Luke Wroblewski
27 de outubro de 2007
Design quotes
26 de outubro de 2007
Métodos de avaliação em design #10
> métodos e técnicas:
9) Análise da tarefa
Antes de falar sobre a análise da tarefa (task analysis), propriamente dita, é importante entendermos a diferença entre os termos tarefa e actividade. Muito embora sejam usados, na linguagem corrente, de forma indistinta, são diferentes. Sumariamente, a tarefa é o trabalho teórico, ou seja, aquilo que é suposto / previsto ser efectuado. Por outro lado, a actividade é a forma como o indivíduo realiza esse trabalho, ou seja, as estratégias e os conhecimentos que ele põe em marcha para alcançar os objectivos que lhe foram estipulados. Naturalmente, as condições colocadas à disposição do indivíduo (ambientais, físicas, técnicas e organizacionais, etc.), condicionarão o seu desempenho.
A análise da tarefa visa conhecer, de forma detalhada, como é composta a tarefa a ser desempenhada. Dito de outra forma, é a análise de como a tarefa é efectuada.
Podemos esperar obter, de uma análise da tarefa, diversas informações úteis ao projecto:
> detectar eventuais discrepâncias, entre a forma como foi pensada / planeada a tarefa e como esta é executada na realidade (Qual é a adequação entre as sequência previstas e as efectivamente seguidas? Qual é o grau de adequação? Qual é a melhor forma para o fazer?);
> conhecer os quadros mentais e comportamentos dos envolvidos no processo de concepção. Muitas vezes, aquilo que é óbvio e fácil para um especialista (ex. engenheiro, designer, etc.) não é nada fácil nem óbvio para o utilizador leigo;
> compreender quais são os objectivos dos utilizadores, ou seja, aquilo que estão a tentar alcançar, ou, querem fazer com este produto/sistema;
> identificar aquilo que eles fazem para alcançar esses objectivos (Quais são os passos que eles percorrem para o fazer - como é que as pessoas fazem isto?) e a forma como raciocinam sobre o sistema;
> determinar quais são as características pessoais, sociais e culturais que os utilizadores trazem consigo para a realização das tarefas;
> perceber de que forma, os utilizadores, são influenciados pelo envolvimento físico e pelos conhecimentos prévios que possuem;
Entre as vantagens associadas ao uso desta técnica estão a possibilidade de antecipar, com rigor, as condições físicas, ambientais e os tempos necessários para execução das tarefas; seleccionar / remover, com consciência, componentes da tarefa; estipular sequências de acção; identificar as etapas onde ocorrem mais erros, incidentes e acidentes; compreender os mecanismos de recuperação desses mesmos erros e detectar quais etapas de maior/menor dificuldade para os utilizadores, etc.
Esta análise poderá incluir uma descrição detalhada das actividades físicas e cognitivas, bem como detalhes da tarefa (tempos, frequências, recursos mobilizados, grau de complexidade, condições ambientais, requisitos específicos de vestuário e/ou equipamento), entre outras variáveis envolvidas, ou necessárias, para o desempenho bem sucedido da tarefa.
A análise pode ser efectuada para tarefas de carácter maioritariamente físico e, nesses casos, iremos prestar mais atenção a aspectos como os tempos, os movimentos, as forças, etc. Mas, também pode ser efectuada para tarefas de carácter sobretudo informacional / cognitivo, onde ocorre pouco trabalho físico, e as tarefas dependem mais de aspectos como a tomada de decisão, a aprendizagem, os erros, a compreensão, etc.
Os dados resultantes desta análise podem ser usados como restrições / constrangimentos para novas soluções / propostas de design e na avaliação dos seus conceitos de base.
Importa salientar que, não temos que efectuar a análise, obrigatoriamente, com produtos já existentes, ou sistemas já implementados, ela pode ser feita usando maquetas, protótipos funcionais ou simulações. Também pode ser efectuada em ambiente laboratorial, com condições controladas e, não apenas em campo.
Diversos problemas podem ser alvo desta análise. Tradicionalmente, ela foi concebida para avaliar sistemas produtivos complexos (linhas de montagem, sistemas complexos, etc), mas pode ser usada para avaliar aspectos mais específicos, como um simples posto de trabalho, ou o uso de um determinado produto. Foi, também, aplicada com sucesso ao design de interfaces e ao design de aplicações para a Web. A análise da tarefa também pode ser usada no contexto escolar, pelos professores, para fazerem uma análise da adequação dos seus curricula ás capacidades dos alunos.
Esta análise da tarefa, de que estamos a falar no post de hoje, pode complementar a análise de que falámos na semana passada, o “think aloud” (TA), ou análise de protocolo. Por exemplo, numa situação em que se verificam distorções nos dados obtidos pelo TA esta análise da tarefa pode ajudar a clarificar as sequências de operação. O recurso ás imagens de vídeo, de que falámos a propósito das técnicas de observação pode ser usada para determinar os componentes da tarefa. As restantes técnicas, faladas noutros posts, como as entrevistas, questionários, gravações de conversas mantidas com os diversos trabalhadores, são também possíveis de serem usadas conjuntamente com esta análise.
Com frequência, este trabalho de análise termina com uma representação hierárquica dos passos / etapas necessárias para desempenhar a tarefa (hierarchical task analysis) e/ou uma representação do fluxo de trabalho [ver imagem de cabeçalho]. A melhor forma de representar estes dados é recorrendo a diagramas, fluxogramas ou outros gráficos semelhantes, muitas vezes divididos em camadas (layers). Da leitura dos dados deve ficar muito claro qual é objectivo principal da tarefa, as sub-tarefas que poderão estar envolvidas e a sequência de acções que a tarefa precisa para ser realizada.
Uma forma simples de começar a análise é definir o objectivo da tarefa e, de seguida, listar todos os passos envolvidos para o obter, ou seja, o conjunto de eventos que terão que ocorrer para que seja alcançado o objectivo proposto de forma satisfatória. O nível de detalhe desta decomposição depende do projecto em questão.
Para iniciarmos a decomposição da tarefa podemos colocar, a nós próprios, a pergunta: como é que esta tarefa é realizada? Noutros casos, quando iniciamos a análise a partir de um elemento localizado num nível hierárquico inferior, podemos perguntar – porque é que isto é efectuado? De seguida, passaremos para a decomposição a tarefa em grande blocos, que possam ser, por sua vez, decompostos em sub-tarefas e operações (gráfico hierarquizado). Esta fase revelará a estrutura principal da tarefa global. É desejável que, num grau maior de detalhe, sejam construídos os fluxogramas, identificados os momentos e os processos de decisão, bem como efectuados layouts rudimentares.
Muito importante, para a qualidade da análise, é que sejam evidentes as sequências entre os elementos da tarefa. Uma forma, relativamente fácil, de avaliar se a decomposição está correcta é verificar se a soma dos sub-objectivos, atribuídos a cada sub-tarefa, completa o objectivo da tarefa global. Pode ser muito útil pedir a um terceiro elemento, estranho ao processo, que faça uma avaliação global da análise (avaliação da consistência da descrição).
Gostaria de terminar alertando para a existência de diferentes análises que, podem sem confundidas entre si, mas que têm objectivos distintos: job or performance analysis; learning analysis; cognitive task analysis; content or subject matter analysis; activity analysis.
Com este post termino a série dedicada aos métodos de avaliação da usabilidade em design. Espero que sejam úteis...
Referências:
_Hackos, J. & Redish, J. (1998). User and Task Analysis for Interface Design.
_Kirwan, B. & Ainsworth, L.K. (Eds.) (1992). A Guide to Task Analysis.
_Kirwan, B. and Ainsworth, L. (Eds.) (1992). A guide to task analysis. Taylor and Francis.
_Nielsen, J (1994) Extending Task Analysis to Predict Things People May Want to Do
_Preece, J.,
_Shepherd, A. (1985). Hierarchical task analysis and training decisions. Programmed Learning and Educational Technology, 22, 162-176.
Links:
usabilityfirst
usabilitynet.org
usability.gov
classweb.gmu.edu
25 de outubro de 2007
Kleensex
O tema deste post está relacionado com a prostituição e sexo. Pode parecer, à primeira vista, que o tema está desenquadrado no âmbito deste blog, mas não está. Tudo aquilo que envolve o Homem, os seus comportamentos e a sua qualidade de vida diz respeito ao design e à ergonomia. Nesse sentido, devemos deixar os preconceitos de lado, devemos deixar de rotular os comportamentos e devemos falar sobre eles e investigá-los com a maior imparcialidade. Foi, precisamente, essa vontade de colocar o design ao serviço dos outros que me chamou atenção para o projecto dos Kleensex, da autoria da designer espanhola Ana Mir, do Emiliana Design Studio.
Para fazer este trabalho, a designer entrevistou e observou a realidade das prostitutas. Acabou por concluir que este produto fazia falta e que podia ajudar a melhorar a saúde de muita gente. Para que o produto pudesse ser aceite e ter o sucesso comercial necessário deveria ser fácil de transportar, não ter a aparência de um produto médico, poder ser vendido em máquinas de venda automática a um preço acessível, ser reciclável e possuir uma embalagem atraente.
24 de outubro de 2007
“Maiden Voyage” - João Branco
Há pouco tempo, fiquei a saber que a UA - Universidade de Aveiro, em conjunto com a família do João Branco, criou um prémio de design com o seu nome. Este galardão, com o valor pecuniário de 5.000€, visa contribuir para a promoção e o desenvolvimento da investigação científica em qualquer domínio da área do Design. O objectivo é distinguir, anualmente, os autores de um trabalho de investigação na área do Design, que se evidencie pelo seu carácter inovador.
As candidaturas ao prémio, relativo à edição de 2007, terminam a 12 de Novembro.
link: Prémio João Branco distingue inovação em design
Aí está uma excelente forma de manter viva a memória do nosso colega!
23 de outubro de 2007
Interactive media design competition
Podem ser submetidos quaisquer trabalhos de design interactivo (trabalhos para a World Wide Web, CD-ROM, quiosques interactivos, dispositivos móveis, etc.).
22 de outubro de 2007
Feliciano: "O Type Designer"!

Mário Feliciano é o type designer português do momento. Diria mais, Mário Feliciano é o type designer internacional do momento.
O jornal dinamarquês Politiken usa a Flama. Tipografia com assinatura portuguesa, desenhada por Feliciano. O re-design do periódico é da autoria de Palmer Watson.
O Adressenvisen da Noruega, também redesenhado por PalmerWatson usa alguns pesos da MorganAvec e algumas versões da Olisipone.
O Manchester Evening News, usa na sua base os tipos Eudald News e Olispone.
O jornal The Lawyer, apresenta-nos um re-design de John Belknap da Belknap Co. e usa a fonte Olisipone.
O jornal dos tripeiros, O Jogo, redesenhado pelo Atelier Henrique Cayatte usa também como tipografia base a Olisipone.
Para além de todas estas aplicações da tipografia de Mário Feliciano, o designer português chega agora a terras de nuestros hermanos.
Mais uma fonte portuguesa que inspira um periódico: o novo 'El País'.
Um El Pais renovado «nasce» no domingo. Com assinatura de Feliciano, na fonte claro!
A primeira grande mudança nota-se logo no tipo de letra. O El País abandona definitivamente o Times Roman e adapta o Majerit. Mais uma tipografia com assinatura portuguesa, melhor ainda, com assinatura de Mário Feliciano.
Para além de todas estas tipografias é também de referir que o Eudald News é também usada no nosso periódico português Diário de Notícias.
O Expresso, berliner semanal, tem também assinatura de Mário Feliciano. A fonte, com o mesmo nome que o jornal, foi desenvolvida propositadamente para o periódico aquando do seu re-design de Broadsheet para o seu formato actual. O re-design é da autoria do espanhol Javier Errea.
Enfim, um sem número de exemplos da aplicação tipográfica de produção nacional, não só no nosso país mas também por essa Europa fora.
Quem sabe um dia, "Mário Feliciano, typedesigner" numa aula perto de si!
Feliciano Type Foundry
International Journal of Design
Este jornal, com revisão feita por especialistas, é de acesso livre e dedica-se a publicar trabalhos de pesquisa em inúmeras áreas do design. Pretende assumir-se como um fórum, a nível internacional, para discutir tudo aquilo que diz respeito ao design. Tem, também, por objectivo servir de plataforma de troca de conhecimentos, entre os académicos e a indústria, dando ênfase ás pesquisas realizadas e à utilidade, bem como à aplicabilidade prática dos resultados obtidos.
21 de outubro de 2007
20 de outubro de 2007
Design quotes
Hideki Nakajima.
19 de outubro de 2007
Métodos de avaliação em design #09
> métodos e técnicas:
8) Análise de protocolo
Habitualmente, esta técnica é usada conjuntamente com o registo em vídeo/áudio, de que falámos no post da semana passada. Esses registos são, posteriormente, transcritos, segmentados e sujeitos a interpretação, para se poder fazer a análise do seu conteúdo. Durante a observação, o investigador deve limitar-se a tomar notas, sem fazer quaisquer interpretações do que está a observar.
Existem algumas críticas sobre esta técnica. As preocupações estão, sobretudo, relacionadas com a possibilidade de os participantes não falarem sobre tudo o que é importante, ou, poderem agir segundo automatismos difíceis de verbalizar. Para além disso, há ainda a possibilidade de a exigência cognitiva, afecta à verbalização, poder interferir na execução da tarefa. Porém, mesmo considerando as críticas, esta técnica continua a ser uma boa fonte de informação sobre o que as pessoas pensam sobre as soluções de design. Com a vantagem de poder ser aplicada em qualquer fase do percurso projectual.
Um procedimento muito semelhante é designado por “talk-aloud”. Este, envolve, igualmente, participantes a falar, mas com a diferença de estes se concentrarem apenas em descrever as suas acções, sem darem mais explicações. É um procedimento mais objectivo, porque os participantes limitam-se a informar do que irão fazer de seguida, antes de a acção ser efectuada.
Referências:
[1] Ericsson, K., & Simon, H. (1993). Protocol Analysis: Verbal Reports as Data, 2nd ed.,
[2] Someren et al - http://staff.science.uva.nl/~maarten/Think-aloud-method.pdf
18 de outubro de 2007
Tipos, tipos e tipografia!
Só para ver, entender e claro,... curtir!

link:
David Fonseca - "Superstars"
Information design, because it must reach everyone...
Information Design by Erik Spiekermann, 2002
Universal Design Handbook

É uma obra repleta de bons exemplos e boas práticas relacionadas com as questões da acessibilidade. São abrangidos inúmeros aspectos, das questões da acessibilidade física em espaços construídos à acessibilidade na Web. Poderão constatar essa abrangência pelo pequeno resumo, que vos apresento de seguida, com os principais tópicos abrangidos no livro.
_Elderly and/or disabled people, and children
_Vision, hearing, touch, and developmental disabilities as well as mobility limitations
_Telecommunications, information technology, and electronics accessibility
_Automobile and product design
_Outdoor, wilderness, and children's play areas
_Healing design
_Assessment of individual needs
_Legal issues and cases
_International standards, from the ADAAG to Japan, Canada, Australia, and more
_Problem-solving case studies from around the world
Link: este livro no GoogleBooks
Boas leituras
17 de outubro de 2007
Prémio de boas práticas ambientais
Com o objectivo de incentivar as boas práticas ambientais, bem como contribuir para aumentar a reflexão sobre o ambiente, a Valorsul instituiu um
As categorias a concurso são: jornalismo; comunicação e produto/equipamento. São aceites sínteses, ou partes de trabalhos académicos (ex.: dissertações de pós-graduação, mestrado, doutoramento).
Para aqueles que não estão motivados para as questões ambientais informo que existem 25.000 razões/euros (valor do prémio) para começarem a pensar mais sobre esta temática…
As inscrições terminarão (e não “terminaram” como se lê no site) a 31 de Maio de 2008.
> Regulamento
> Formulário de Candidatura
> Prémio Valorsul - Histórico
16 de outubro de 2007
Cadeira ou Fitball?
Nesse artigo, é entrevistada a fisiologista Teresa Branco que é apologista da substituição da cadeira pela Fitball. São, também, discutidos diversos argumentos a favor e contra essa opção. Neste pot vou tentar reforçar alguns desses argumentos e expor o meu ponto de vista sobre este assunto.
Para aqueles que não leram o artigo citado, talvez seja útil começar por explicar o que é, afinal, a Fitball. No artigo da Visão ficamos a saber que as primeiras bolas foram produzidas por Aquilino Cosani, nos anos 60. Mais tarde, por volta de 1965, passaram a ser conhecidas por bolas Suíças porque Susan Klein-Vogelbach, uma instrutora de fitness, as começou a usar como equipamento de fisioterapia. Nos anos 80 começaram a ser usadas, nos EUA, como equipamento para reabilitação e treino de alto rendimento. Por essa data começaram também a ser usadas em Portugal. Muito recentemente, em 2006, nasceu o Instituto Fitball Portugal.
Porquê a polémica em torno deste equipamento?
Bom, a polémica surge porque há quem defenda o seu uso como assento de trabalho e sugira que, estas bolas devem substituir as cadeiras que usamos no dia-a-dia. Do outro lado, estão aqueles que dizem que isso é uma estupidez e que estas bolas apenas devem ser usadas como equipamento de fisioterapia e/ou de treino, nunca como um substituto da cadeira clássica.
Vamos rever os argumentos do pró e do contra. Começando pelos argumentos do pró, as vantagens apresentadas estão relacionadas com a instabilidade associada a um assento redondo. Ou seja, quem se sentar na Fitball terá os seus abdominais e dorsais em constante contracção, para manter o equilíbrio. Essa contracção obrigará a uma correcção da postura que, supostamente, assim se manterá mais erecta. Tal postura provocará, também, uma abertura do ângulo entre as coxas e o dorso, aumentando o espaço para acomodação dos órgãos internos, o que irá beneficiar o seu funcionamento, especialmente do estômago e intestinos. A coluna vertebral, em particular os discos intervertebrais, serão muito beneficiados, quer com o não achatamento da curvatura lombar, quer com o movimento do corpo. O aumento da exercitação dos músculos (inclusivamente alguns que não usamos com mais frequência) terá, como efeito paralelo, uma barriga mais lisa, menos flácida e menos volumosa. Ou seja, o ideal para uma silhueta elegante. Argumenta-se ainda que, o facto de o assento ser instável, poderá, eventualmente, promover uma maior alternação entre posturas. O que é, em si, saudável e que poderá significar um aumento do trabalho dinâmico. Que, como é sabido é mais benéfico e menos desgastante do que o estático. Mas, aqui neste ponto, começam as divergências. Talvez não seja assim tão benéfico o uso da bola. Isto porque, se a instabilidade do assento for demasiado grande, acabará por provocar exactamente o contrário do desejado. Isto quer dizer que iremos aumentar a fadiga, associada ao aumento do trabalho estático, porque diversos músculos ficarão permanentemente contraídos, num esforço para manter o corpo suficientemente estável para trabalhar. Com a agravante de não podermos fazer uma pausa, ou micro-pausa, para relaxar as costas num encosto e aliviar, dessa forma, as tensões acumuladas. A mim, parece-me lógico este argumento. Já experimentaram estar, um dia inteiro de trabalho, sem se recostarem no encosto da cadeira? Assim que a fadiga aumenta, acabamos por desistir da postura erecta e temos tendência a inclinar o tronco, curvando as costas, deixando pender a cabeça e aumentando as forças sobre os braços, ante-braços e punhos sobre a mesa. Há ainda outra questão, que se prende com o trabalho com computadores. Algumas pesquisas sugerem que os utilizadores de computadores preferem a postura reclinada para trabalhar. Essa postura é impensável com a Fitball (a não ser com acessórios extra). Outra desvantagem, está na impossibilidade de se regular a altura da bola para fazer o ajuste antropométrico. Uma bola demasiado alta, ou demasiado baixa, será uma catástrofe para o seu utilizador. Já para não falar da dificuldade que será sentar-se na bola com saias justas…
Esta discussão já foi feita a propósito de umas cadeiras “revolucionárias”, com assento inclinado para a frente e apoios para os joelhos, que pretendiam mudar a forma como nos sentamos. Mas que foram consideradas muito desconfortáveis pelos utilizadores.
15 de outubro de 2007
Design and Culture
14 de outubro de 2007
2º aniversário
O blog “o design e a ergonomia” fez, neste dia 13 de Outubro de 2007, dois anos de existência. Por isso, pareceu-nos ser esta uma boa ocasião para refrescar a imagem do nosso blog. Como habitual, e fazendo jus ao provérbio - “em casa de ferreiro espeto de pau” - ainda não tivemos tempo para completar a transformação. Mas, prometemos ser breves nessa tarefa.
Na falta de comentários dos nossos leitores, os números são a única expressão do que aconteceu neste espaço virtual. Aqui fica uma breve estatística:
Ainda no âmbito da comemoração, deste 2º aniversário, colocámos um pequeno inquérito, on-line, que podem preencher na nossa barra lateral (a sondagem estará aberta para votação até às 00.00h do dia 13.11.2007) e que nos dará uma melhor noção daquilo que vocês pensam sobre este blog.
Por isso, não deixem de o preencher! Se faz favor…
A vossa opinião é muito importante para nós.
Obrigada a todos.
13 de outubro de 2007
Design quotes
Teal Triggs.
12 de outubro de 2007
Métodos de avaliação em design #08
> métodos e técnicas:
Uma das estratégias, mais óbvias, para quem pretende avaliar a usabilidade de um produto, é observar o seu uso. A observação é uma técnica objectiva, que faz parte das metodologias da Ergonomia, para a análise da actividade. As técnicas subjectivas já foram abordadas em post anteriores e incluem os questionários e as entrevistas, entre outras. O investigador pode decidir usar estas técnicas individual ou conjuntamente, de acordo com os propósitos do estudo. Porém, para a obtenção, através da observação, de dados rigorosos e válidos é preciso que esta obedeça a regras científicas bem definidas.
A observação podem ser directa, se o investigador estiver presente durante a ocorrência da actividade (observação visual, observação remota por circuito interno de vídeo) em tempo real, ou, indirecta, se a observação for feita pela visualização posterior de vídeos ou fotografias.
A observação pode ser passiva, se o investigador se limitar a observar e registar, passivamente, o desempenho da actividade pelos sujeitos. Este é um processo pouco intrusivo mas, que pode ser muito incompleto. Esta fragilidade poderá ser ultrapassada com o recurso à análise, posterior, de registos vídeo. Por oposição, a observação poderá ser activa, se o investigador participar, conjuntamente com o operador, na actividade. Esta alternativa pode ser muito útil em situações repletas de automatismos, onde os operadores sentem dificuldades em verbalizar a forma como desempenham as suas tarefas. Também é muito útil nos casos onde se procura investigar o trabalho de uma equipa, para compreender a forma como o grupo se organiza e como se comporta.
Nas fases mais embrionárias do estudo, a observação pode ser realizada de forma livre e aberta, para permitir que o investigador se familiarize com a situação. Em alguns casos, a observação pode ser auxiliada por formulários/fichas ou diagramas previamente elaborados. Esta documentação facilitará, sobretudo, o tratamento estatístico, posterior, dos dados recolhidos (frequências, transições, duração, etc.). Normalmente, este procedimento é usado em observações pontuais, efectuadas em momentos pré-definidos e focando aspectos muito específicos da actividade, como as posturas, os movimentos, para detecção de problemas musculo-esqueléticos. As técnicas mais comuns, deste tipo de observação, são o Posturegram [1] ou OWAS [2]. Contudo, estes são processos de validade limitada e muito dependentes da experiência do investigador.
Porém, para quem pretende realizar uma observação sistemática e em tempo real estes procedimentos não são viáveis. Como alternativa, o investigador, pode recorrer ao vídeo. Com alguma facilidade uma tarefa poderá ser registada em vídeo e áudio, para posterior análise laboratorial. Muito embora, o vídeo possa ser uma ferramenta muito útil, especialmente porque pode captar imensa quantidade de informação sem a presença do investigador, é necessário ter alguns cuidados no seu uso.
A observação recorrendo ao vídeo permitirá estudar a forma como as diferenças individuais condicionam a resolução de problemas, quais são os problemas decorrentes de situações de emergência. Também permitirá identificar as condições em que ocorrem os erros, compreender como reagem os trabalhadores sob stress e avaliar as condições responsáveis pelo aparecimento de problemas músculo-esqueléticos. O vídeo permitirá, ainda, a confrontação dos sujeitos observados com o seu comportamento, servindo para auto-avaliação, treino ou formação. O vídeo oferece bastantes garantias e também pode ajudar a evitar enviasementos relativos à avaliação subjectiva.
Contudo, a primeira ressalva, no uso do vídeo, é que este não deve ser o único processo de registo, deve ser sempre complementado com uma observação paralela feita pelo investigador. Existem, também, aspectos éticos a considerar no seu uso, como a liberdade pessoal e a confidencialidade dos dados. Também não podemos ignorar que, o simples facto de os sujeitos se sentirem observados, produzirá modificações nos seus comportamentos, o que poderá provocar distorções nos dados recolhidos.
Independentemente de qual o tipo de observação que se irá escolher, as etapas gerais a percorrer podem ser:
1) Definição dos Objectivos: o que se pretende estudar; qual a hipótese que está em cima da mesa e que queremos testar;
2) Registo da Actividade de Trabalho: como vamos proceder para registar a actividade (formulários, vídeo, áudio, etc.);
3) Definição de Categorias Comportamentais: em que sub-componentes, ou indicadores observáveis, vamos dividir a actividade (ex.: posturas, movimentos, deslocamentos/percursos, transporte de cargas, ângulos de visão, movimentos oculares, comunicações, tempos/frequências, etc.);
4) Quantificação das Frequências de Ocorrência: quais são as variáveis a monitorizar (duração/tempo, frequências, distâncias, etc) e como se expressarão.
Apesar de, comparativamente com técnicas como questionários, entrevistas ou checklists, a observação ser muito popular entre os investigadores, é preciso ponderar cuidadosamente as suas vantagens e desvantagens.
As suas vantagens mais interessantes são:
_ permite a recolha de dados que não seria possível recolher de outra forma;
_ é muito útil numa fase exploratória inicial, onde o investigador procura identificar o problema a observar, facilitando a familiarização com a actividade;
_ permite identificar e comparar diferenças individuais de desempenho;
_ permite a comparação de dados obtidos por outros investigadores e por outros processos.
Algumas das suas desvantagens são:
_ a realização de uma observação em tempo real requer um profissional treinado;
_ os dados recolhidos são muitos e complexos, pelo que, o seu tratamento e análise irão implicar um grande o investimento;
_ a observação directa pode ser uma técnica intrusiva, levando a que comportamento possa ser influenciado pela presença do observador;
_ os dados obtidos podem ser imprecisos, incompletos, inconsistentes ou até impraticáveis;
_ não fornece informação sobre os processos que sustentam, ou estão na génese dos procedimentos humanos, por isso, serão de pouca utilidade em actividades com elevada complexidade cognitiva;
_ os equipamentos usados para recolha de dados podem ser dispendiosos e de aplicação difícil nos locais;
Como tivemos oportunidade de ver, apesar da observação nos permitir recolher imensa informação detalhada, poderá não ser suficiente para compreendermos a globalidade do processo de trabalho que está envolvido. Podemos aumentar a quantidade e qualidade da informação recolhida se usarmos o “think aloud”, ou seja, se estimularmos o sujeito observado a ir falando sobre aquilo que está a fazer. Para terminar, podemos constatar que desenvolvimento de softwares específicos para análise de vídeos, como o “Vídeo Behavior” [3] está a tornar a observação mais eficaz, mais rigorosa e mais atractiva para o investigador.
Referências:
[1] Priel, V.Z.: A numerical den̈ition of posture. Hum. Factors 16, 576–584 (1974)
[2] Karhu, O., Kansi, P., Kuorinka, I.: Correcting working postures in industry: a practical method for analysis. Appl. Ergon. 8(4), 199–201 (1977)
[3] Filgueiras, E. & Rebelo, F. (2007). An Interactive System to Measure the Human Behaviour: An Analysis Model for the Human-Product-Environment Interaction. Proceedings of the 12th International Conference, HCI International 2007. Beijing, China, July 22-27, 2007
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