este seja um produto muito típico das lojas chinesas).Também não me consta que no Reino Unido, outro bastião do chá, usem pinguins para este fim. Será que é apenas uma analogia entre a coloração da pele do pinguim e a farda dos empregados de mesa?... básico demais…

E se eu consumir chá sem ser em saquetas? Que animal seria o indicado para este caso?
Vocês comprariam/compraram este produto? Porquê?
Será que ele é mesmo necessário?... :-S

9 comentários:

tipografia disse...

Achas???

Atom Ant disse...

Se acho o quê?...

kaboing disse...

o mal do mundo é a falta de senso de humor...

Oswaldo A. disse...

Eu compraria sem sombra de dúvida o "Penguin Teaboy".
É produto fundamental para um degustador de chás como eu!

sSantos disse...

Não concordo que, como disse Kaboing, o problema seja a falta de sentido de humor. Infelizmente, na minha opinião, as questões da sustentabilidade da vida na Terra já ultrapassaram a fase onde é aceitável o humor. A coisa é muito, muito séria.
Até que ponto temos o direito de continuar a fazer de conta que nada se passa? Estamos a hipotecar o futuro das gerações vindoras. Os nossos descendentes têm direito a ter um planeta para viver!...
Este pinguim é só um exemplo entre muitos outros... essa é que é a questão.

Será que não é possível degustar um chá sem recorrer a este gadget? Para mim, todo o cerimonial que envolve o chá faz parte da atracção que sinto por essa bebida.

Rita disse...

Concordo plenamente com o ssantos e com o post... eu nao compraria este produto.

O mundo está cheio de objectos supérfluos...todos os dias e em todo o lado somos convidados a comprar aquilo que não precisamos...

Quando falamos em ambiente e em sustentabilidade nota-se que muitos ainda nao entendem o que está em jogo...

o nosso planeta há milhões de anos que passa por períodos adversos e encontra sempre uma solução e uma forma de adaptação. Embora cada vez menos saudável, o planeta lá arranjará uma solução para se adaptar e reparar aquilo que estamos a fazer.

O que está em jogo é sim a nossa existência como espécie.
Os cientistas têm vindo a alertar que a nossa sociedade, virada para o consumo desmesurado e para o desperdício, está a gerar pressões gigantescas sobre o nosso habitat, promovendo a alteração das condições que até hoje conhecemos e que sempre se mostraram favoráveis á nossa existência como espécie.
O que estamos a fazer não é mais do que abrir a porta a um futuro (próximo) de escassez e pobreza...estamos a promover para nós, para os nossos filhos e para os nossos netos um meio hostil de sobrevivência e sofrimento.

Parte de nós como consumidores alterar este caminho...
Designers, marketeers e muitos outros têm uma obrigação ainda maior pois têm na sua mão o poder de manipular a sociedade..

Atom Ant disse...

Concordo, em absoluto, com o que disse o sSantos e a Rita!
Não devemos centrar a discussão na "graça" do pinguim Teaboy mas, antes, naquilo que ele representa...
Como designer mas, também, como habitante desta casa comum, sinto a responsabilidade de ajudar a mudar as mentalidades e os comportamentos de consumo.

:::... Sagarapryia ...::: disse...

a minha resposta resume-se a uma única palavra... KITSCH

Martin disse...

Eu acho que este produto é muito original. Eu vi esse produto em hideki. Eu acho que é um dos poucos restaurantes no Brasil utilizando esse produto.