6 de novembro de 2007

Entrevista com Ross Lovegrove

Em Setembro último, a CNN entrevistou o designer industrial londrino Ross Lovegrove, conhecido pelas suas soluções limpas e orgânicas, com linhas fluidas e aparentando uma fusão natural e suave com a função. A CNN falou com ele sobre algumas das suas criações como as garrafas de água, os carros em forma de bolha e a sua abordagem pessoal do design.

Pequena biografia:

Nasceu em 1958, em Cardiff, País de Gales. Licenciado em design industrial pelo Politécnico de Manchester, em 1980. Mestre em design, em 1983, pelo Royal College of art, de Londres. Entre muitos outros sítios, trabalhou para a Frog design; airbus; kartell; ceccotti; cappellini; idee; moroso; luceplan; dríade; peugeot; apple computers; issey miyake; vitra; olympus; yamagiwa corporation; tag heuer; hackman; alias; herman miller; japan airlines; etc.


“CNN: How would you describe what you do?


Ross Lovegrove: What am I? I'm a designer, but of course that's a loose term these days. And often when I meet people and say I'm a designer, they say, "Oh, a fashion designer." Which is not a bad thing I suppose, a bit groovy.

But I'm a designer and I work with industry, so I suppose I'm an industrial designer. It's not as grimy, not as deep and dark as that sounds, 'cause industry these days is very different.

I'm also a humanist and I'm a sort of evolutionist in some ways, because what I do conforms to the concept of evolution, progress, adaptation within the field of making objects that we use everyday.


CNN: Why did you choose design as a career?(…)”

Continuar a ler no site da CNN

Outros links:
Ler a entrevista, realizada pela
designboom, de Setembro de 2006.

4 de novembro de 2007

3 de novembro de 2007

Design quotes

“The beautiful thing about design today is that we're looking at the possibility of re-inventing things”.
Ross Lovegrove

1 de novembro de 2007

Colour: Design & Creativity



Está disponível, on-line, o número inaugural do jornal
Colour: Design & Creativity.

Esta nova publicação, da Society of Dyers and Colourists, destina-se a promover o saber e a troca de conhecimentos sobre a cor e a sua importância para o design. Nesse sentido, a revista está aberta a todos os que queiram submeter trabalhos nesta área.

Entre os tópicos abordados neste primeiro número estão a cor e as emoções, análise da cor no branding, conceitos de design usando modificações “termocrómicas” de cor, previsões de cores, preferências na indústria da moda, entre outras.

31 de outubro de 2007

Será que é mesmo necessário?...

Eu sei que, domesticar animais, é um dos desafios mais antigos que o homem enfrenta. Também sei que se estabelecem relações muito interessantes e, por vezes, duradouras, entre humanos e não humanos. Também é sabido que muitos animais serviram, e servem, de inspiração para invenções humanas, como o radar (morcegos), a asas dos aviões (pássaros), o helicóptero (beija-flor), entre muitos outros. O design também recorre, muitas vezes, a uma área designada por biónica que incentiva a procura das soluções na própria natureza. Por tudo isto, eu entendo a atracção que os animais exercem sobre todos nós, designers incluídos. Mas, por mais razões que possam justificar esta opção zoomorfa há coisas que me custam a aceitar. Uma delas, é a concepção de gadgets em forma de animal quando, na verdade, essa forma nem será a mais interessante para a função em questão. Para mim, é uma estratégia de marketing duvidoso para ajudar a vender tralha, que ninguém precisa, mas a qual, quando disfarçada de personagem de banda desenhada, querida e ternurenta, poucos conseguem resistir. Porém, esta é uma estratégia nada inocente, é inimiga do planeta e da sustentabilidade da vida na Terra, pois, incentiva ao consumismo irreflectido e à rápida obsolescência dos produtos.

Outra questão de difícil compreensão é a lógica dos critérios usados para seleccionar o animal a replicar. Entre outros exemplos tristes, já vi um aspirador em forma de pato, agora vejo um pinguim, que usa um chapéu alto e laço, a dar forma a um temporizador de imersão de saquetas de chá.




O “Penguin Teaboy” é um pequeno dispositivo, que inclui um relógio/contador no seu interior, que pode ser programado para intervalo até 20 minutos. A ideia é suspender a saqueta no bico do pinguim e marcar o tempo desejado. O pobre “animal” fica encarregue da nobre missão de mergulhar e retirar a saqueta da chávena. Assim, o chá ficará sempre como nós gostamos…

Mas que ligação existirá entre o pinguim e o chá?

estive na China, país com antigas tradições na arte do chá e não vi lá nenhuma ligação entre estes dois elementos (muito embora este seja um produto muito típico das lojas chinesas).Também não me consta que no Reino Unido, outro bastião do chá, usem pinguins para este fim. Será que é apenas uma analogia entre a coloração da pele do pinguim e a farda dos empregados de mesa?... básico demais…

E se eu consumir chá sem ser em saquetas? Que animal seria o indicado para este caso?
Vocês comprariam/compraram este produto? Porquê?
Será que ele é mesmo necessário?... :-S

30 de outubro de 2007

Moda: Aluna portuguesa ganha Concurso Internacional de Moda em Espanha

Segundo a notícia divulgada pela agência Lusa, a 6ª edição do Concurso Internacional de Design de Moda da Extremadura foi ganha por uma aluna portuguesa, do Instituto Politécnico de Castelo Branco.


Selma Pereira, de 23 anos e natural de Lagos, aluna do terceiro ano do curso de Design de Moda da Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) do Instituto Politécnico de Castelo Branco, ganhou com uma colecção inspirada na obra do arquitecto catalão Gaudí.


A Selma foi escolhida entre 20 finalistas oriundos de escolas espanholas, portuguesas e alemãs, conquistando o primeiro prémio do concurso internacional, no valor de três mil euros.


O segundo prémio, de mil euros, foi atribuído à alemã Svetlana Makstat, da escola alemã de moda internacional ESMOD, tendo ganho o prémio de criatividade a desenhadora Selina Elkuch, da mesma escola. O prémio de melhor colecção extremenha foi entregue a Rocío Córdoba, de Coria, que cruzou a arte do século XVIII com a dos anos 80.


Parabéns!...


Ler mais aqui: SOL

Programa do Seminário Sociedade acessível

Programa do Seminário Sociedade acessível - Pontes para a igualdade

Para os interessados, passo a divulgar o programa do Seminário Sociedade acessível - Pontes para a igualdade, que decorrerá no dia 7 de Novembro, no fórum cultural de Alcochete.


comissão cientifica:
Instituto Superior Técnico. Faculdade de Motricidade Humana

PROGRAMA:

9:30h - Sessão de Abertura
Idália Moniz (Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação);
Luis Miguel Franco (Presidente da Câmara Municipal de Alcochete);
Dinora Silva (Presidente da Direcção da CERCIMA);

10:30h - Design Inclusivo
Casa Inclusiva - Cristina Weber (Fund. Port. Comunicação);
O Ensino do Design Inclusivo - Uma ponte para muitos futuros - Paula Trigueiros (Arquitecta Especialista);
Design para a Diversidade - Joaquim Coelho Rosa (LPDM);

11:00h Pausa para café /Exposição

11:30h - Boas Práticas na Diversidade
Ajudas Técnicas – José Pedro Matos (CIDEF)
Praia Acessível – Carlos Pereira (INR)
Museus e Monumentos para Todos - João Rebelo (Movijovem)
Acessibilidades na Rede Nacional de Turismo Juvenil - Peter Colwell (ACAPO)

13:00h Almoço

14:30h - Criar Oportunidades
Comunicação Aumentativa - Luis Azevedo (ANDITEC)
Brinquedos Adaptados - Carla Faria
Ajudas Técnicas na Educação – a designar (UTAC)

15:30h Pausa para café /Exposição

16:00h - Desporto para Todos
Movimento Paralímpico - A designar (F.P.D.D.)
Special Olympics – Regina Mirandela Costa (S.O.Portugal)
Testemunho - a designar

17:00h - Sessão de Encerramento
Movimento DansasAparte – “Passagens” (CERCIMA)
Grupo Expressão Corporal CÃO - “KomTacto” - Coop. S. Pedro

> Valor das inscrições: 15€ para alunos/sócios da Cercima e 20€ para o público em geral.

Para mais informações e para realizar a inscrição contactar:

Cercima
Rua D.Nuno Álvares Pereira, nº 141
2870 Montijo
Telefone: 21 230 8510
Fax: 21 230 8511
E-mail: seminario_cercima@sapo.pt

29 de outubro de 2007

Rapidinhas...


> Concurso Nespresso 2008 - faltam 3 dias para o deadline

Não se esqueçam que as inscrições, para o concurso Nespresso, terminam já na próxima quarta-feira, dia 31 de Outubro de 2007.



> Design & CC: SOS!

De 1 a 3 de Novembro de 2007 decorrerá o 3º Encontro Internacional UNIDCOM/IADE 2007 sob o lema DESIGN & CC: SOS! Design and Commercial Communications: Seek Optimal Synergies.

O evento terá lugar no bonito Palácio Pombal, na rua do Alecrim (Chiado), a sede cultural do IADE.



> Sociedade acessível – Pontes para a igualdade

No próximo dia 7 de Novembro decorrerá, no Fórum cultural de Alcochete, o Seminário Sociedade acessível – Pontes para a igualdade, onde serão abordados os temas: Design inclusivo; Boas práticas na diversidade; Criar Oportunidades; Desporto para todos.

Via: Design Português



> Curso de Especialização em Design para a Diversidade

Estão abertas as inscrições para a 2ª edição do Curso de Especialização em Design para a Diversidade promovido pelo Instituto Superior Técnico, em parceria com O Centro Português de Design e a Fundação Liga. O curso conta, também, com a participação do European Institute for Design and Disability e da Design For All Foundation.

Inscrições: 1ª fase até 15 de Novembro



> Textura Pattern – cria um desenho para estampar

A textura Pattern é um concurso da TEXTURA, uma companhia de design de moda, que procura promover novos talentos nesta área do design. Este concurso destina-se a qualquer criativo, desde que cidadão europeu, que esteja interessado em criar um desenho, ou padrão, que possa ser estampado em diferentes superfícies, desde um sofá a um chapéu.

Primeiro prémio de 6.000 euros.

O prazo de submissão de propostas termina a 30 de Novembro de 2007.



> Concurso Transformar o velho em Novo

O concurso “Transformar o velho em Novo”, promovido pela Caixa Geral de Depósitos, visa contribuir para a preservação dos recursos naturais através da promoção e viabilização de alternativas de concepção e produção de Design Amigo do Ambiente. Os materiais a usar deverão ser provenientes das fileiras de reciclagem (Fileira de Metal; Fileira de Plástico; Fileira de Madeira; Fileira de papel e cartão).

Podem concorrer todos os estudantes do Ensino Superior, das áreas de Design e Arquitectura, matriculados no ano lectivo 2007-2008.

As candidaturas deverão ser formalizadas até 30 de Novembro de 2007.



> 2ª edição dos Prémios Futura do Design de Comunicação

A AND, em parceria com a Prodigit@l/Fopren estão a realizar a 2ª edição dos dos Prémios Futura do design de comunicação. O prémio, destina-se a premiar o mérito do design de comunicação português, realizado durante o ano de 2007, e está aberto a todos os diplomados em design de comunicação. Todos os trabalhos seleccionados serão expostos durante os 3 dias de duração do 3.º Salão Internacional de Impressão, Imagem, Comunicação Digital e Têxtil Promocional, ou seja, dias 29 de Fevereiro, 1 e 2 de Março de 2008.

A data limite para a apresentação dos trabalhos a concurso termina no dia 15 de Fevereiro de 2008

Links: Regulamento; Ficha



> Concurso de Diseño Cerámico | CEVISAMA INDI

Estão abertas inscrições para o Concurso Internacional de Design Industrial e Inovação Tecnológica de Produtos Cerâmicos para Arquitectura, no âmbito da CEVISAMA. Este concurso está aberto a estudantes de design, belas-artes, arquitectura e engenharia, de escolas espanholas e de todo o mundo e ainda a licenciados há menos de dois anos à data do concurso.

As inscrições estão abertas até 14 de Janeiro de 2008



> Projecto De.:SID

O Centro Português de Design é parceiro do projecto De.:SID bem como a Associação Portuguesa de Designers.

Este projecto de Investigação Científica, intitulado “Design como recurso estratégico empresarial: estudo dos impactos do Design” que está a ser desenvolvido, sob coordenação do Professor Doutor Luís Romão, por uma equipa multidisciplinar de investigadores.

A entidade de acolhimento é a Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

Para mais informações: DeSid.pdf

Via: CPD

28 de outubro de 2007

27 de outubro de 2007

Fábrica de Braço de Prata



Aleluia para mais um novo espaço cultural de Lisboa, este inaugurado no passado dia 14 de Junho.

Corridas do Bairro Alto, a Ler Devagar e a Eterno Retorno juntaram forças e partiram rumo a Braço de Prata para se alojarem na antiga fábrica da zona.

Antes um local onde de fabricava material de guerra; agora aqui, discutem-se ideias, fabricam-se conceitos e cria-se arte. Várias salas, diversas artes, um sem fim de propostas encerradas no mesmo espaço. Cada porta esconde um segredo. Existem quatro salas de galeria. Uma livraria polvilhada de exposições, uma livraria convencional, três salas que serão lojas, uma sala onde a sétima arte ganha vida e uma esplanada. Um espaço moderno com uma decoração minimalista mas uma atmosfera agradável que vai convidando o visitante a ficar e ir ficando.

Inadvertidamente, torna-se habitué... Kafka, Nietzche, Arendt, Deleuze, Virginia Wool, Turing, Artaud, Tcekov, Visconti, Marguerite Duras e Beauvoir. A memória de todos estes vultos passeia-se nos corredores e cada um delas apropria-se de uma das onze salas.

Rua Fernando Palha 26 - Lisboa1950-131 LISBOA

Estacionamento privativo com capacidade para 200 carros.
O horário de funcionamento será de quartas a sextas, das 20h às 2h, Sábados, das 10h às 2h, e domingos, das 10h às 22h. Para além das livrarias, há concertos, filmes, debates, lançamento de livros, representações teatrais, exposições.

Informação recolhida de:
http://www.lifecooler.com
http://www.bracodeprata.org/
http://www.lerdevagar.com/

Design quotes

(…)”design is being heralded as an essential contribution to successful corporate strategy and innovation. But it wasn’t that long ago that many corporations only thought of design as a way to “make things pretty”.

Luke Wroblewski

26 de outubro de 2007

Métodos de avaliação em design #10


> métodos e técnicas:

9) Análise da tarefa


Antes de falar sobre a análise da tarefa (task analysis), propriamente dita, é importante entendermos a diferença entre os termos tarefa e actividade. Muito embora sejam usados, na linguagem corrente, de forma indistinta, são diferentes. Sumariamente, a tarefa é o trabalho teórico, ou seja, aquilo que é suposto / previsto ser efectuado. Por outro lado, a actividade é a forma como o indivíduo realiza esse trabalho, ou seja, as estratégias e os conhecimentos que ele põe em marcha para alcançar os objectivos que lhe foram estipulados. Naturalmente, as condições colocadas à disposição do indivíduo (ambientais, físicas, técnicas e organizacionais, etc.), condicionarão o seu desempenho.


A análise da tarefa visa conhecer, de forma detalhada, como é composta a tarefa a ser desempenhada. Dito de outra forma, é a análise de como a tarefa é efectuada.


Podemos esperar obter, de uma análise da tarefa, diversas informações úteis ao projecto:


> detectar eventuais discrepâncias, entre a forma como foi pensada / planeada a tarefa e como esta é executada na realidade (Qual é a adequação entre as sequência previstas e as efectivamente seguidas? Qual é o grau de adequação? Qual é a melhor forma para o fazer?);


> conhecer os quadros mentais e comportamentos dos envolvidos no processo de concepção. Muitas vezes, aquilo que é óbvio e fácil para um especialista (ex. engenheiro, designer, etc.) não é nada fácil nem óbvio para o utilizador leigo;


> compreender quais são os objectivos dos utilizadores, ou seja, aquilo que estão a tentar alcançar, ou, querem fazer com este produto/sistema;


> identificar aquilo que eles fazem para alcançar esses objectivos (Quais são os passos que eles percorrem para o fazer - como é que as pessoas fazem isto?) e a forma como raciocinam sobre o sistema;


> determinar quais são as características pessoais, sociais e culturais que os utilizadores trazem consigo para a realização das tarefas;


> perceber de que forma, os utilizadores, são influenciados pelo envolvimento físico e pelos conhecimentos prévios que possuem;


Entre as vantagens associadas ao uso desta técnica estão a possibilidade de antecipar, com rigor, as condições físicas, ambientais e os tempos necessários para execução das tarefas; seleccionar / remover, com consciência, componentes da tarefa; estipular sequências de acção; identificar as etapas onde ocorrem mais erros, incidentes e acidentes; compreender os mecanismos de recuperação desses mesmos erros e detectar quais etapas de maior/menor dificuldade para os utilizadores, etc.


Esta análise poderá incluir uma descrição detalhada das actividades físicas e cognitivas, bem como detalhes da tarefa (tempos, frequências, recursos mobilizados, grau de complexidade, condições ambientais, requisitos específicos de vestuário e/ou equipamento), entre outras variáveis envolvidas, ou necessárias, para o desempenho bem sucedido da tarefa.


A análise pode ser efectuada para tarefas de carácter maioritariamente físico e, nesses casos, iremos prestar mais atenção a aspectos como os tempos, os movimentos, as forças, etc. Mas, também pode ser efectuada para tarefas de carácter sobretudo informacional / cognitivo, onde ocorre pouco trabalho físico, e as tarefas dependem mais de aspectos como a tomada de decisão, a aprendizagem, os erros, a compreensão, etc.


Os dados resultantes desta análise podem ser usados como restrições / constrangimentos para novas soluções / propostas de design e na avaliação dos seus conceitos de base.

Importa salientar que, não temos que efectuar a análise, obrigatoriamente, com produtos já existentes, ou sistemas já implementados, ela pode ser feita usando maquetas, protótipos funcionais ou simulações. Também pode ser efectuada em ambiente laboratorial, com condições controladas e, não apenas em campo.

Diversos problemas podem ser alvo desta análise. Tradicionalmente, ela foi concebida para avaliar sistemas produtivos complexos (linhas de montagem, sistemas complexos, etc), mas pode ser usada para avaliar aspectos mais específicos, como um simples posto de trabalho, ou o uso de um determinado produto. Foi, também, aplicada com sucesso ao design de interfaces e ao design de aplicações para a Web. A análise da tarefa também pode ser usada no contexto escolar, pelos professores, para fazerem uma análise da adequação dos seus curricula ás capacidades dos alunos.

Esta análise da tarefa, de que estamos a falar no post de hoje, pode complementar a análise de que falámos na semana passada, o “think aloud” (TA), ou análise de protocolo. Por exemplo, numa situação em que se verificam distorções nos dados obtidos pelo TA esta análise da tarefa pode ajudar a clarificar as sequências de operação. O recurso ás imagens de vídeo, de que falámos a propósito das técnicas de observação pode ser usada para determinar os componentes da tarefa. As restantes técnicas, faladas noutros posts, como as entrevistas, questionários, gravações de conversas mantidas com os diversos trabalhadores, são também possíveis de serem usadas conjuntamente com esta análise.

Com frequência, este trabalho de análise termina com uma representação hierárquica dos passos / etapas necessárias para desempenhar a tarefa (hierarchical task analysis) e/ou uma representação do fluxo de trabalho [ver imagem de cabeçalho]. A melhor forma de representar estes dados é recorrendo a diagramas, fluxogramas ou outros gráficos semelhantes, muitas vezes divididos em camadas (layers). Da leitura dos dados deve ficar muito claro qual é objectivo principal da tarefa, as sub-tarefas que poderão estar envolvidas e a sequência de acções que a tarefa precisa para ser realizada.

Uma forma simples de começar a análise é definir o objectivo da tarefa e, de seguida, listar todos os passos envolvidos para o obter, ou seja, o conjunto de eventos que terão que ocorrer para que seja alcançado o objectivo proposto de forma satisfatória. O nível de detalhe desta decomposição depende do projecto em questão.

Para iniciarmos a decomposição da tarefa podemos colocar, a nós próprios, a pergunta: como é que esta tarefa é realizada? Noutros casos, quando iniciamos a análise a partir de um elemento localizado num nível hierárquico inferior, podemos perguntar – porque é que isto é efectuado? De seguida, passaremos para a decomposição a tarefa em grande blocos, que possam ser, por sua vez, decompostos em sub-tarefas e operações (gráfico hierarquizado). Esta fase revelará a estrutura principal da tarefa global. É desejável que, num grau maior de detalhe, sejam construídos os fluxogramas, identificados os momentos e os processos de decisão, bem como efectuados layouts rudimentares.

Muito importante, para a qualidade da análise, é que sejam evidentes as sequências entre os elementos da tarefa. Uma forma, relativamente fácil, de avaliar se a decomposição está correcta é verificar se a soma dos sub-objectivos, atribuídos a cada sub-tarefa, completa o objectivo da tarefa global. Pode ser muito útil pedir a um terceiro elemento, estranho ao processo, que faça uma avaliação global da análise (avaliação da consistência da descrição).

Gostaria de terminar alertando para a existência de diferentes análises que, podem sem confundidas entre si, mas que têm objectivos distintos: job or performance analysis; learning analysis; cognitive task analysis; content or subject matter analysis; activity analysis.

Com este post termino a série dedicada aos métodos de avaliação da usabilidade em design. Espero que sejam úteis...

Referências:

_Hackos, J. & Redish, J. (1998). User and Task Analysis for Interface Design. Chichester: Wiley.

_Kirwan, B. & Ainsworth, L.K. (Eds.) (1992). A Guide to Task Analysis. London: Taylor and Francis.

_Kirwan, B. and Ainsworth, L. (Eds.) (1992). A guide to task analysis. Taylor and Francis.

_Nielsen, J (1994) Extending Task Analysis to Predict Things People May Want to Do

_Preece, J., Rogers, Y., Sharp, H., Benyon, D., Holland, S. & Carey, T. (1994). Human-Computer Interaction. Reading MA: Addison-Wesley.

_Shepherd, A. (1985). Hierarchical task analysis and training decisions. Programmed Learning and Educational Technology, 22, 162-176.

_Shepherd, A. (1989). Analysis and training in information technology tasks. In D. Diaper, Ed. Task Analysis for Human-Computer Interaction, pp.15-55. Chichester: Ellis Horwood.

Links:

usabilityfirst
usabilitynet.org
usability.gov
classweb.gmu.edu

25 de outubro de 2007

Kleensex



O tema deste post está relacionado com a prostituição e sexo. Pode parecer, à primeira vista, que o tema está desenquadrado no âmbito deste blog, mas não está. Tudo aquilo que envolve o Homem, os seus comportamentos e a sua qualidade de vida diz respeito ao design e à ergonomia. Nesse sentido, devemos deixar os preconceitos de lado, devemos deixar de rotular os comportamentos e devemos falar sobre eles e investigá-los com a maior imparcialidade. Foi, precisamente, essa vontade de colocar o design ao serviço dos outros que me chamou atenção para o projecto dos Kleensex, da autoria da designer espanhola Ana Mir, do Emiliana Design Studio.

Os KLEENSEX são lenços, ou toalhetes, que foram concebidos para ajudar a melhorar a higiene íntima após contactos sexuais. Será, sobretudo, indicado para os trabalhadores do sexo, ou, para quem pratica sexo em sítios onde não há acesso a casas-de-banho. Este produto, que é ainda apenas um protótipo, foi submetido ao prémio Índex Award, na categoria Body.

Para fazer este trabalho, a designer entrevistou e observou a realidade das prostitutas. Acabou por concluir que este produto fazia falta e que podia ajudar a melhorar a saúde de muita gente. Para que o produto pudesse ser aceite e ter o sucesso comercial necessário deveria ser
fácil de transportar, não ter a aparência de um produto médico, poder ser vendido em máquinas de venda automática a um preço acessível, ser reciclável e possuir uma embalagem atraente.

Não conheço a realidade em Espanha mas, em Portugal, devido à hipocrisia da nossa sociedade, a prostituição é ilegal mas é praticada onde calha. Basta percorrer algumas ruas, da cidade de Lisboa, a qualquer hora do dia, para verificar que é uma actividade em crescimento.

Gostava de concluir afirmando que não sou favorável à prostituição mas, também não defendo a falsa moral e acho que, se não fomos capazes de a eliminar até agora, também não vale a pena olhar para o lado… pois ela irá continuar a existir. Será, com certeza, muito mais humano enfrentar o problema e encontrar formas de minorar o impacto que essa prática tem sobre a sociedade.

24 de outubro de 2007

“Maiden Voyage” - João Branco

Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro (ed.) (2006). Maiden voyage. João Branco. Monografia publicada por ocasião da homenagem prestada pela Universidade de Aveiro a João Branco, nas comemorações do Dia da Universidade, em 15 de Dezembro de 2006. ISBN: 978-972-789-228-0

Hoje acordei azeda. Algo tristonha e sorumbática. Talvez, por causa de estar a chover e o Outono ter regressado empurrando, para longe, aqueles dias de Verão tardio que temos vivido. Como que de propósito, assim que me sentei na secretária os meus olhos poisaram sobre a monografia do João Branco que recebi, há poucos dias, lá no IADE e ainda não arrumei na estante. Fiquei mais triste ainda, com as lágrimas a pressionaram os olhos, deixando um ligeiro ardor…

Conheci o João Branco, no IADE, quando fui sua aluna de Métodos de Design e da Investigação em 1993, no 4º ano de design de industrial. Mais tarde fui sua colega, até 2001 (ano em deixou o IADE,) tendo tido oportunidade de conversar bastante com ele, sobre design em geral e sobre a possibilidade de fazer estudos pós-graduados em design, que era uma preocupação que tinha nessa época.

Respeitava muito a sua opinião pois, as suas aulas tinham sido uma referência forte na minha formação. Era uma figura sedutora, com um certo ar malandro, de sorriso sempre no canto dos lábios. E com uma voz inconfundível, que calava a assistência.

Soube da sua morte em Coimbra, quando estava num seminário promovido pela EUAC. Disse-mo o Carlos Barbosa durante uma conversa onde falávamos do passado. Senti o mesmo que sinto agora… um sabor azedo, pela injustiça de uma morte tão estúpida e imatura.

O João Branco tinha muito para dar ao Design Português. Foi uma grande perda para toda a comunidade. Infelizmente há doenças que não respeitam os sentimentos humanos…

Há pouco tempo, fiquei a saber que a UA - Universidade de Aveiro, em conjunto com a família do João Branco, criou um prémio de design com o seu nome. Este galardão, com o valor pecuniário de 5.000€, visa contribuir para a promoção e o desenvolvimento da investigação científica em qualquer domínio da área do Design. O objectivo é distinguir, anualmente, os autores de um trabalho de investigação na área do Design, que se evidencie pelo seu carácter inovador.

As candidaturas ao prémio, relativo à edição de 2007, terminam a 12 de Novembro.

link: Prémio João Branco distingue inovação em design

Aí está uma excelente forma de manter viva a memória do nosso colega!

23 de outubro de 2007

Interactive media design competition

Está a decorrer o período de submissão de trabalhos ao 14th annual Communication Arts Interactive Design Competition.
Podem ser submetidos quaisquer trabalhos de design interactivo (trabalhos para a World Wide Web, CD-ROM, quiosques interactivos, dispositivos móveis, etc.).

O prazo de submissão termina a 11 de Janeiro de 2008.

22 de outubro de 2007

Feliciano: "O Type Designer"!



Mário Feliciano é o type designer português do momento. Diria mais, Mário Feliciano é o type designer internacional do momento.
O jornal dinamarquês Politiken usa a Flama. Tipografia com assinatura portuguesa, desenhada por Feliciano. O re-design do periódico é da autoria de Palmer Watson.
O Adressenvisen da Noruega, também redesenhado por PalmerWatson usa alguns pesos da MorganAvec e algumas versões da Olisipone.
O Manchester Evening News, usa na sua base os tipos Eudald News e Olispone.
O jornal The Lawyer, apresenta-nos um re-design de John Belknap da Belknap Co. e usa a fonte Olisipone.
O jornal dos tripeiros, O Jogo, redesenhado pelo Atelier Henrique Cayatte usa também como tipografia base a Olisipone.
Para além de todas estas aplicações da tipografia de Mário Feliciano, o designer português chega agora a terras de nuestros hermanos.
Mais uma fonte portuguesa que inspira um periódico: o novo 'El País'.
Um El Pais renovado «nasce» no domingo. Com assinatura de Feliciano, na fonte claro!
A primeira grande mudança nota-se logo no tipo de letra. O
El País abandona definitivamente o Times Roman e adapta o Majerit. Mais uma tipografia com assinatura portuguesa, melhor ainda, com assinatura de Mário Feliciano.
Para além de todas estas tipografias é também de referir que o Eudald News é também usada no nosso periódico português Diário de Notícias.
O Expresso, berliner semanal, tem também assinatura de Mário Feliciano. A fonte, com o mesmo nome que o jornal, foi desenvolvida propositadamente para o periódico aquando do seu re-design de Broadsheet para o seu formato actual. O re-design é da autoria do espanhol Javier Errea.

Enfim, um sem número de exemplos da aplicação tipográfica de produção nacional, não só no nosso país mas também por essa Europa fora.
Quem sabe um dia, "Mário Feliciano, typedesigner" numa aula perto de si!
Feliciano Type Foundry

International Journal of Design

Já está disponível, on-line, o segundo número do International Journal of Design.

Este jornal, com revisão feita por especialistas, é de acesso livre e dedica-se a publicar trabalhos de pesquisa em inúmeras áreas do design. Pretende assumir-se como um fórum, a nível internacional, para discutir tudo aquilo que diz respeito ao design. Tem, também, por objectivo servir de plataforma de troca de conhecimentos, entre os académicos e a indústria, dando ênfase ás pesquisas realizadas e à utilidade, bem como à aplicabilidade prática dos resultados obtidos.

21 de outubro de 2007